Os técnicos chegaram e os técnicos passaram pela Internazionale, desde que Gabriel Barbosa foi contratado do Santos, e a única coisa que não mudou é que nenhum deu oportunidades suficientes para o brasileiro mostrar o seu futebol em solo italiano. Teve apenas dez jogos, um total de 183 minutos, ou duas partidas inteiras, e já começou a nova temporada no banco de reservas, sem entrar em nenhuma das duas primeiras rodadas do Campeonato Italiano. Nessas situações, o empréstimo é mais que um mecanismo comum: é necessário.

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Gabigol ainda tem 21 anos. Já é campeão olímpico, protagoniza boas memórias na lembrança dos torcedores santistas e possui o potencial de ser um grande jogador. As coisas, porém, não começaram bem na Europa. É verdade que teve pouquíssimas chances para se firmar, ganhar sequência e ritmo de jogo, mas também é que a Internazionale passou por momentos terríveis na última temporada e nenhum técnico, nem De Boer, nem Pioli, seria louco de não utilizá-lo caso ele estivesse voando nos treinamentos ou passasse confiança.

O jovem brasileiro deixou uma impressão muito ruim na Itália, mas, emprestado ao Benfica, encontra uma plataforma perfeita para relançar a sua carreira europeia. Continua em um clube grande, acostumado a desenvolver jovens e a dar chances a brasileiros, com conterrâneos no elenco e em uma liga de nível técnico inferior à italiana. Além disso, chegou a um notório pit stop do futebol europeu e, se brilhar, pode chamar a atenção de centros maiores e aumentar o seu leque de opções, se as coisas persistirem a dar errado na Internazionale.

Um bom exemplo é o seu possível companheiro de ataque. Três anos atrás, Jonas trocou o Valencia pelo Benfica. O brasileiro não deixou a Espanha exatamente em baixa, teve uma boa passagem pelo Mestalla, mas não chamava muito a atenção. Foi com a camisa dos Encarnados, que ganhou mais prestígio no futebol europeu, com três temporadas seguidas de muitos gols. Até voltou à seleção brasileira.

Não será automática a entrada de Gabigol no time do Benfica. A equipe tem uma dupla de ataque consolidada com Jonas e Seferovic. Na reserva, ainda há Raúl Jiménez, contratado por € 22 milhões dois anos atrás, o reforço mais caro da história dos Encarnados, que geralmente não gastam muito no mercado. A maior prova da confiança que os portugueses depositam em Gabigol é terem permitido a saída de Mitroglou para o Olympique Marseille, depois de 52 gols do grego em 88 partidas.

Na prática, o Benfica trocou um artilheiro comprovado com a sua camisa, embora não tão bom tecnicamente, por uma promessa com muito potencial. Gabigol tem todos os predicados para fazer sucesso na Europa, se tiver a cabeça no lugar e um pouco de paciência. Ir para Portugal foi a decisão correta para recomeçar a sua carreira europeia. Daqui para frente, tudo depende do que fizer com a bola nos pés.