Temos uma ideia para tornar o futebol olímpico mais legal: voltar a 1988

24 de março de 2015 às 21:55




A contagem regressiva para as Olimpíadas se intensificou neste terça. Afinal, restam apenas 500 dias para o início da competição no Rio de Janeiro. E o futebol, que está muito longe de ser o carro chefe dos Jogos, segue abaixo do radar. O Brasil dá os primeiros passos na preparação pela sonhada medalha de ouro, com uma geração encabeçada por Rafinha Alcântara, Lucas Silva e Felipe Anderson. Nada que prometa fazer o torneio olímpico ter tanto apelo assim.

Obviamente, é impossível esperar que o futebol nas Olimpíadas retome a esperança que já teve um dia. A Celeste bicampeã em 1924 e 1928 é única. No entanto, não custa nada sonhar. Tudo bem que o campeonato olímpico não se compare à Copa do Mundo, o maior evento esportivo do universo. Mas poderia ter um pouquinho mais de graça. Como aconteceu em 1988, provavelmente na melhor disputa que o futebol masculino já teve dentro dos Jogos.

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Quatro anos antes, o Comitê Olímpico Internacional encerrou o falso amadorismo, que dava de bandeja as medalhas às seleções do Leste Europeu. Naquela edição, só poderiam ser convocados os jogadores com, no máximo, cinco convocações para a seleção principal. Já nas Olimpíadas de Seul, a regra permitia que disputassem o torneio quaisquer jogadores que nunca estiveram em Copas do Mundo. Uma brecha que permitiu o maior desfile de estrelas da do futebol olímpico desde 1928.

Em um período de reformulação após o envelhecimento dos craques da Copa de 1982, o Brasil se aproveitou muito bem da geração que ficou com a medalha de prata. Nove jogadores que estiveram na Coreia do Sul disputaram o Mundial anos depois (Taffarel, Jorginho, Ricardo Gomes, Mazinho, Valdo, Romário, Bebeto, Zé Carlos e André Cruz), incluindo cinco titulares no tetra.  Isso sem contar os jogadores que possuíam talento o suficiente para contarem com uma Copa no currículo, entre eles Neto, João Paulo, Andrade e Aloísio.

Também não havia miséria nas outras seleções. A Alemanha Ocidental caiu para os três pênaltis defendidos por Taffarel na semifinal, mas tinha Klinsmann, Hässler e Riedle, todos titulares no tricampeonato mundial em 1990. A Itália também não passou das semifinais, mesmo com Tacconi, Carnevale, Tassotti, Virdis, Evani e Pagliuca. Perderam para a campeã União Soviética, de Kharin, Mykhaylychenko e Gorlukovich. Já entre os destaques espalhados por outras seleções estavam Stojkovic (Iugoslávia), Suker (Iugoslávia), Yekini (Nigéria), Dahlin (Suécia), Islas (Argentina), Vermes (Estados Unidos), Bwalya (Zâmbia) e Farina (Austrália).

Como era de se esperar, o torneio em si teve alto nível. Durante a primeira fase, a Zâmbia surpreendeu o mundo ao golear a Itália por 4 a 0 e terminar na liderança do Grupo B, enquanto o timaço da Iugoslávia acabou eliminado pela Austrália. Nas oitavas, o Brasil derrubou a Argentina, enquanto a Suécia só se entregou para a Azzurra na prorrogação. E, a partir das semifinais, quatro jogaços, incluindo a decisão vencida pelos soviéticos na prorrogação. No fim das contas, aquele torneio olímpico serviu como etapa importante de preparação à Copa de 1990. Em 1992, contudo, o COI instituiu o limite de idade de 23 anos.

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Sonhar com 1988, neste momento, é puro devaneio. Não vamos ser ingênuos de achar que o COI ou a Fifa poderiam retomar a fórmula. Os clubes não cederiam na queda de braço por seus jogadores, ainda mais em pleno início de temporada. Da mesma forma como a classificação para os Jogos de 2016 até já começou, com alguns pré-olímpicos em etapa final.

De qualquer forma, resolvemos imaginar como seriam as seleções das Olimpíadas de 2016 se as regras de 1988 fossem retomadas. Esboçamos as convocações de 12 grandes seleções. E o que dá para perceber é que as seleções mais tradicionais viriam com mais força, até pela quantidade de talentos que as suas ligas costumam revelar. Brasil, Argentina, Alemanha, França, Espanha e Reino Unido (a Inglaterra com uma forcinha essencial de Gales e Escócia) poderiam contar com jogadores que sobraram em suas listas, assim como outros que se lesionaram – e não há melhor exemplo do que Marco Reus.

Já países de população mais escassa sofreriam, a exemplo dos esvaziados times de Uruguai, Bélgica, Holanda e Chile. Uma brecha para que outras seleções que não foram à Copa de 2014 poderiam aproveitar, subindo de nível justamente por poderem contar com os seus elencos bem mais estrelados – como Polônia, Sérvia ou Ucrânia. Pelas semelhanças com os times já convocados normalmente, porém, não imaginamos como elas ficariam.

Abaixo, uma galeria com as 12 seleções, baseadas a partir de suas últimas convocações – sem os jogadores com uma Copa do Mundo no currículo, é claro. No caso do Brasil, trazemos uma convocação de 18 nomes e algumas outras opções para substituir. Já para os outros países, traçamos os titulares e sugerimos possíveis nomes para o banco de reservas.