Não foram só 11 que entraram em campo pelo Atlético Paranaense nesta quarta-feira de Libertadores. Não é possível que tenham sido só 11. O Furacão atravessou 90 minutos sufocantes no Paraguai. Depois do péssimo empate por 3 a 3 na Arena da Baixada, precisava de qualquer jeito da vitória. Arrancou um gol durante os primeiros minutos. E se defendeu bravamente diante da pressão do Deportivo Capiatá. Não com 11, mas com milhares de rubro-negros que, se não estavam de corpo presente no Estádio Erico Galeano Segovia, estiveram em alma e coração. A agonia do primeiro tempo se abrandou um pouco no segundo, mas não significou necessariamente um alívio. Este só aconteceu mesmo ao apito final, depois de cinco minutos infinitos de acréscimos. O triunfo por 1 a 0 colocou os atleticanos na fase de grupos da Libertadores, alegria em meio a tantas controvérsias vividas na Baixada nesta semana.

Durante os últimos dias, nem pareceu que o Atlético enfrentaria uma decisão na Libertadores. YouTube, autoritarismo da federação, grama sintética… Eram tantos assuntos que o Deportivo Capiatá mal aparecia na agenda dos rubro-negros. E aí é que se concentra o primeiro mérito do time de Paulo Autuori, ao focar no compromisso e demonstrar sua postura em busca dos objetivos desde os primeiros minutos.

Se as bolas paradas representaram um pesadelo no jogo de ida, desta vez elas concretizaram o sonho aos 11 minutos, diante do domínio do Atlético durante o início do duelo. A partir de uma cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, Paulo André desviou dentro da área e Lucho González apareceu no segundo pau para completar. Justo ele, que vinha sendo bastante criticado em suas aparições pelo novo time. Voltou a balançar as redes pela Libertadores após 12 anos. E o tento do argentino foi fundamental para garantir uma tranquilidade um pouco maior ao Furacão, perante a necessidade que tinha de balançar as redes a qualquer custo.

A confiança, porém, não significou que o Atlético pudesse relaxar. Muito pelo contrário, a partir de então o Deportivo Capiatá iniciou um bombardeio. Assim como acontecera na Arena da Baixada, o jogo aéreo servia de aposta clara aos paraguaios. Os rubro-negros se defendiam, mas também cometiam muitas faltas no entorno da área, o que fazia o alarme soar constantemente. Além disso, foram várias as bolas perigosas que cruzaram a meta de Weverton, seja seguindo à linha de fundo ou passando sem que ninguém completasse. O jeito aos paranaenses era se empenhar para afastar as investidas e segurar o empate. E, a partir dos 37 minutos, sem contar com o homem de referencia, quando Grafite sofreu contusão e precisou ser substituído pelo jovem Luis Henrique.

O ritmo de jogo continuou pendendo para um lado no início do segundo tempo. Logo nos primeiros instantes, Weverton precisou realizar a primeira grande defesa, embora o impedimento tenha sido assinalado logo em seguida. O Capiatá insistia, mas sem repertório. Já o Atlético começou a demonstrar que não precisava só se defender. Lucho González, em ótima partida na proteção, ameaçou em chute prensado aos 10. Os rubro-negros conseguiam sair um pouco mais ao ataque. E melhoraram, especialmente após as entradas de Wanderson e Felipe Gedoz

A partir dos 25 minutos, as chances mais claras eram do próprio Furacão, nos contragolpes. Os paranaenses se seguravam bem, especialmente pelo alto, e tinham mais perna para atacar em velocidade, vez por outra encontrando a defesa paraguaia desmontada. Faltava um pouco mais de capricho na finalização. Luis Henrique perdeu bola que poderia ser decisiva, enquanto Nikão demorou demais para arrematar em outro lance. Depois, ainda houve um chute cruzado de Gedoz, de fora da área, que passou rente à trave. Os atleticanos perdiam oportunidades de matar o confronto. Por isso mesmo, penaram no final.

O Capiatá partiu para o tudo ou nada nos minutos de acréscimos. Era fazer um gol ou ver seu sonho de Libertadores se encerrar ali. O jogo aéreo se mantinha como aposta. Mas, nas duas melhores chances, o assistente marcou impedimento, em bolas que mesmo assim não entraram. O Atlético se mantinha soberano, apesar de alguns vacilos. Ao final, o grito pôde sair da garganta. A agonia que se estendeu por uma semana estava dizimada. Os rubro-negros se confirmaram na fase de grupos da Libertadores.

O desafio do Atlético Paranaense a partir de agora aumenta. Sua chave na competição continental guarda Flamengo, San Lorenzo e Universidad Católica. Um passo de cada vez. O Furacão cumpriu o objetivo na fase preliminar, mesmo que tenha sofrido em demasia. Mas, afinal, sem sofrimento não é Libertadores. E, na próxima etapa, é vida nova aos rubro-negros. Sem mais o peso nas costas que carregaram nos últimos quatro jogos.