Futebol feminino

Marta, Prinz, Hamm: as 11 maiores jogadoras do futebol olímpico

O futebol feminino só foi introduzido nos Jogos Olímpicos em 1996. Naquela altura, o futebol praticado por homens já havia marcado presença em 20 edições das Olimpíadas da era moderna. De lá para cá, foram cinco disputas pela medalha de ouro. Quatro delas foram ganhas pelos Estados Unidos. É inegável a supremacia das americanas na modalidade. Mas a Noruega está aí para provar que não é inatacável. E o Brasil também esteve muito perto de tirar essa prova duas vezes. Ainda que a predominância tenha sido das estadunidenses ao longo dessas duas décadas, não foram só elas que se destacaram nos jogos. Cristiane que o diga. E é das dez maiores jogadoras do futebol olímpico que iremos falar.

Guia do futebol nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Comecemos pelas mais velhas. Por aquela que poderia ter pendurado as chuteiras há algum tempo, mas não o fez. Não teria motivo para tal. Não faria sentido. Formiga tem 38 anos e joga como se fosse uma adolescente. Corre com o pique de uma garota que acabou de ser convocada pela primeira vez e precisasse ganhar moral com o treinador. É incrível como ela se doa durante os 90, ou mais, minutos em campo. E isso desde que a modalidade começou a marcar presença nos Jogos Olímpicos, já que ela participou de todas. Formiga é sinônimo de regularidade, consistência e entrega. É boa tanto armando quanto desarmando. A camisa 8 da seleção brasileira nunca mais cairá tão perfeitamente em alguém como nela.

Nas Olimpíadas de Atlanta, a primeira em que as mulheres puderam, enfim, jogar futebol, um dos destaques da equipe anfitriã (e campeã) foi Mia Hamm. Aliás, não só daquela edição dos jogos. Hamm foi destaque de toda uma geração. Era uma das, senão a melhor jogadora de sua época. A princípio, a americana costumava atuar no ataque. Mas seu destaque se deu justamente por não se prender a uma única função em campo. Era tão habilidosa e versátil que também jogava muito bem no meio-campo. Mia faturou junto com sua equipe o ouro em 1996 e em 2004, e a prata em 2000. Mas quase que uma chinesa não deixou que a primeira medalha fosse de Hamm.

Seu nome é Sun Wen. E ela foi, além de artilheira da primeira edição, autora do gol que a China fez sobre os Estados Unidos na final. O gol de empate, aos 30 minutos do primeiro tempo. Um golaço de falta. Tudo bem que Tiffeny Milbrett acabou com a festa que as chinesas pretendiam fazer na casa alheia faltando 20 minutos para o fim da partida. No entanto, Sun Wen foi espetacular ao longo daqueles jogos. Ao longo da era de ouro do futebol feminino na China. O time precisava de um gol? Ela dava conta do recado. Era uma jogadora com um poder de decisão fora do comum. Foram 106 tentos em 152 confrontos com a camisa da China. Mas, para sua infelicidade, seu sucesso individual nunca foi capaz de conseguir um ouro para seu país ou uma taça da Copa do Mundo.

RIISES, WEBBER

Porém, Hege Riise conseguiu. Não sozinha, logicamente. Mas foi o motor do time da Noruega que bateu as americanas em 2000 e chegou ao lugar mais alto do pódio depois de um jogaço em que as norueguesas saíram vitoriosas por um placar de 3 a 2. Apesar de ter ficado com o bronze nas Olimpíadas de 1996, Riise foi determinada e conseguiu o ouro na edição seguinte. A meio-campista começou a jogar futebol aos seis anos em um time só de garotos. Aos 14, se juntou a um time feminino. Não muito tempo depois, já era um dos maiores nomes do cenário do futebol em seu país. O maior em sua modalidade, sem sombra de dúvidas. Quando se aposentou do futebol em 2004, tinha 58 gols somados em 188 jogos. Número muito bom levando em consideração sua posição.

Não dá para falar de futebol feminino sem falar de Abby Wambach. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Wambach foi o verdadeiro algoz do Brasil. Isso porque a ex-jogadora foi a responsável pelo gol na prorrogação que acabou com o sonho do ouro das brasileiras. Abby se aposentou ano passado, depois que os Estados Unidos venceram o Japão na final da Copa do Mundo, com 184 gols e 75 assistências na conta. Em 255 jogos. Antes de pendurar as chuteiras, Wambach foi perfeita para o time no extra-campo. Uma capitã exemplar, daquelas que fazem tudo que se espera de uma jogadora que carrega a braçadeira: era líder, porta-voz e mediadora de situações.

