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França pode ter apenas dois times na próxima LC, e quem ganha espaço é a Rússia

Se é difícil hoje parar para assistir a um jogo do Campeonato Francês, não é apenas a sua exigência que aumentou. A Ligue 1 vive mesmo um momento ruim, eclipsado pelo crescimento individual do Paris Saint-Germain. A chegada das fortunas dos donos de PSG e Monaco possibilitou grandes contratações nos últimos anos, mas o restante dos times sofre economicamente, e isso se refletiu no novo ranking do coeficiente dos países ligados à Uefa. A França foi ultrapassada pela Rússia, e se a situação se mantiver assim até o fim da temporada, os times franceses terão direito a apenas duas vagas na próxima Liga dos Campeões.

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A eliminação do Lille para o Porto e a vitória do Zenit sobre o Standard Liège, nesta terça-feira, pela fase classificatória da Liga dos Campeões, foram os resultados que possibilitaram a mudança no ranking. Agora, a Rússia aparece com 43,748 pontos na sexta colocação, enquanto a França tem 43,416, no sétimo lugar. A contagem de pontos é feita de maneira igual na Champions e na Liga Europa, levando-se em consideração as últimas cinco temporadas disputadas. Cada vitória ou empate em uma das duas competições valem, nesta ordem, dois e um ponto. Chegar à fase de grupos garante quatro pontos, e, a cada fase alcançada a partir das quartas de final, um ponto é assegurado. Essa conta acaba colocando os russos em uma situação de poder sonhar com as três vagas para a Liga dos Campeões em 2015/16.

O cenário continental se desenha complicado para a França e mais favorável à Rússia. Na Liga dos Campeões, ambos os países terão dois representantes. A Ligue 1 reza por uma campanha de destaque do Paris Saint-Germain. O Monaco, vice-campeão do último Campeonato Francês, entrou em crise financeira após o divórcio bilionário de seu dono, teve de negociar James Rodríguez e procura se livrar de Falcao García e sua altíssima folha salarial. O começo com duas derrotas e um empate não sugere que esse será um bom ano para o time monegasco, que passa a apostar em atletas jovens e baratos, em vez do perfil estelar que chegou há um ano. O jeito será mesmo contar com Ibrahimovic e companhia.

Porto venceu Lille por 3 a 0 nesta terça e despachou o time francês da Champions (Divulgação)
Porto venceu Lille por 3 a 0 nesta terça e despachou o time francês da Champions (Divulgação)

Assim como os franceses, os russos contam com dois representantes na Champions: Zenit e CSKA Moscou. Já na outra competição europeia, a Rússia tem mais representantes que a França. Como atualmente tem direito a apenas duas vagas na Liga dos Campeões, é um dos países com quatro espaços na Liga Europa. Os franceses estão representados por Saint-Étienne e Lyon, e os dois foram derrotados no jogo de ida da atual fase eliminatória, por Karabukspor (1 a 0) e Astra Giurgiu (2 a 1), nesta ordem. O primeiro decidirá na própria França seu destino, já o segundo define a vaga na Romênia. Os russos, por outro lado, estão um pouco mais confortáveis. Lokomotiv e Dínamo Moscou, mais fortes de seus representantes no torneio, empataram seus jogos de ida, contra Apollon Limassol e Omonia Nicosia, e o primeiro ainda joga em casa na volta.

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O desempenho em uma só temporada, como explicado anteriormente, não determina necessariamente a posição no ranking. São levados em consideração os últimos cinco anos, e a situação da Rússia em competições europeias tem, de fato, sido melhor que a francesa. Nenhum clube da Ligue 1 teve alguma campanha de destaque no período que está sendo hoje levando em consideração, de 2010/11 até o final desta temporada. Em 2009/10, encontramos a melhor campanha francesa na Champions, com o Lyon alcançando as semifinais. Desde então, a França emplacou times apenas nas quartas de final.

Já a Liga Europa nunca recebeu muita atenção dos franceses, por motivos que fazem sentido a curto prazo, mas que agora podem ser vistos como causadores dessa crise continental vivida. A Ligue 1 tem mais datas que a Premier League russa, que conta com apenas 16 times. É mais fácil para os clubes da Rússia se dedicarem à competição europeia de segundo escalão dessa maneira. E, com os investimentos que o futebol russo recebeu na última década, os resultados têm aparecido na Liga Europa. Em 2005, o CSKA levantou a taça; em 2008, o campeão foi o Zenit. Já o melhor francês nos últimos anos foi o Lyon, que chegou apenas às quartas de final em 2009.

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Frederic Thiriez, presidente da liga francesa, vê o problema como algo a ser resolvido imediatamente, mas precisará de mais que palavras para mostrar aos clubes a importância da competição. “A erosão do nosso índice UEFA está mecanicamente ligada à falta de vontade e motivação dos nossos clubes na Liga Europa. É por essa razão que eu os incentivarei a examinar a consciência”, afirmou, em declaração publicada no L’Équipe.

Alvo de todo o ódio natural por ter uma situação financeira destoante e um time muito mais forte que o restante, o Paris Saint-Germain será a esperança dos outros clubes franceses. Com uma campanha fraca dos russos nas competições europeias e uma façanha histórica dos parisienses na Liga dos Campeões, ainda haveria esperança de se manterem com três vagas disponíveis no torneio. Do contrário, o desequilíbrio local se acentuará. Com apenas duas vagas em jogo, torcer para um time que não o PSG na França não seria nada fácil. Afinal, todos sabem de quem será uma das vagas para a Champions nos próximos dez anos, talvez. É preciso que os clubes hoje médios da França torçam pelo atual gigante, mas eles têm que fazer sua parte nas oportunidades que tiverem no Velho Continente.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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