Quando o Atlético Mineiro assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, houve muita desconfiança. Não é por acaso, sejamos sinceros. O time não fazia uma campanha minimamente decente há algum tempo.

O time só brigava para não cair e, quando não era o caso, como em 2009, sucumbiu às próprias fragilidades do elenco curto e ficou fora da Libertadores. Desta vez, porém, o que se vê é um time pronto, forte e sem grandes destaques individuais. Isso mesmo: sem grandes destaques individuais.

Alguém dirá que Bernard é o grande nome do time. Não estará errado, mas dizer que o Atlético é dependente de Bernard é tão errado quanto. O time funciona muito bem coletivamente, com boas opções em campo e no banco. Todos jogando bem. Bernard é sem dúvida um destaque e, talvez, o jogador mais selecionável do Galo. Talvez Mano Menezes dê a ele a chance que vem merecendo nos jogos contra a Argentina, com jogadores apenas domésticos. Apesar de um só selecionável, não se engane: o Atlético tem um time muito bom.

Victor já esteve na seleção e é um goleiro seguro, algo que o Atlético buscava há algum tempo. Marcos Rocha é o melhor lateral direito do Brasileiro e isso, por si, já diz muito. Rever entra na mesma conta de Victor: esteve na seleção e tem transmitido confiança (apesar da temporada irregular em 2011). Leonardo Silva não é nenhum zagueiro dos sonhos, mas a fase é tão boa que fez um lançamento longo que resultou em gol, o de Jô, após Ronaldinho receber a bola do zagueiro. E Junior Cesar é um cumpridor na defesa. Faz o seu papel, sem brilhantismo, mas com eficiência.

No meio, Pierre e Leandro Donizeta fazem o papel de protetores da defesa com bastante eficiência. Não são fantásticos e nem estão entre os melhores do país na posição, mas nem precisam: funcionam bem para o seu time e isso é o que importa. Até porque o time precisa de jogares que façam esse trabalho para permitir que os jogadores mais de frente possam ter liberdade.

Ronaldinho, Danilinho e Bernard formam o trio titular que atua atrás de Jô. Todos eles têm feito campeonatos muito bons, especialmente Ronaldinho e Bernard. Se o R49, como tem sido chamado Ronaldinho, não é mais aquele, hoje é um jogador útil ao Atlético, dá criatividade e imprevisibilidade ao time. Bernard e Danilinho dão a rapidez e habilidade do time pelos lados. E Jô, se não é o jogador que prometeu ser, tem sido eficiente. Não será jogador de seleção, mas é um jogador pra lá de importante no atual Atlético.

O Galo é indiscutivelmente o melhor time do campeonato. Não só pelo time, mas pela campanha atual. Depois de jogadas 18 rodadas (e é bom lembrar que o Atlético teve um jogo com o Flamengo atrasado e, portanto, tem só 17 jogos), o Atlético tem um aproveitamento de 82,4%, com 42 pontos até aqui. Pode até terminar o turno com 48 pontos, que seria o melhor turno da história de um time.

Quer ver como a campanha do Galo é impressionante? Veja como estavam os líderes de cada Campeonato Brasileiro desde 2003, quando começou a fórmula de pontos corridos, na 18ª rodada, a mesma do atual campeonato:

2003: Cruzeiro, que seria campeão, tinha 37 pontos, com 11 vitórias, quatro empates e três derrotas.

2004: O Santos, que seria campeão, tinha 32 pontos, com dez vitórias, dois empates e seis derrotas.

2005: O Corinthians, que seria campeão, tinha 37 pontos, com 12 vitórias, um empate e cinco derrotas.

2006: São Paulo, que acabaria campeão, somou 35 pontos em 18 jogos, com dez vitórias, cinco empates e três derrotas.

2007: São Paulo, que acabaria campeão, tinha 37 pontos, com 11 vitórias, quatro empates e três derrotas.

2008: Grêmio, líder então, tinha 38 pontos, com 11 vitórias, cinco empates e duas derrotas. O time acabou como vice-campeão.

2009: Palmeiras liderava com 36 pontos, com dez vitórias, seis empates e duas derrotas. O time acabou fora até da zona da Libertadores e o Flamengo foi campeão.

2010: O Fluminense, que acabaria campeão, era líder com 38 pontos, em 11 vitórias, cinco empates e duas derrotas.

2011: Corinthians, que acabaria campeão, somava 37 pontos, com 11 jogos, quatro empates e três derrotas.

Em 2012, o Atlético tem 42 pontos após 18 rodadas (com um jogo a menos), com 13 vitórias, três empates e uma derrota. O Atlético só não será a melhor campanha de um time em um turno se o Atlético perder os dois jogos restantes. Com 42 pontos, o time precisa de mais um para se igualar ao segundo turno do Grêmio em 2010, que fez 43 pontos.

Nada disso significa que o Atlético Mineiro será o campeão. Pode não ser. O que já não dá é para chamar de cavalo paraguaio. A essa altura do campeonato, com tantos bons jogos, com um time tão sólido e uma campanha tão impressionante, não é mais possível dizer que o Atlético não brigará pelo título. Ao menos não a sério.