Potência em 2020, futebol feminino do Corinthians começou com um time de modelos em 1997

O time-base que deu origem a equipe de futebol feminino do Corinthians nasceu de uma agência de modelos

Por Cecília Quevedo (@CeciliaQuevedo_), do JogaMiga (@JogaMiga)

Neste dia 1º de setembro de 2020, o Sport Club Corinthians Paulista completou 110 anos de história. Um grupo de operários fundou o clube que viria a ser bicampeão mundial e sete vezes campeão brasileiro. Hoje, porém, não vamos falar sobre o futebol masculino, que fez o seu primeiro jogo no dia 10 de setembro de 1910. A história é sobre o futebol feminino alvinegro e como ele surgiu.

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A história da equipe feminina do timão é também vitoriosa: são duas Libertadores e um Brasileiro. É, porém, bem mais recente: tudo começou em 1994 de forma bastante inusitada. A base da primeira equipe feminina do Corinthians foi formada por modelos. Não modelos para o esporte ou atletas-modelo, as primeiras jogadoras do Corinthians foram literalmente 10 modelos fotográficas.

Time de modelos

Simone Lindaura, Fernanda Paterno, Cecília Danielle, Mariana Ares, Fernanda Ferreira e a já conhecida do público Milene Domingues foram as modelos da agência Flash Book escolhidas para representar o alvinegro.

A ideia foi de montar o time de modelos veio do presidente da clube, Alberto Dualib. Milene Domingues, que em 1997 entrou para o livro dos Recordes após fazer 55.198 embaixadinhas sem deixar a bola cair, costumava fazer exibições das famosas embaixadas antes dos jogos do Corinthians. Assistindo à menina de apenas 15 anos encantar o estádio, o presidente decidiu criar uma equipe feminina.

Milene ajudou a montar a equipe, convidando suas colegas do time de futebol de salão da Flash Book para fazer parte do Corinthians ainda de forma amadora. Neste primeiro momento as jogadoras, todas menores de idade, disputavam apenas amistosos e não recebiam salários. Os treinos também não eram regulares: treinavam uma vez por semana, durante não mais que duas horas.

Montar um time de futebol com modelos sem experiência no esporte profissional pode parecer uma ideia bastante machista e absurda, mas no fim dos anos 90/início dos anos 2000, Dualib não era o único a pensar que beleza e feminilidade eram elementos importantes para o futebol de mulheres.

Em 2001, a Federação Paulista de Futebol publicou o regulamento do Campeonato Paulista com algumas regras peculiares. A Federação proibia jogadoras de cabelos raspados e colocava o embelezamento das atletas como um dos objetivos principais para o sucesso do torneio. Isso sob o argumento de que o futebol de mulheres só seria um bom espetáculo para o público se as jogadoras fossem bonitas e femininas.

Mesmo se enquadrando nos “padrões” da época, a equipe feminina do Corinthians não recebia muito investimento, mesmo quando passou a disputar competições estaduais e nacionais. Após um período de instabilidade, o clube encerrou as atividades de futebol feminino em 2008.

Segunda Fase

Em 2016, o Corinthians feminino voltou em parceria com o Audax, vencendo naquele ano mesmo sua primeira Copa do Brasil. Em 2017, o Timão encerra a parceria e avança no projeto do futebol de mulheres. Além de novos nomes na equipe e na diretoria, o Corinthians traz de volta um importante nome de sua primeira fase: agora ex-jogadora Milene Domingues retorna ao clube como embaixadora do futebol feminino.

De lá para cá, vitórias e mais vitórias: um Brasileiro, duas Libertadores e um Campeonato Paulista. Mais do que isso, ainda estabeleceu um recorde de jogos invicto: foram 48 duelos que a equipe do técnico Arthur Elias passou sem perder para ninguém. O Corinthians ainda estabeleceu um recorde mundial de vitórias consecutivas: foram 34 em 2019. Um feito registrado no livro de recordes do Guiness.

A seleção convocada por Pia Sundhage para treinamentos, que inclui apenas jogadoras que atuam no Brasil, comprova a força do elenco das alvinegras: são sete jogadoras chamadas, sendo que algumas delas são frequentes mesmo quando a treinadora pode convocar as atletas que atuam no exterior.

Passados 23 anos da estreia do futebol feminino do clube como um time de modelos, o Corinthians se tornou uma das principais potências do futebol feminino no Brasil e na América do Sul. Ocupa o segundo lugar do Campeonato Brasileiro em 2020 e vai atrás de mais uma vitória contra o Cruzeiro no dia 7 de setembro às 19 horas. Em 2019, o título escapou nos pênaltis para a forte Ferroviária. As alvinegras estão novamente entre as favoritas para levantar a taça pela segunda vez — a primeira foi em 2018.