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Russos e alemães são os menos “patriotas” durante o hino

Karim Benzema tem causado polêmica na França por se recusar a cantar o hino nacional. A decisão do descendente de argelinos tem causado as mais diferentes reações no país, incluindo até mesmo pedidos para que ele seja desligado da seleção. Uma questão que vai muito além dos méritos do atacante, entrando também no debate sobre a noção de identidade nacional.

O Wall Street Journal, no entanto, mostra que Benzema não está sozinho nesta batalha. Em 2012, o jornal americano contou quantos titulares cantaram os hinos durante as duas primeiras rodadas da Eurocopa. E a França, mesmo contando com um dos elencos de maior diversidade étnica, não apresentou as menores taxas – 77,3% dos jogadores participaram do momento, 17 entre os 22 titulares nas partidas.

Os únicos dois países que tiveram menos de 70% dos jogadores cantando os hinos foram Rússia e Alemanha. E não é difícil de entender as razões de números tão baixos. O território russo conta com diversos movimentos separatistas e alguns dos atletas nasceram nestas regiões – como Dzagoev, da Ossétia do Norte. Já na Alemanha, o traço mais forte é o do intenso fluxo migratório, com jogadores das mais diversas ascendências: Özil (turcos), Boateng (ganeses), Khedira (tunisianos) e Podolski (nascido na Polônia).

Por outro lado, os jogadores de Itália, Inglaterra, Polônia e Grécia foram unânimes na hora de soltarem a voz e bradarem o hino de seus países. O caso dos poloneses, aliás, é o que mais chama atenção, já que Ludovic Obraniak e Damien Perquis, nascidos na França, teriam sido alvos de discriminação dos companheiros. A campeã Espanha foi a única que ficou de fora da relação, já que sua canção oficial conta apenas com melodia – a letra foi abolida em 1978, após a queda da ditadura de Francisco Franco.

Ao menos entre as seleções que estiveram na Euro, a recusa em cantar o hino não causou consequências mais graves aos jogadores. Em maio do ano passado, o técnico Sinisa Mihajlovic afastou Adem Ljajic da seleção sérvia justamente por se calar durante a canção – o atacante se justificou afirmando que a atitude não fazia parte de suas convicções. Considerando a batalha que a Sérvia terão na próxima sexta-feira contra a Croácia, cantar o hino em Zagreb será muito mais que uma representação do orgulho patriótico.

Porcentagem de jogadores que cantaram os hinos durante a Euro 2012:

Itália, Inglaterra, Grécia, Polônia – 100% (22 de 22 jogadores)
Dinamarca, República Tcheca – 90,9% (20 de 22 jogadores)
Portugal, Croácia – 86,4% (19 de 22 jogadores)
França, Suécia – 77,3% (17 de 22 jogadores)
Holanda, Irlanda, Ucrânia – 72,7% (16 de 22 jogadores)
Alemanha – 68,2% (15 de 22 jogadores)
Rússia – 63,6% (14 de 22 jogadores)

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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