Galvão Bueno é a figura mais conhecida quando se fala sobre transmissão esportiva no Brasil. É um narrador com voz marcante, enorme carisma e tecnicamente um dos melhores que o país já teve. Com seu jeito de editorializar muitas transmissões, dando alguns chiliques em uns momentos, desabafos e, sim, também boas análises, conquistou o amor (e um pouco de ódio) dos brasileiros. Ele fala muitas coisas que não concordamos, às vezes exagera na defesa da seleção brasileira (ou na crítica a ela). Passa do ponto em alguns momentos, sim. Ele segue sendo, porém, uma das vozes mais importantes do jornalismo esportivo. Então, quando ele fala alguma coisa sobre a violência de torcidas em episódios recentes de forma tão assertiva quanto fez nesta terça, no Twitter, vale a pena ouvir. Ou melhor, ler.

Alguns o consideram um chato e não aguentam ver jogo com ele, mas grande parte fica mais à vontade quando ele comanda a transmissão. Desde que ele entrou no Twitter, tem sido muito divertido acompanhar a interação do profissional com o público. E nesta terça-feira, ele mandou um papo reto falando com os (poucos) torcedores do Palmeiras que atiraram pedras no ônibus do clube; com torcedores do Botafogo que partiram para cima do agora ex-técnico Zé Ricardo, no aeroporto, em um ato covarde; falou também dos animais de torcidas de São Paulo e Corinthians que foram se encontrar para brigar em Ferraz de Vasconcelos; aproveitou para criticar o que chamou de “infame ideia de torcida única”; falou sobre o torcedor rival ser alguém que pode estar ao seu lado na escola de samba, se divertindo ou comentando sobre a novela; por fim, chamou esses torcedores de bandidos e pede que deixem o futebol em paz.

Como uma das vozes mais ouvidas da imprensa esportiva, levantou a sua grande e importante voz para falar algumas coisas que devem fazer ao menos pensar. Bons tópicos que Galvão Bueno já tinha levantado no seu programa de segunda-feira no SporTV, o Bem, amigos. Vale ler, pensarmos e discutirmos. Há muito a ser feito.