Por mais que os estaduais não tenham o apelo de outros tempos, eles podem render jogos emocionantes. Não há nada que sustente mais a fórmula desgastada do que os clássicos. A rivalidade que apimenta o dia a dia dos torcedores é o que também alimenta o interesse sobre as competições. Um estímulo que funciona principalmente no Campeonato Carioca, onde tirar onda sobre os rivais às vezes vale tanto quanto vencer um título. E o jogo deste domingo, no Maracanã, serve de ótimo exemplo. Flamengo e Vasco podem não ter feito um jogo de técnica tão refinada, mas o confronto teve vários elementos de um grande clássico.

A começar, pelo bom público presente no Maracanã. Mais de 56 mil pessoas encheram as arquibancadas do estádio, mantendo a atmosfera intensa, diferentemente da maioria dos jogos dos estaduais. Não à toa, o clássico contou com o recorde de espectadores do futebol brasileiro em 2015. Nem mesmo a chuva fortíssima que caiu no Rio de Janeiro foi capaz de atrapalhar o espetáculo, na vitória rubro-negra por 2 a 1.

Aliás, a chuva foi apenas mais um elemento a engrandecer o clássico. Ela protagonizou o jogo durante os primeiros 20 minutos, em que os dois times precisavam mais de raça do que de técnica para dominar o campo. Tanto que a chuva acabou jogando como coringa do Flamengo, no gol que abriu o placar. Martín Silva teve a ingenuidade de querer passar a bola em uma saída de jogo e a viu parar mansamente em uma poça, para Alecsandro estufar as redes.

Diante das péssimas condições do gramado, a arbitragem teve a sensatez de parar o jogo. E, depois de muita conversa, retomou o clássico cinquenta minutos depois, quando o sistema de drenagem do Maracanã deu conta de secar o gramado. Para o Vasco igualar o placar logo após o recomeço, com Gilberto aproveitando o desvio de Julio dos Santos na sequência de uma cobrança de escanteio.

O Flamengo, entretanto, já dava mostras que poderia sair com a vitória. Canteros teve duas grandes oportunidades, chutando para fora a primeira e parando em Martín Silva pouco depois. O gol saiu no início do segundo tempo, em um pênalti sofrido por Marcelo Cirino, que Alecsandro converteu. Ambos os times até poderiam ter ampliado o placar, mas desperdiçaram várias chances. Mas, antes do apito final, o lance que realmente fez o clássico pegar fogo aconteceu em uma falta cometida por Paulinho, aos 35 minutos. Guiñazú e Anderson Pico se estranharam, e cada time acabou com dois expulsos.

A vitória do Flamengo encerrou a invencibilidade do Vasco no Carioca e, pelo menos nos clássicos, há muito equilíbrio entre os quatro grandes do Rio. Valeu pelo grande domingo de futebol no Maracanã, e por todos os detalhes que farão esse “Vasco x Flamengo do temporal” lembrado por muito tempo.