Um dos tópicos mais falados na Itália nos últimos dias é o episódio de racismo em San Siro no jogo entre Inter e Napoli, contra o zagueiro Kalidou Koulibaly. O técnico do Napoli, Carlo Ancelotti, disse que se isso acontecer de novo, ele irá tirar o time de campo. O técnico do Milan, Gennaro Gattuso concordou. “Eu também diria para o time parar”, afirmou ainda o treinador. “Eu diria que sim, é certo ter essa coragem”. Para ele, as pessoas que fizeram isso não são maioria e ele não acredita que a Itália seja um país racista.

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“Muitas vezes esses versos são feitos porque Koulibaly é assustador por quão forte ele é. São imbecis, mas a Itália não é um país racista. Também quero ressaltar que não foi todo o estádio que fez aqueles coros. Infelizmente, esses episódios não são vistos apenas na Itália, isso acontece em países considerados civilizados também”, afirmou o treinador.

Desempenho ruim do Milan

“Temos muitos estímulos. No início da temporada, o nosso scudetto era chegar entre os quatro primeiros. Nós perdemos muito, mas estamos aqui”, continuou o treinador. “Estou confortável, estou acostumado a ser desafiado. Há um grande desejo da minha parte e tenho o grupo nas minhas mãos. Eu falo com Leonardo e Maldini todos os dias e sinto sua proximidade”, afirmou ainda o treinador.

“Há muita decepção, nós consertamos a defesa, mas agora não conseguimos marcar gols”, disse Gattuso na coletiva de imprensa. “A maior frustração contra o Frosinone é como nós abordamos o jogo, nós precisamos estar cientes que nós tivemos um dezembro desastroso. Nós temos a chance de terminar a primeira metade da temporada com 31 pontos, o Milan só conseguiu fazer isso uma vez nos últimos anos”.

“Os jogadores não têm que pensar sobre o meu futuro, eu sinto confiança dos diretores, mesmo que seja normal que precisamos de resultados. Eu preciso pensar no que é bom para esses jogadores. Eu quero continuar trabalhando, eu não estou aqui brincando nesses últimos meses. Há um desejo para continuar este caminho com os rapazes, nós estamos em um período negativo, mas eu não estou pensando sobre o meu futuro”, afirmou Gattuso.

“Eu agradeço àqueles que me deram essa chance. Mesmo se as coisas estivessem indo bem, eu sempre estaria sob pressão, o mais importante é guiar o time. Meu futuro é hoje e preparar para o jogo de amanhã. Depois disso, nós veremos o que acontece”, analisou ainda o treinador dos rossoneri.

Higuaín

Com o mercado prestes a abrir no dia 1º de janeiro, as especulações são fortes que o atacante Gonzalo Higuaín pode deixar o Milan, em potencial troca com Álvaro Morata. Gattuso, porém, deixa claro que conta com o seu jogador. Não só com ele, aliás, com Hakan Çalhanoglu também, que é outro especulado a sair.

“Eu quero ver o Higuaín do segundo tempo contra o Frosinone – aquele é Higuaín. Ele venceu seu marcador, ele teve chances e ele fez as coisas erradas quando chutou. Ele sofreu um pouco depois de perder o pênalti e o cartão vermelho contra a Juventus. Eu não quero ouvir sobre a venda, isso cabe ao clube e ao pessoal dele. Contanto que ele fique, nós precisaremos dele”, disse Gattuso.

“Neste ano ele está driblando mais do que no ano passado, ele teve o mesmo número de toques, mas está faltando o gol. Depois do cartão vermelho, a sensação era que ele não estava bem em termos físicos, mas não é o caso, ele está bem. Eu acho que ele irá ficar aqui, se o contrário acontecer, então terei cometido um erro, mas do que me foi dito, eu acho que ele ficará aqui”, continuou o treinador.

“Hakan Çalhanoglu? Enquanto eu for técnico, Çalhanoglu irá ficar aqui. Para mim, ele é um jogador crucial. Em momentos difíceis, nós temos que confiar em todos os jogadores, especialmente Çalhanoglu”, respondeu o técnico.

O Milan vai a campo neste sábado contra a Spal, às 17h30 (horário de Brasília). O jogo terá transmissão no Brasil pela RAI e pelo Serie A Pass (serviço de streaming online).