O Flamengo é o time do ano no Brasil, já com o título brasileiro muito próximo e a oportunidade de conquistar a tão esperada e desejada Libertadores no próximo sábado. Um dos grandes nomes do time é o seu camisa 9. Gabriel Barbosa, o Gabigol, confirma este ano o que mostrava quando surgiu no Santos e também deu amostrar em 2018, de volta ao Santos. Este nível de atuação não se viu na Europa, onde defendeu a Internazionale e o Benfica, em poucos jogos. Artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 22 gols, e da Libertadores, com 7 gols. Vivendo a sua melhor fase na carreira, o jogador comentou em entrevista ao AS sobre sua passagem pela Europa, o momento do Flamengo, Libertadores e também seleção brasileira.

Europa: “Me vejo como outro jogador: mais maduro, centrado e melhor técnica, tática e fisicamente”

Gabigol foi contratado pela Internazionale em 2016 por € 30 milhões. Chegou como campeão olímpico e havia muita expectativa sobre ele. No fim, foram apenas 10 jogos pelo clube italiano, um gol marcado e acabou não tendo muito espaço. O jogador evitou entrar em qualquer polêmica sobre o período nos nerazzurri, até porque é o clube que detém seus direitos e com quem tem contrato até 2022.

“Aprendi muito quando estive na Itália, ainda que tenha tido poucas chances. Cheguei muito motivado para mostrar meu melhor futebol, me esforçava sempre nos treinamentos, tratando de entender a filosofia de cada treinador em um ambiente novo para mim. Talvez com continuidade o resultado poderia ser outros. Sempre respeitei suas decisões, ainda que sabia que poderia ter jogado com mais frequência”.

Sem espaço na Inter, acabou emprestado ao Benfica em agosto de 2017, um ano depois da sua chegada à Itália e de poucos jogos disputados. O empréstimo no Benfica não foi muito bem-sucedido. Foram apenas cinco jogos e um gol. “Nunca baixei a cabeça. Sei do meu potencial e tinha que seguir trabalhando para que chegassem mais oportunidades. De fato, meu tempo em Portugal foi muito rápido, mas me fez perceber que precisava sorrir de novo, fazer o que mais gostava e sempre com a cabeça erguida. Eu nunca desmoronei”, declarou o jogador.

“Hoje, alguns anos mais velhos, me sinto mais maduro, mais preparado. Claro, naquela época eu era mais jovem e é normal que um garoto demore mais para assimilar uma nova cultura e métodos de trabalho diferentes. Tive duas grandes temporadas no Brasil e agora me vejo como outro jogador: mais maduro, centrado e melhor técnica, tática e fisicamente”, disse o jogador.

Brasileirão: “É um dos mais disputados do mundo”

“O Brasileirão é um dos mais disputados do mundo. Ser o artilheiro ano passado foi muito importante na minha carreira e espero repetir este ano. É o resultado do trabalho duro e ajuda a mostrar a minha evolução. Me sinto preparado para fazer gols no Brasil, Inglaterra, Alemanha, Espanha… Onde for”.

La Liga: “É um estilo de futebol que eu gosto”

“La Liga é um grande campeonato, muito famoso no Brasil desde sempre, e inclusive vejo quando posso. Tem grandes jogadores, provavelmente os melhores do mundo, e equipes de potencial mundial como Barça, Real Madrid, Atlético, Sevilla, Valencia… É um estilo de futebol que eu gosto por ser muito rápido, dinâmico e de alto nível técnico.

Flamengo: “Torcedores esperaram 38 anos para viver esta final”

“É um momento muito especial para o Flamengo, então imagine para os torcedores, que esperaram 38 anos, desde o título de 1981, para viver esta final. Temos que oferecer a nossa melhor versão como grupo. É algo mágico, a torcida está muito entusiasmada. O River tem uma grande equipe, é o atual campeão e será um rival muito duro, mas temos jogadores de muita qualidade e entramos 100%”.

River Plate: “Sabem enfrentar momentos decisivos”

“É uma equipe muito experiente e que ganhou títulos continentais nos últimos anos. Jogam juntos durante muito tempo e sabe como enfrentar momentos decisivos. Sabemos que sempre é difícil jogar contra rivais argentinos em eliminatórias e, especialmente, em finais, mas mostraremos nossa habilidade e melhoraremos nosso estilo com toque rápido e velocidade na circulação. Será uma partida para a história. Queremos a Copa! São 40 milhões de torcedores preparados para comemorar”.

Jorge Jesus: “É o melhor treinador com quem trabalhei”

“É um excelente técnico, tem me ajudado muito. Eu melhorei como jogador e também como pessoa com ele. Minha participação é um jogo de equipe, a leitura tática, a melhora física, a parte técnica… É o melhor treinador com quem eu trabalhei e ganhou o grupo. Compramos a sua ideia desde o começo, e está fazendo um trabalho exemplar”.

Seleção brasileira: “Seleção é sempre um sonho”

“A Seleção é sempre um sonho. Tive a oportunidade de voltar este ano e é sempre um privilégio servir ao meu país. A Copa América é um objetivo, mas prefiro manter os pés no chão com o trabalho diário, porque sei que tudo será o resultado do que eu consiga no meu clube. Sempre estarei preparado para representar o Brasil em qualquer competição”.

“Tite está chamando muitos jogadores que estão no Brasil, sem precisar ir para muito mais longe. Isso mostra que ele está acompanhando o futebol brasileiro, que tem ótimos jogadores e times”, afirmou ainda o atacante.

“Na data Fifa de outubro tivemos a oportunidade de trabalhar juntos e sempre é um prazer aprender com o professor Tite. É um especialista em grupos, sabe como motivar aos jogadores e nos ajuda muito taticamente, inclusive com o que temos de melhorar em nossos clubes. Ë um grande treinador e seu círculo é uma prova claro disso”.

Para onde vai Gabigol?

Gabriel é sem dúvida um dos melhores finalizadores do Brasil, provavelmente até o melhor, se formos falar apenas deste aspecto. É um jogador bastante diferente de Roberto Firmino e também de Gabriel Jesus, que tem atuado na ponta direita. Não é um centroavante de referência, mas é um jogador que tem mostrado uma capacidade que não pode deixar de ser vista pelo técnico da seleção brasileira.

Em uma situação comum, como será na próxima Data Fifa, em março, no início das Eliminatórias da Copa, Gabigol tem espaço sim no grupo da Seleção. E merece minutos em campo. Cabe a Tite conseguir fazer o jogador render. Qualidade está claro que ele tem.

Resta saber se em março Gabigol ainda estará no Flamengo, com quem tem contrato apenas até dezembro, emprestado pela Inter. O clube italiano não quer aproveitar o jogador de volta, então é provável que aconteça um novo negócio com o brasileiro. A melhor opção, para ele, parece ser continuar no rubro-negro, onde se tornou um dos melhores do país.

Para se transferir para a Europa em janeiro, seria preciso aparecer um clube disposto a pagar algo em torno de € 25 milhões por ele. Ou, caso a Inter aceite emprestá-lo, que ele vá por seis meses, até maio, para outro clube e ele consiga provar o seu valor, o que seria um risco, tanto para ele quanto para a Inter. Ele poderia ser emprestado a um clube, mostrar o seu valor e ser vendido ainda mais valorizado. Mas pode também não render como o esperado e acabar novamente com menos mercado.