O Wolverhampton iniciou a temporada de maneira claudicante na Premier League. Os maus resultados e a presença na zona de rebaixamento serviam de indício a um futebol longe de apresentar a mesma eficiência da campanha passada. Os Lobos voltaram a crescer nas últimas semanas e vinham de duas vitórias consecutivas, uma delas pela Liga Europa. Mas nada melhor para renovar as energias do que derrotar o Manchester City dentro do Estádio Etihad, com uma atuação memorável da equipe de Nuno Espírito Santo. Os visitantes seguiram sua cartilha à perfeição, com uma marcação forte e contra-ataques fulminantes. Conquistaram a vitória por 2 a 0, que poderia ter acontecido até antes.

O mérito do Wolverhampton, de certa maneira, também corresponde ao demérito do Manchester City. E desde o primeiro tempo a equipe de Pep Guardiola já vivia uma partida abaixo da crítica diante de sua torcida. Os celestes rodavam a bola no ataque, mas pouco faziam para romper a sólida marcação dos Lobos. Além disso, sofriam com os contragolpes dos adversários, que poderiam ter garantido a vitória parcial precocemente.

Foram três lances claros durante a primeira meia hora. Patrick Cutrone perdeu cara a cara com Ederson, antes de Fernandinho (jogando como zagueiro, ao lado de Nicolás Otamendi) travar duas bolas salvadoras dentro da área. Ainda haveria uma reclamação de pênalti e um arremate de Rúben Vinagre que desviou em Cutrone antes de sair. O City insistia em cruzamentos de longe e pouco incomodava a defesa do Wolverhampton. Somente nos minutos finais é que os celestes passaram a finalizar um pouco mais, sem resultados. Era uma exibição completamente pobre dos anfitriões.

Guardiola voltou do intervalo com Oleksandr Zinchenko em campo e recorreu a Bernardo Silva depois de 15 minutos. O City era lento demais em suas construções, sem encontrar brechas na marcação do Wolverhampton. Apenas depois dos 20 minutos é que a pressão celeste aumentou. Os Citizens quase marcaram em uma cobrança de falta de David Silva, que bateu no travessão. Além disso, na base do chuveirinho, também arrancaram alguns suspiros de sua torcida, em finalizações que a defesa dos Lobos travava. Porém, o desespero fez a equipe se abrir e concedeu a chance dos contragolpes aos visitantes. Não demorou para conquistarem a vitória.

O primeiro gol saiu aos 35, num contragolpe de manual. João Cancelo perdeu a bola no campo de ataque e Raúl Jiménez acelerou. O mexicano deu um drible desconcertante sobre Otamendi, antes de passar a Adama Traoré. Na saída de Ederson, o atacante só tirou do goleiro. Depois disso, o City até seguiu em busca do empate, mas sem repertório e sem mudar a frouxidão vista ao longo da tarde, contra uma defesa soberana. Assim, nos acréscimos, a combinação entre Jiménez e Traoré matou a partida. De novo uma bola roubada de bola habilitou o contra-ataque. O mexicano deu um lindo passe com a parte de fora do pé. Traoré venceu Fernandinho na corrida e superou um Ederson outra vez vendido no lance.

O triunfo rendeu uma grande comemoração em campo e também nas arquibancadas, aos barulhentos torcedores visitantes presentes no Estádio Etihad. O Wolverhampton não vencia o City fora de casa desde 1979. Também não batia o campeão inglês vigente em seu próprio campo desde 1984. Guardiola sofreu somente a quarta derrota como mandante à frente dos Citizens pela Premier League – e, nas outras três, tinha anotado ao menos um gol.

Quem ri disso tudo é o Liverpool. Com o tropeço, o Manchester City permanece na segunda colocação, mas oito pontos atrás dos líderes. São 16 pontos aos celestes, que já veem o Arsenal colar no retrovisor, um ponto atrás. Depois do revés contra o Norwich, os Citizens voltam a sucumbir diante de um adversário mais frágil. Enquanto isso, o Wolverhampton já aparece no meio da tabela. Ocupa o 11° lugar, com dez pontos. Talvez não repita a campanha da temporada passada, mas deixa claro que também não é time para lutar contra o rebaixamento.

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