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“Aqui acaba o Evian”: como o clube foi da Ligue 1 para fechar as portas em 15 meses

No dia 23 de maio de 2015, o Evian fazia o seu último jogo na Ligue 1. O clube foi rebaixado naquela temporada à segunda divisão. Na temporada passada, 2015/16, ficou na zona do rebaixamento da Ligue 2 e caiu à terceira divisão francesa. Em julho, o clube entrou em concordata. Em dezembro, decidiu que não disputará nem a CFA, equivalente à quarta divisão, que já é amador. Tudo isso 15 meses depois de estar principal divisão do país.

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“A oportunidade de continuar as atividades até 2017 foi considerada, mas a falta de fundos impediu esta solução”, afirmou o tribunal comercial de Thonon, que cuidou do caso do clube. O Evian está afundado em dívidas e não conseguiu apresentar as garantias para jogar a terceira divisão em julho. Foi rebaixado automaticamente para a quarta divisão, mas não teve condições de jogar. Sob concordata, o clube não irá entrar em campo. Não haverá futebol em 2017 para o Evian.

O início do Evian já foi controverso. O clube surgiu da junção de outros dois, FC Croix-de-Savoie 74 e Olympique Thonon-Chablais. Nas suas duas primeiras temporadas, jogou sob o nome de Olympique Croix Savoie 74.

Sem ter um estádio aprovado para as principais divisões od país, o clube chegou a pedir autorização para jogar em Geneva, na Suíça – isso mesmo, outro país – por ser a maior cidade mais próxima, a cerca de 35 quilômetros de Thonon, sede do clube. A Federação Francesa de Futebol (FFF) chegou a aceitar o pedido, mas a Uefa bloqueou. O clube, então, teve que jogar em Annecy, a 80 quilômetros.

Foi só em 2009 que se tornou Évian Thonon Gaillard, com uma camisa rosa e um patrocínio pesado da Danone, que fica na região, famosa pela produção de água. Em 2010, o clube conseguiu o título da National, a terceira divisão, e subiu para a Ligue 2.

Em maio de 2011, o clube já estava celebrando mais um título nacional: o da Ligue 2. Foi uma ascensão meteórica. A história de um clube que veio como um foguete das divisões menores para se tornar um time da Ligue 1. Em 2013, o ápice da história: o time foi para o Stade de France decidir a Copa da França, incluindo a eliminação do poderoso Paris Saint-Germain pelo caminho. Na final, uma derrota doída para o Bordeaux, mas já era uma grande história escrita ali.

Em 2014, o Evian, então 17º na tabela, escapou do rebaixamento com uma vitória por 3 a 0 no último jogo contra o adversário direto, Sochaux, que era o 18º colocado. O time respirou aliviado. Em 2015 veio a despedida da Ligue 1. Na temporada 2015/16, o caso na Ligue 2, rebaixamento e uma briga interna que deixou o clube abandonado. As dívidas se acumularam.

Com € 17 milhões de dívidas e sem ter como pagar, o clube foi rebaixado para as divisões regionais. Não adiantou. Nem isso o time tem condições de jogar. Se em julho já tinha entrado em concordata, a sua falência foi decretada pela justiça e toda estrutura do clube acabou. Sobrou o centro de treinamento, que, se o clube quiser manter, terá que brigar. É o fim da história do Evian, que teve uma queda tão vertiginosa quanto a sua ascensão. Tudo com um comunicado: “Aqui acaba o Evian”.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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