Uma vitória, um empate e uma derrota, e nenhuma surpresa O início dos times alemães na Liga dos Campeões parece bem emblemático. Mostra mais ou menos do que cada time é capaz e, mais do que isso, deixa claro que competições europeias precisam de um pouco mais do que um jogo intenso e atraente, como o que é praticado na Bundesliga, cheio de gols. Precisam é de alguém que decida a parada, que bote o jogo no bolso. Para isso, é necessário experiência, e só o Bayern Munique a tem no momento.

Não à toa, os bávaros foram os únicos a vencer, apresentando um excelente futebol. Jogando na Espanha contra um perigoso Villarreal, não tiveram muitas dificuldades para controlar a partida em momento algum. Foram ameaçados em alguns lances, é verdade, mas Manuel Neuer, que arrebentou na Liga dos Campeões passada pelo Schalke 04, fez duas boas defesas no primeiro tempo e já mostrou que vai ser mais difícil fazer gols ali do que em 2010/11. A solidez defensiva da equipe com Boateng e Badstuber na zaga surpreende, mas não é a chave para a mudança.

O segredo parece ser o trabalho com posse de bola que Jupp Heynckes tem feito. Se com Louis van Gaal o time era muito mais objetivo, vertical, o novo comandante gosta de um time que toque mais a bola e busque o ataque apenas no momento certo. Os resultados já começam a aparecer e quem mais se beneficia disso é Toni Kroos. Centralizado, o meia faz um início de temporada fantástico, foi o autor do primeiro gol e deu o passe para o segundo contra o Villarreal, marcado por Rafinha. Frank Ribéry, autor da assistência para o gol de Kroos, também está em ótima fase.

Após o jogo, o sentimento geral era de alegria. Ficou a sensação de que, se forçassem um pouco mais, os bávaros poderiam ter vencido por 4, ou 5 a 0 e na Alemanha já se fala que essa equipe poderá ser melhor sem Arjen Robben, que, mais uma vez lesionado, não jogou. O argumento é de que o time joga de maneira mais coletiva quando ele não está em campo. Raciocínio embebedado pela euforia e oportunista, pois no primeiro aperto, vão jogar a bola no holandês e esperar que ele resolva, como tem feito nos últimos anos.

A nota triste do jogo fica por conta das contusões de Mario Gómez e Daniel Van Buyten. O primeiro foi substituído no intervalo, enquanto o segundo saiu ainda na etapa inicial, dando lugar a Rafinha, com Boateng, que começou como lateral esquerdo, indo para a zaga. Tudo bem que o elenco do Bayern Munique é bom e pode suprir essa carência, mas esse tipo de contusão é capaz de atrapalhar qualquer trabalho, sobretudo com Gómez, artilheiro da Bundesliga com oito gols.

O Borussia Dortmund, por sua vez, não pode reclamar da sorte após o empate por 1 a 1 contra o Arsenal. Perdeu um caminhão de gols no início da partida e numa falha de Sebastian Kehl (sem ritmo, mas que inexplicavelmente virou titular do time com a saída de Ilkay Gündogan para a partida), os ingleses saíram na frente no fim da primeira etapa. No segundo tempo, os pretos-amarelos até tentaram atacar, mas esbarraram no bom bloqueio defensivo do time adversário e pouco ameaçavam efetivamente.

Quando tudo apontava para mais uma derrota em casa, eis que Ivan Perisic acerta um chute iluminado. Em uma sobra de bola, o meia, que é destro, mandou um sem pulo de pé esquerdo e a bola foi na junção entre o travessão e a trave. Sem a mínima chance de defesa para Wojciech Szcz?sny, que ficou apenas observando o lance, atônito. Após o jogo, o assistente-técnico do Arsenal, Pat Rice, chegou a afirmar que “se ele tentar fazer isso 50 vezes, só vai acertar uma”. Parece ter total razão.

O empate, porém, faz com que o mal momento do time perdure mais um pouco, pois, somando com a Bundesliga, já são três jogos sem vitórias. Dado preocupante, se considerarmos que a equipe atropelou todo mundo que encontrou em 2010/11 no cenário doméstico, mas não passou da fase de grupos da Liga Europa. Está mais do que na hora de Mario Götze, Shinji Kagawa e companhia tirarem as fraldas para fazer com que o time volte a ser grande em nível continental.

Se o Borussia Dortmund mostra que ainda precisa crescer, mas tem talento para isso, o caso do Bayer Leverkusen é um pouco mais sério. O time simplesmente foi dominado pelo Chelsea durante o jogo todo na Inglaterra e não deu sinais em nenhum momento de que queria vencer a partida. Tudo bem que os Blues são tecnicamente superiores, mas o apequenamento em excesso foi completamente desnecessário, e a atuação foi, de fato, lamentável.

Os Aspirinas só não levaram um saldo de gols pior na bagagem porque o jovem goleiro Bernd Leno mostrou mais uma vez do que é capaz e parou o ataque inglês na maioria das oportunidades, sendo apontado como o melhor jogador em campo por muitos analistas e mostrando mais uma vez que Rene Adler terá muito trabalho para recuperar a posição quando voltar à ativa.

Por fim, vale dizer que, ao mesmo tempo em que foi apenas o começo, o desempenho dos times alemães soou também como um prenúncio do que poderá acontecer com eles nas próximas rodadas. As três equipes têm totais condições de passar de fase, mas só o Bayern Munique pode realmente chegar longe, a não ser que algo  de  muito anormal aconteça, como sucedeu com o Schalke 04 na temporada passada.

O fim de uma invencibilidade

O Borussia Dortmund definitivamente não vive o mesmo momento da temporada passada, e foi derrotado em casa pelo Hertha Berlim no último sábado, por 2 a 1. O time, que chegou a ter 80% de posse de bola na partida, perdeu quatro oportunidades claras de gol no primeiro tempo, tomou um gol de contra-ataque puxado pelo brasileiro Raffael no início do segundo e desmoronou. O Hertha fez mais um gol e botou duas bola na trave, novamente com Raffael, e os pretos-amarelos só diminuíram no fim, com Robert Lewandowski.

Os comandados de Jürgen Klopp sentiram a falta de Mario Götze, suspenso, e Lucas Barrios, contundido. Shinji Kagawa está longe, muito longe de ser o mesmo da temporada passada, e Klopp errou a mão ao substituir Ilkay Gündogan por Antônio da Silva no intervalo, comprometendo a estabilidade no meio-campo tanto ofensivamente quanto defensivamente. Demorou para tirar Blaszczykowski de campo e quando Perisic entrou, novamente bem, já era tarde.

Quem nada de braçada é o Bayern Munique, que meteu 7 a 0 no Freiburg  sem sujar a camisa, com show de Frank Ribéry e Mario Gómez, e já soma 12 pontos na competição. O único time que o acompanha é o Werder Bremen, que bateu o cambaleante Hamburg por 2 a 0 com dois gols do interminável e eficiente Claudio Pizarro. O Borussia Mönchengladbach e o Bayer Leverkusen estão logo atrás, com dez pontos.