Gazidis, CEO do Milan: “Das cinco grandes ligas europeias, a Serie A tem o maior potencial de crescimento”

Ivan Gazidis é uma das principais faces do momento de transformação que vive o Milan. O antigo executivo do Arsenal ocupa o posto de CEO dos rossoneri e lidera uma mudança de perfil do clube para tentar se reerguer. Contratado há dois anos pela Elliott Management Corporation, o grupo que é dono dos milanistas, Gazidis nem sempre recebeu elogios e foi acusado de quebrar tradições em Milanello. Em compensação, a ótima fase do time de Stefano Pioli favorece seu trabalho, com um elenco repleto de garotos – que promete um crescimento paulatino. E o dirigente prevê uma ascensão não apenas do Milan nos próximos anos.

Gazidis deu uma entrevista bastante interessante à ESPN internacional, falando sobre as perspectivas do Calcio e as mudanças no futebol europeu. O CEO acredita que, entre as cinco grandes ligas europeias, nenhuma outra tem a margem de progressão da Serie A – e o Milan pode se catapultar com isso. Além disso, Gazidis prevê uma união maior dos próprios clubes para alavancar as receitas na Itália. Abaixo, os principais trechos:

A internacionalização e o crescimento da Serie A

“Muito do sucesso da Premier League se baseia em uma perspectiva global, na internacionalização. Isso aconteceu em termos de ideias sobre futebol e, mais recentemente, em termos de donos estrangeiros e gestão internacional. Essa mistura de ideias, essa diversidade, tem sido uma das forças motrizes do sucesso. Penso que o futebol italiano claramente é internacional dentro de campo e nossas marcas são internacionais. Então, todos os elementos estão aqui”.

“Veja o interesse de grupos de capital privado na Serie A. Eles não são estúpidos, eles querem estar envolvidos na modernização e profissionalização do futebol italiano. Eles sabem que há um enorme potencial inexplorado. Se dermos os passos certos, o futebol italiano pode voltar ao topo do futebol mundial. Penso que a Serie A tem o maior potencial das cinco grandes ligas em termos de crescimento. E realmente acho que o Milan tem o maior potencial como clube”.

A necessidade de união dos clubes

“Richard Scudamore [executivo-chefe da Premier League por quase duas décadas] tinha a habilidade de manter todas as perspectivas e agendas diferentes unidas. Na Itália, não vemos um senso de unidade tão forte, esse senso de que os clubes são competidores em campo e parceiros de negócio fora dele. Tem sido muito mais sobre competição dentro e fora de campo. Mas eu acho que isso está mudando, porque duas coisas estão acontecendo”.

“Uma delas é que há uma mudança no tipo de donos. Não me refiro apenas a estrangeiros, aos italianos também. Há mais proprietários que não se consideram apenas benfeitores a um clube, mas que veem também como um negócio. Você precisa ter ambos para um ambiente saudável. Outra coisa é que, à medida que as receitas aumentam, também aumentam taxas de transferência, salários e custos, então torna-se menos viável ignorar o fato de que os clubes possuem interesses em comum. Portanto, os clubes precisam estar na mesma página. Acho que veremos mais disso na Serie A, como no modelo da Premier League”.

A criação da Superliga Europeia

“A direção é por mais futebol continental, isso não está em questão. E é por isso que as pessoas estão mais interessadas nele. Mas há questões mais profundas que o futebol não se faz o suficiente. O futebol é uma força tremenda, é uma linguagem cultural em comum, é algo que nos une. É um grande caminho para comunicar uma fantástica visão sobre o que o mundo poderia ser. Ok, vou descer das nuvens agora. Mas amo essa ideia e acho que esse aspecto global é algo que nós realmente precisamos pensar e apoiar”

Como lidar com as mudanças sobre consumo do futebol, com as pessoas cada vez menos prendendo suas atenções na tela

“A outra questão sobre a qual penso é mais uma ameaça geracional. O futebol tem um conservadorismo tremendo, que o serviu relativamente bem. Mas, a menos que pensemos cuidadosamente sobre como as pessoas, especialmente os jovens, estão consumindo o entretenimento, sobre como estão se conectando com conteúdo, isso é radicalmente diferente. Precisamos pensar no que eles vão querer daqui a 5, 10, 15 anos. Acho que eles ainda vão querer esse conteúdo, mas vão se envolver de maneiras radicalmente diferentes. É uma ameaça muito grande ao esporte, mas também uma grande oportunidade. Acho uma questão muito complexa”.

Como introduzir novos métodos no futebol

“A cultura do futebol é bastante fechada. Existem ‘pessoas do futebol’, e qualquer um com ideias que não está no meio é visto como uma ameaça. E a comunidade do futebol se une para formar uma barreira impenetrável de autoproteção, talvez porque suspeitem de novas ideias. Eles recorrem aos clichês testados e comprovados. Mas o futebol é um ambiente que desafia seus preconceitos. Eles são descobertos. Veja as mudanças na Inglaterra, por exemplo. Wenger teve um grande papel nisso. Quando você tem sucesso, as coisas mudam muito rapidamente porque os resultados se veem em campo”.

“À medida que as pessoas têm uma visão clara, à medida que nossos torcedores curtam o futebol, as coisas podem mudar rapidamente. E acho que o futebol italiano, como um todo, é um ambiente propício para isso e dará um grande passo em frente. Farão isso rapidamente. Surpreendentemente rápido”