Gasto com transferências no primeiro mercado sob efeitos da pandemia foi 30% inferior ao do ano passado

O futebol mundial realizou menos contratações e movimentou menos dinheiro na janela de transferências internacional que foi fechada na última segunda-feira, contando movimentações entre clubes de diferentes países, do que no ano anterior, segundo um relatório da Fifa.

Foi o primeiro mercado envolvendo os clubes mais ricos do mundo sob os efeitos econômicos causados pela pandemia, que paralisou o futebol por alguns meses e obrigou os times a jogarem com portões fechados, ou seja, sem receitas de bilheterias.

De acordo com o documento, o gasto total de US$ 3,92 bilhões foi 30% inferior ao do mesmo mercado da temporada passada – aquele em que muitas ligas, inclusive as principais da Europa, montam seus elencos e fazem a maioria das negociações. Em 2019, o acumulado chegou a US$ 5,8 bilhões.

Não houve apenas uma queda em valores, mas também em movimentações. Foram 7.424 transferências internacionais, sendo 1.222 com taxas pagas de um clube para o outro, em comparação com 9.087 do ano anterior – 1.623 exigindo que dinheiro fosse trocado de mão. São os menores números desde 2016, quando houve 7364 transferências, com 1.250 envolvendo pagamentos.

A Fifa também divulgou os números do futebol feminino que, ao contrário do masculino, teve mais transferências de jogadoras. Foram 522 negócios internacionais. O gasto bruto quase dobrou, mas ainda está milhas e milhas de distância dos homens. Foram gastos US$ 821 mil em 18 transferências, em comparação com US$ 454,6 milhões em 16 no ano anterior.

Apenas 14% de todas as movimentações foram compras em definitivo, com 19,2% de empréstimos e 53,2% de jogadores se transferindo sem contrato. Do total, 93,4% das taxas de transferências foram gastas em jogadores entre 18 e 29 anos. Apenas 4,6% acima de 30 anos.

Naturalmente, 6.097 das transferências foram para um clube europeu. Na sequência, aparecem a Conmebol, que recebeu 491 jogadores, mas a confederação sul-americana mandou mais jogadores para o exterior do que contratou: 698.

A Uefa, também obviamente, foi a federação que mais gastou: US$ 3,7 bilhões. Foi seguida pela Ásia, com US$ 86,8 milhões, a Concacaf, com US$ 30,2 milhões, e então a Conmebol, com US$ 24,9 milhões em transferências internacionais.

Entre os países que mais contrataram jogadores de fora, o Brasil é o único não-europeu entre os dez primeiros, em 10º lugar, com 202 reforços. Curiosamente, está atrás do Chipre, com 222.

Em gastos totais, ninguém rivaliza com a Inglaterra, com gastos mais de duas vezes maiores que a segunda colocada Itália. Apenas países europeus aparecem entre os dez primeiros.

Em saída de jogadores, o Brasil foi o quinto país que mais vendeu para fora: 329. A Argentina é o outro não-europeu entre os dez primeiros, em décimo lugar, com 183.

O Brasil foi o oitavo que mais recebeu dinheiro em transferências para fora, em US$ 195 milhões.

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