Futebol feminino

Diante de 30 mil na Arena, Corinthians marca no apagar das luzes para conquistar o Paulistão e completar a tríplice coroa

Duelo com o São Paulo ia para os pênaltis, até que um gol de Adriana no final decretou o tricampeonato estadual do Corinthians

O clima de decisão era evidente em Itaquera, onde 30 mil torcedores encheram as arquibancadas da NeoQuímica Arena para ver a finalíssima do Campeonato Paulista Feminino. E o clássico entre Corinthians x São Paulo corresponderia às expectativas, com um resultado para ficar gravado. Com um gol aos 46 do segundo tempo, as alvinegras buscaram a vitória por 3 a 1, cabal para evitar os pênaltis e definir o título – depois da derrota por 1 a 0 para as tricolores na ida. Desta maneira, as corintianas estabelecem uma inédita tríplice coroa no futebol feminino do Brasil. Após os feitos no Brasileirão e na Libertadores, o Paulistão completa o ano espetacular das Brabas, premiando um grande trabalho e um elenco fortíssimo.

O favoritismo na decisão era do Corinthians, diante dos troféus recentes no Brasileiro e na Libertadores. O São Paulo, ainda assim, parecia disposto a aprontar quando ganhou por 1 a 0 no Morumbi. Com isso, as são-paulinas tinham a vantagem do empate em Itaquera, enquanto um triunfo corintiano por um gol de diferença forçaria os pênaltis. Para a reviravolta, a torcida alvinegra abarrotou a NeoQuímica Arena e registrou o novo recorde do estádio para um jogo de futebol feminino.

O Corinthians não demorou a retribuir o apoio da torcida, com o primeiro gol da noite. Num início de jogo em que a equipe já dominava, as redes balançaram aos 25 minutos. Gabi Portilho deu um lindo passe para a meia-lua, onde Gabi Zanotti bateu com muita categoria na bola. O chute de primeira pegou um efeito e entrou no canto da meta defendida por Carla. E nem demorou para que as alvinegras ampliassem. Aos 34, o ataque foi construído com uma troca de passes envolvente. Vic Albuquerque abriu com Tamires na esquerda, que cruzou de primeira. A bola rasteira chegou na risca da pequena área, onde Gabi Zanotti chegou rasgando de carrinho para as redes.

Neste momento, o título ia ficando com o Corinthians e as anfitriãs queriam mais. Diany mandou dois chutes venenosos de longe, um deles no travessão. Entretanto, em meio à pressão, o São Paulo voltou ao jogo quando descontou nos acréscimos. Numa saída de bola errada da goleira Natascha, Naná interceptou na entrada da área e ficou com o caminho aberto para marcar. As tricolores saíam no lucro, pela maneira como a primeira etapa se desenhou em Itaquera.

O segundo tempo voltou mais travado, ainda que o Corinthians permanecesse com a iniciativa. O São Paulo, ainda assim, quase arranjou o empate aos 30, num escanteio fechado que Gláucia desviou contra o travessão. As são-paulinas ensaiavam uma pressão e aproveitavam erros na saída de bola adversária, mas as corintianas retomaram as rédeas na reta final, até que o gol do título surgisse pouco depois do relógio passar dos 45. As alvinegras trocaram passes em velocidade, para Adriana aparecer na entrada da área e chapar o arremate colocado no canto, sem que Carla alcançasse. A explosão em Itaquera era enorme. Não seriam necessários os pênaltis: o gol tardio já garantia a emoção pela taça.

O Corinthians leva seu terceiro título no Campeonato Paulista, todos emendados desde 2019. As alvinegras registram um tricampeonato que não acontecia desde os anos 1980 no torneio. E o gosto maior é pela tríplice coroa, com os dois títulos nacionais faturados sobre os maiores rivais, além da Libertadores em Montevidéu. Qualidade não falta ao timaço dirigido por Arthur Elias, com várias jogadoras de seleção. Tal dinastia estabelecida em 2021 recontará por muito tempo essa força, e com 30 mil testemunhas para se recordarem de tamanha glória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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