Um dos personagens da classificação épica do River Plate sobre o Grêmio, na semifinal da Libertadores, Marcelo Gallardo não se importou em admitir que descumpriu, sim, a suspensão imposta a ele pela Conmebol. Apesar de suspenso pela entidade, o técnico do time argentino falou com os auxiliares por rádio durante o jogo e, no intervalo, foi até o vestiário falar com o time, mesmo proibido. Depois do River Plate sair perdendo por 1 a 0 (e 2 a 0 no agregado), o time conseguiu virar para 2 a 2 e sair com a classificação de Porto Alegre.

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“Não me importa não estar nas finais. Se é assim, que seja assim. Eu estou aqui me justificando de acordo com o que eu acho que é injusto. Está no regulamento? Bom, eu aceito, mas não ia me privar de estar no vestiário com meus jogadores momento que eles mais necessitavam”, se defendeu o treinador, ao ser consultado e perguntado sobre a questão.

Mais do que admitir que sabia que era proibido se comunicar e ir ao vestiário, mas se justificou e disse que certamente voltaria a fazer isso, se fosse necessário. “Acredito que é injusto que te tirem o direito e a liberdade de trabalho. Me dei o atrevimento de descer e ir falar com os jogadores porque acreditava que eles precisavam e também eu precisava. Talvez tenha infringido uma regra de não entrar no vestiário, mas eu reconheço e assumo. Era o que sentia que tinha que fazer, não me arrependo de nada”, disse ainda Gallardo.

Gallardo e o River Plate parecem apostar em uma redação do regulamento que não é tão clara em relação a punições relativas ao técnico. No regulamento da Libertadores, está prevista punição para o clube que escalar um jogador irregular, como vimos inclusive acontecer com o Santos nesta edição, quando Carlos Sánchez foi a campo contra o Independiente. Implica inclusive em perda de pontos. Não está especificado se vale o mesmo para treinador e, pelo jeito, o entendimento do River é que não há como dar uma punição maior ao seu técnico. E também não há precedente para guiar o que pode acontecer.

Há um caso similar que aconteceu no Uruguai. No jogo entre Sud américa e Danúbio, o técnico do primeiro time estava suspenso. Mesmo assim, fez como Gallardo e foi até o vestiário dar instruções ao seu time. O jogo terminou empatado em 1 a 1. A Asociación Uruguaya determinou que o Sud América fosse declarado perdedor da partida.

Na Conmebol, porém, não há nenhum precedente e parece muito improvável que a entidade decida por um caminho similar ao que aconteceu no Uruguai. É muito provável que Gallardo seja punido novamente para não poder ficar no banco de reserva durante os dois jogos da final, além de uma multa, em dinheiro, que seja mais pesada. Só que se a punição for apenas essa, provavelmente o que veremos é o River avaliando se vale a pena descumprir novamente a suspensão e pagar a multa. Talvez valha. Na semifinal contra o Grêmio, valeu.