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Se antes de começar imaginava-se que a 15ª rodada da Ligue 1 seria favorável aos seis primeiros colocados por causa do retrospecto das equipes que se enfrentariam, os resultados demonstraram mais uma vez que futebol e lógica nem sempre andam de mãos dadas.

Se, por um lado, Lille e Paris Saint-Germain venceram sem surpresas Dijon e Lorient, por outro, Lyon, Olympique de Marseille, Montpellier e Monaco tropeçaram e viram a distância para a liderança – que era de seis pontos para o sexto colocado na rodada passada – aumentar.

Tim Weah quebrou tabu sem marcar e ajudou o Lille a se manter líder – Crédito: FEP / Ligue 1

O Lille não teve problemas para vencer o Dijon por 2 a 0 e manter a liderança. Ao dominar a partida desde o início, os jogadores comandados por Christophe Galtier – que celebrou sua 100ª partida como técnico da equipe – apresentaram senso de organização tática em um esquema que alia muita força ofensiva com a estratégia de pressionar a saída de bola do adversário.

Desta forma, logo aos 19 minutos de jogo, a equipe abriu o placar. O meia turco Yusuf Yazici recebeu passe dentro da área após bela trama pelo lado direito do ataque e chutou cruzado.

Com a partida sob controle desde então, o Lille ainda marcaria o seu segundo gol com Tim Weah, filho de George Weah, melhor jogador do mundo de 1995.

Na cola do Lille, o PSG venceu o Lorient por 2 a 0, mas não convenceu. Um tanto apático em campo, o PSG deu espaços para o Lorient atacar, e por pouco os visitantes não abriram o placar em três oportunidades claras no primeiro tempo.

O fato que mudaria a história do jogo aconteceu aos quatro minutos do 2º tempo: o zagueiro Andrew Gravillon cometeu pênalti em Kylian Mbappé e foi expulso. Na cobrança, saiu o 11º gol de Mbappé, o quarto de pênalti, nessa edição da Ligue 1. Ele é o artilheiro da competição.

Dez minutos depois, Moise Kean ampliaria o placar e daria números finais à partida que fez com o PSG tomasse a segunda colocação do Lyon, seu algoz na rodada passada.

O tropeço diante do Stade Brestois saiu caro para o Lyon. Os erros individuais da equipe comandada por Rudi Garcia foram determinantes para o empate em 2 a 2.

No primeiro tempo, o lateral direito italiano De Sciglio errou e concedeu contra-ataque fulminante ao adversário. Com uma pitada de sorte, o chute do atacante Romain Phillippoteaux bateu na trave e nas costas do goleiro Lopes antes de entrar.

O Lyon virou o placar na segunda etapa com gols de Memphis Depay, aos 24 minutos, e Maxwel Cornet, aos 36. Depay chegou a seu sétimo gol na Ligue 1. O mesmo Cornet voltaria a ser decisivo nos acréscimos da partida. Desta vez a favor do adversário.

Pressionado na saída de bola pelo lado esquerdo da defesa do Lyon, ele tentou recuar para o goleiro Lopes. Sem força suficiente, e com generosa colaboração do zagueiro Diomandé, o atacante Steve Mounié se chocou com Lopes e sofreu pênalti já nos acréscimos do jogo.

As consequências do lance foram o gol de empate do Brest, assinalado por Romain Faivre, dois pontos a menos na classificação para o Lyon e a perda da segunda colocação para o rival PSG.

Se o empate do Lyon pode ser visto “apenas” como um tropeço, a rodada acabou sendo péssima para o Olympique de Marseille, derrotado por 2 a 1, de virada, para o Rennes.

O nome da partida atende pelo nome de Pape Gueye, volante do Marseille. Ele marcou o gol de sua equipe aos 24 minutos da primeira etapa e foi expulso 13 minutos depois, recebendo o segundo cartão amarelo após acertar o braço em disputa de bola com Mbaye Niang, atacante do Rennes.

Enquanto o Marseille esteve com 11 jogadores em campo, a equipe abusou de perder chances claras de gol, com destaque para o atacante argentino Benedetto neste quesito.