Falando na Olimpíada realizada na Grécia, não tem como deixar de mencionar a maior atleta da modalidade de todos os tempos: Marta. O mundo perdeu as contas de quantas vezes ela deixou uma defensora a ver navios com seus dribles incríveis (para quem estava torcendo pelo Brasil, claro). Embora a brasileira não tenha faturado, ainda, nenhum ouro, ganhou a prata em 2004 e 2008. A esperança é que Marta consiga a tão esperada medalha este ano, já que suas habilidades soam inesgotáveis e parecem que se triplicam a cada torneio. E isso aos 30 anos de idade. Mas com o mesmo pique e visão de jogo de sempre.

Outra atacante que esteve na Grécia em 2004 foi Birgit Prinz, da Alemanha. E sua passagem pelo país que sediou as Olimpíadas de 2004 foi das melhores. Quer dizer, para ela, sim. Apesar das alemãs terem ficado com o bronze pela segunda edição consecutiva, Prinz terminou os jogos no topo da artilharia, com cinco gols. Mas talvez sua Olimpíada mais expressiva tenha sido a de 2000, em Sydney. Depois de perder para a Noruega (que ficou com o ouro), a Alemanha passou por cima do Brasil e ficou com o terceiro lugar. Ao todo, naquela competição, a atacante marcou 3 gols e deu 5 assistências. Balançou as redes menos vezes do que em 2004, mas foi quatro anos antes que ela quase foi a primeira mulher a marcar um hat-trick nas Olimpíadas.

Birgit Prinz

Se Maren Meinert não tivesse sido fominha em um lance que Prinz estava na cara do gol, ela teria conseguido o feito inédito de marcar três gols em uma única partida. Oito anos depois, a canadense Christine Sinclair conseguiu. Sinclair foi a protagonista de um dos melhores jogos de futebol feminino da década. Era semifinal dos Jogos Olímpicos de 2012 e a atacante e suas companheiras iriam enfrentar o pior pesadelo de qualquer seleção: os Estados Unidos. Mas isso não intimidou a camisa 12, que foi incrível ao longo da partida e marcou os três gols do Canadá na vitória americana por 4 a 3. Aos 33 anos, Christine faz mais uma participação nas Olimpíadas, este ano. Pode ser a última de sua carreira. Portanto, a jogadora não economizará energia.

Sinclair pode ter sido protagonista na semifinal, mas na final dos Jogos Olímpicos de Londres quem roubou a cena foi Carli Lloyd. A meia-atacante americana marcou os dois gols contra o Japão que consagraram os Estados Unidos campeões no futebol feminino pela quarta vez. Inclusive, além de Wambach, ela também foi o carrasco da seleção brasileira em algum momento. Isso porque foi Lloyd quem anotou o único tento em cima do Brasil na final das Olimpíadas de 2008. Mais uma que fez o sonho brasileiro de conquistar o ouro ir por água abaixo. A número 10 é, hoje, a melhor jogadora estadunidense. Seus números nos últimos 30 jogos que atuou são fantástico e Lloyd foi a jogadora mais decisiva nas últimas três principais grandes competições que os Estados Unidos participou (tirando os jogos deste ano).

Por último, mas longe, mas muito longe de ser menos importante, falemos sobre Cristiane. A dona da camisa 11 canarinho é o grande nome do futebol feminino nas Olimpíadas. É a maior artilheira de todas as edições dos jogos. E antes mesmo de atingir essa marca, a atacante já tinha feito história no livro olímpico dos recordes, já que foi a jogadora que marcou o maior número de gols em Atenas, em 2004, e em Pequim, em 2008. Foram cinco gols em cada uma das edições. Além de suas medalhas de prata. Cristiane tem 31 anos e disputa a Olimpíada do Rio como se fosse a primeira de sua carreira. Quer dizer, disputava até se lesionar no jogo contra a Suécia, pela fase de grupos. Mas se tudo der certo, a brasileira voltará aos gramados para jogar mais uma semifinal. E, quem sabe, aumentar a vantagem como maior goleadora da modalidade nos Jogos Olímpicos.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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