O Tottenham venceu a corrida contra West Ham e Chelsea e anunciou a chegada de Gedson Fernandes, do Benfica, em um empréstimo de um ano e meio com opção de compra estabelecida em £ 56 milhões, informa a agência de notícias AFP. O jogador de 21 anos é um dos jovens talentos mais renomados em Portugal, mas, ainda assim, um atleta para o longo prazo – se for bem trabalhado.

Fernandes é um meio-campista veloz e habilidoso que também pode oferecer uma contribuição defensiva em duelos pela bola. Não é exatamente do tipo que se põe dentro da área adversária com muita frequência, mas é incisivo na distribuição de bola ao ataque, com passes que fazem o time avançar.

Com esta descrição, é natural se perguntar por que então o Benfica se desfez dele, em um acordo que não traz imediatamente uma compensação financeira. A verdade é que a segunda temporada como membro da equipe principal dos Encarnados não foi tão boa quanto a primeira, e a relação do jogador com o técnico Bruno Lage teria se deteriorado.

A atual campanha já começou mal para Gedson Fernandes, que lesionou o metatarso no início da temporada e passou dois meses no departamento médico. Recuperado no fim de setembro, foi pouco utilizado desde então, somando apenas 215 minutos em campo na Liga Portuguesa, com 13 jogos no total em todas as competições, seis deles entrando como reserva.

Agenciado por Jorge Mendes e no radar de clubes da Premier League, era natural que a situação atual fosse lhe incomodar e que seu representante buscasse espaço em outro clube. A relação entre Mendes e Mourinho, também cliente do empresário, definitivamente teve um papel importante nesta transferência.

Em seu atribulado começo no Tottenham, o técnico português tem tentado se adaptar às demandas de um futebol mais ofensivo, mas sem largar seu compromisso com o jogo defensivo. Gosta de meio-campistas capazes de chegar ao ataque, mas que, igualmente, tenham contribuição defensiva relevante. Neste cenário, ao menos em teoria, Fernandes é um encaixe natural ao jogo que o português busca nos Spurs.

Moussa Sissoko e Tangui Ndombélé estão atualmente machucados, Dier não parece ter convencido o bastante em seu tempo até aqui com Mourinho, e Winks não oferece exatamente o tipo de contribuição ofensiva que o treinador gosta. Movimenta-se bem e é bom na retenção da bola, mas fica atrás de Fernandes quando o quesito é o jogo de contra-ataque que Mourinho costuma implementar em suas equipes.

Em 2018/19, quando foi parte integral do time principal do Benfica, Fernandes mostrou futebol suficiente para chegar à seleção portuguesa, mas, aos 21 anos, em um futebol que cobra mais cedo resultados dos novatos, sabe que precisa tentar reverter a campanha apagada que faz em 2019/20. O Tottenham pode, por fim, ser um passo maior que a perna para o momento, mas é uma aposta que pode lhe render bons frutos: terá ali visibilidade e uma liga poderosa na qual se testar.