Alheio aos problemas do adversário que optou pela retranca com a desvantagem númerica de jogadores em campo, o Rennes foi para cima e buscou a virada com gols de Hamari Traoré e Adrien Hunou. A vitória levou o Rennes à sexta colocação na classificação da Ligue 1.

Outros dois considerados favoritos para a rodada que decepcionaram seus torcedores foram Montpellier e Monaco. Mesmo jogando em seus estádios, os dois assistiram a Metz e Lens, respectivamente, saírem vitoriosos.

Sem brilho individual, o Montpellier não conseguiu superar o bom arranjo defensivo do Metz, que, por sua vez, vinha há cinco jogos sem vitórias. Mesmo com 14 finalizações contra nove do Metz, o Montpellier foi derrotado por 2 a 0, gols de Aaron Leya Iseka, em cobrança de pênalti aos cinco minutos da segunda etapa, e Habib Maïga já nos acréscimos.

Já no Estádio Louis II, o Monaco levou um 3 a 0 sonoro e chegou à sua terceira derrota consecutiva, o que o afasta das vagas que classificam para as competições continentais.

Logo de cara, Sylla abriu o placar em lance que durou 35 segundos entre trocas de passes. O gol não assustou o time de Niko Kovac, mas a expulsão de Axel Disasi, ainda aos 23 minutos do 1º tempo, fez o time ruir de vez, já que, dez minutos mais tarde, Banza marcou o segundo gol, e, aos 39, Gaël Kakuta fez o terceiro do Lens, dando números finais ainda na primeira etapa.

Contratado por € 13 milhões do Reims, Disasi foi expulso pela segunda vez nesta temporada. A primeira havia sido contra o Strasbourg, na 5ª rodada.

Por falar em Reims, eles foram os principais beneficiados com a 15ª rodada na parte de baixo da tabela. Ao derrotar o Nantes por 3 a 2, deixaram a zona de rebaixamento e empurraram Lorient e Nîmes para lá.

Outro time que venceu e se afastou da zona de rebaixamento foi o Saint-Étienne, que não vencia há 11 jogos. Ao bater o Bordeaux por 2 a 1 fora de casa, a equipe chegou aos 16 pontos e abriu cinco da zona de perigo.

Decisivo. Este pode ser o melhor adjetivo para Gaël Kakuta. Com 29 anos, ele já marcou sete gols na atual Ligue 1 pelo Lens e foi, mais uma vez, o diferencial para fazer a criação de jogadas de sua equipe.

O primeiro gol contra o Mônaco, que também é o gol mais rápido da temporada, com apenas 35 segundos, foi resultado de um jogo coletivo executado com perfeição.

O meia vem se destacado nesta temporada com habilidades típicas de um camisa 10 antigo. Kakuta tem atuado pela faixa central do gramado e pode ser considerado o responsável por levar o recém-promovido Lens para a 7ª colocação na Ligue 1.

Ao recuperarem a bola, Kakuta e seus companheiros do Lens usaram toda a dimensão do gramado para atrair o time do Monaco e, desta forma, abrir espaços na defesa adversária. Assim, o camisa 10 se descolou da marcação e deu o toque de classe determinante para originar o lance que terminou como gol de abertura do placar.

Contratado pelo Paris Saint-Germain na atual temporada, Rafinha é uma das peças que apresentam maior regularidade na equipe de Thomas Tuchel. Mesmo sem ser titular absoluto, Rafinha ganha cada vez mais importância dentro do time.

O meia mostra capacidade de conectar os setores da equipe e, na partida contra o Lorient, foi ele a chama criativa de um conjunto com problemas de criação.

Apesar do empate do Lyon contra o Brest, o zagueiro Marcelo, que no Brasil defendeu apenas a camisa do Santos, se destacou. Além de ter tido sucesso no jogo aéreo, em que ganhou as quatro disputas pelo alto, o zagueiro de 33 anos acertou dez de 11 tentativas de bola longa. A opção pela abordagem direta foi uma das saídas para o Lyon, visto que os espaços para construção de jogadas não foram cedidos pelo adversário.

O zagueiro Marcelo não foi capaz de evitar o tropeço do Lyon na rodada – Crédito: FEP / Ligue 1