A receita é infalível: ressaca pós-Copa do Mundo, uma seleção brasileira desconectada com sua torcida, que atua em qualquer país menos no Brasil e adversários fracos. Coloca tudo no liquidificador, mexe por 270 minutos e temos três amistosos insossos e desinteressantes. Que a comissão técnica os tenha aproveitado para tirar conclusões para o desenvolvimento da equipe, porque, do ponto de vista de qualidade de jogo, emoção ou entretenimento, serviram para pouca coisa.

O último foi realizado nesta sexta-feira. Como diante dos Estados Unidos e de El Salvador, o Brasil fez um jogo morno na Arábia Saudita contra os donos da casa e venceu por 2 a 0, com o segundo gol aparecendo em um escanteio nos segundos finais. Serviu pelo menos para Gabriel Jesus quebrar seu jejum de gols pela Seleção: o atacante do Manchester City não anotava seu nome no placar desde antes da Copa do Mundo.

Mas foram apenas cinco jogos de seca e a Arábia Saudita, vazada cinco vezes pela Rússia na estreia do Mundial, é um adversário convidativo para um atacante com sede, então nem esse fato acaba sendo muito importante, embora os sauditas tenham conseguido impor dificuldades para o time de Tite. Tocaram bem a bola e não permitiram a criação de muitas oportunidades.

Mas também não ameaçaram Ederson porque, por mais dinheiro que o governo esteja derramando no futebol local, seus jogadores ainda são tecnicamente fracos. Neymar era quem mais buscava o jogo. Quase marcou, aos 11, pegando o rebote do próprio chute e ameaçou da entrada da área logo na sequência. O goleiro Al-Owais defendeu a cabeçada de Jesus, em falta cobrada pelo craque do Paris Saint-Germain, mas, aos 42, a arrancada característica de Neymar pelo centro do gramado terminou com a finalização de Jesus para o fundo das redes.

 

O segundo tempo manteve a temperatura morna da partida. E Neymar como principal articulador da seleção brasileira. Logo no começo da etapa, deu um belo passe para Lucas Moura. Cara a cara com o goleiro, o atacante do Tottenham parou nas pernas de Al-Owais.

Mais perto do apito final, um lance inusitado: o goleirão saiu da área e bloqueou o que seria o gol de Richarlison. A bola continuou rolando por um bom tempo, até o assistente de vídeo alertar o juizão, que checou a tela, expulsou Al-Owais e marcou a falta. Neymar cobrou na barreira. Na cobrança de escanteio, Walace quase marcou o segundo gol brasileiro. Em um novo canto, a segundos do fim, Neymar cruzou para Alex Sandro decretar o placar final.

A boa notícia: Neymar, solto pelo meio para armar, como tem atuado em algumas partidas do Paris saint-Germain, criou bastante. A má notícia: o adversário era fraco, então a boa notícia talvez não signifique muita coisa.


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