Fred deixa o Fluminense, ainda que já parecesse distante do clube há algum tempo

O fim da relação entre o jogador e o clube das Laranjeiras não poderia ter terminado de forma mais fria

O fim da trajetória de Fred no Fluminense foi marcado por uma relação um tanto quanto fria entre o clube e o jogador. Durante esses sete anos em que o centroavante defendeu as três cores do time das Laranjeiras, foram levantadas diversas polêmicas envolvendo algumas atitudes da personalidade forte que Fred tem, mas era muito difícil imaginar que o final do vínculo entre o atleta e o clube fosse terminar de uma forma que soa tão… indiferente.

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Na última quarta-feira, o Atlético Mineiro anunciou Fred, mais um reforço de peso, via Twitter. Aliás, nem foi o clube que oficializou a contratação. Foi o presidente, em sua conta pessoal, de uma forma até informal, como fazia seu antecessor Alexandre Kalil. Mas Fred, o mais novo jogador do Galo, já estava figurativamente distante do Fluminense antes mesmo desse anúncio, que oficializou seu adeus ao clube.

E nem me refiro a como a cabeça dele estava longe do tricolor carioca desde a discórdia que começou com a chegada de Levir Culpi às Laranjeiras. Ou melhor, desde que o técnico decidiu não baixar a cabeça diante do poder que ele construiu dentro do Fluminense com sua grande contribuição dentro de campo e títulos conquistados. Desde esse atrito, ele ameaçou ir embora, os ânimos se acalmaram, e a diretoria deu um jeito para que sua história no clube ainda não tivesse fim.

Fred não parou de jogar, fez corpo mole ou coisa do tipo. De lá para cá, foram dois meses em que o ex-capitão balançou as redes cinco vezes em nove jogos, uma média que, aliás, é superior à de antes da confusão com o treinador ocorrer. Mas a sua vontade de permanecer no Fluminense não parecia mais ser a mesma. Estava fazendo seu trabalho da melhor forma possível, uma atitude elogiável em meio a toda a balbúrdia, mas não aparentava se sentir mais parte daquele trabalho. Como se aqueles dois meses tivessem existido plenamente apenas para o Fluminense, e não para ele.

Apesar de ter se emocionado na entrevista coletiva, a maneira como ele se despediu das Laranjeiras foi um pouco fria, mas não chegou a ser supreendente. Disse que tinha medo de se tornar um peso. Citou questões financeiras e outros problemas. Garantiu que a decisão foi tomada em comum acordo entre todas as partes, e o fato de o Fluminense abrir mão de um jogador que pode ser colocado entre os grandes ídolos de sua história apenas evidencia que o seu grande temor estava próximo de se concretizar.

A liderança de Fred foi de extrema importância para a equipe por diversas vezes. Tanto nos gramados, quanto no vestiário. O centroavante acompanhou a fase ruim do Fluminense e esteve presente na melhor. Indiscutivelmente, é um dos maiores ídolos que o Flu já teve. E quanto a ele, há um fato que é incontestável: seus 172 gols e dois títulos brasileiros com a camisa tricolor fizeram total diferença.

Que ele mantenha a boa fase que vem tendo independentemente do clube em que vai jogar ou do que aconteceu, pois é um excelente jogador e atua em uma posição cuja escassez de atletas de qualidade no Brasil é uma realidade. Que ele seja a esperança da recuperação de um ano do Atlético Mineiro que, até agora, no mínimo poderia ter sido melhor. Fica o lamento pela sua saída, pois, como outros jogadores, ele teve a faca e o queijo na mão para se imortalizar como poucos na história de um clube brasileiro, mas acabou cortando o próprio dedo. Nada, porém, que minimize sua relevância para o Fluminense. Isso nunca poderá acontecer.