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Os pecados de Payet

Os números não mentem: Dimitri Payet aparece no topo da lista de assistências da Ligue 1, com nove passes decisivos para seus companheiros. Na prática, porém, a realidade do atacante do Olympique de Marselha se mostra bem diferente. Desde a retomada do torneio, o jogador tem encontrado dificuldades para repetir as destacadas atuações pelo OM, que sente demais a queda de produção de um de seus principais nomes.
Antes da pausa do fim do ano, Payet havia marcado dois gols e dado quatro assistências em cinco partidas. Em 2015, o atacante só se deu bem apenas nas jogadas de bola parada, uma de suas principais habilidades. Tudo bem que ele acertou uma bela cobrança de falta que culminou em um gol de cabeça de Gignac (contra o Guingamp) e um escanteio com finalização precisa de Ocampos (contra o Rennes), mas foram apenas lampejos de criatividade.
Payet tem se mostrado cada vez menos decisivo e influente durante os jogos do OM. Não por coincidência, os marselheses caíram de rendimento. Foram apenas sete pontos somados em cinco rodadas do returno, que fizeram a equipe perder a liderança para o Lyon – e permitiram ao Paris Saint-Germain e até ao Saint-Étienne encostarem perigosamente. De líder, o Olympique passou a ser ameaçado de terminar fora do pódio e, obviamente, sem uma das vagas para a Liga dos Campeões.
Não dá para cair naquela velha história de “nossa, os adversários descobriram como anular o Payet e é por isso que ele não rende”. Balela. Voltemos a analisar os números. Na partida contra o Rennes, o atacante do OM recebeu 82 bolas, mais do que qualquer outro jogador em campo. Apesar de ser muito procurado, Payet não correspondeu com a mesma eficiência. No total, foram 23 bolas perdidas por ele.
Seria bom se os problemas de Payet se limitassem a estas dificuldades técnicas. No mesmo duelo contra o Rennes, o atacante foi xingado por Florian Thauvin, em uma prova concreta de que o clima anda mesmo ruim pelos lados do Vélodrome. Marcelo Bielsa, que poderia intervir na questão, colaborou para Payet sair ainda mais queimado ao achar perfeitamente normal a atitude de Thauvin.
Sem moral com o treinador, em fase técnica complicada e com problemas no elenco, Payet vê seu espaço cada vez mais minado dentro do Olympique de Marselha. Pior para o time, cujo setor ofensivo está se enrolando em suas próprias pernas e não consegue encontrar uma solução para recuperar a eficiência do início da temporada. Se o clima nos vestiários se pautar pelas ofensas e xingamentos, os marselheses já podem se despedir de suas pretensões de brigar pela taça.
Tudo como estava

France Soccer League One

Lyon e Paris Saint-Germain cumpriram com o esperado neste choque direto na briga pelo primeiro lugar da Ligue 1. Quem foi a Gerland assistiu a uma partida emocionante, polêmica e com a melhor atuação da carreira de Anthony Lopes. O goleiro lionês foi, sem dúvida, o maior responsável pelo empate por 1 a 1 que permitiu aos donos da casa permanecer na ponta da tabela.
Os lioneses podem reclamar à vontade da decisão de Clément Turpin de voltar a cobrança de pênalti de Ibrahimovic, que havia errado seu chute. O árbitro tomou a decisão correta e apenas seguiu a regra, muito embora poucos a apliquem – ou até mesmo saibam o que realmente deve ser feito quando há invasão da área por jogadores das duas equipes. Basta ver onde estava Bédimo no momento em que o sueco chuta; os dois estão quase na mesma linha!
Ao colocar na balança, o PSG tem bem mais motivos para se queixar do resultado. Afinal, o time da capital se cansou de criar chances reais para marcar, principalmente no segundo tempo, mas esbarrou em um inspirado Lopes. O goleiro do OL esteve soberbo em campo. Mesmo quando esteve sozinho em duelo contra Edinson Cavani, o arqueiro levou a melhor. Vale lembrar que ele pegou o pênalti de Ibrahimovic, que o árbitro mandou voltar.
Para o Lyon, ficou a prova de que dá para sobreviver sem Alexandre Lacazette. Isso não quer dizer, porém, que o atacante não faça falta ao time. O OL se segurou como pôde diante do Monaco e do PSG, em dois dos confrontos mais complicados para a equipe, mas sem incomodar tanto a defesa dos adversários. O plano de atuar nos contra-ataques diante dos parisienses funcionou se considerarmos o resultado final; porém, faz o OL correr riscos em demasia.
Do lado parisiense, fica nítida a preocupação com o momento ruim vivido pela dupla de estrelas do ataque. Ibrahimovic deixou o seu, é verdade, mas ainda está abaixo do seu melhor nível e de suas condições físicas ideais. Cavani parece sofrer com a falta de confiança. O uruguaio teve pelo menos três boas oportunidades para marcar e as desperdiçou – ou por mérito de Lopes, ou por péssimas conclusões do atacante. Com ambos fora do prumo, seria melhor o PSG rever sua formação para os próximos duelos – principalmente aqueles contra o Chelsea pela Liga dos Campeões.

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