A Alemanha tem um extenso histórico de vencer o anfitrião nas semifinais de grandes competições. Brasileiros sabem muito bem. O histórico era de seis vitórias e uma derrota. A federação do país até brincou, antes da partida, que tentaria transformar esse retrospecto em um novo 7 a 1. Não conseguiu. A França soube segurar a pressão da campeã do mundo. Soube aproveitar os erros individuais do adversário. Soube defender. Soube sofrer. Soube vencer, por 2 a 0, no Vélodrome, e decide a Eurocopa, no próximo domingo, diante da sua torcida.

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Terá a chance de repetir o feito de 1984 e ser campeão em casa. Seria seu terceiro título, já que também levantou o caneco em 2000. O adversário será Portugal, que apresentará à França um desafio diferente do desta quinta-feira. Mas os comandados de Domenech já mostraram não que têm problemas de adaptação. Impuseram-se contra a Islândia. Foram acuados pela Alemanha. E jogando de um jeito ou de outro, chegaram à decisão com méritos.

Griezmann teve uma chance de ouro, aos sete minutos do primeiro tempo, de tranquilizar os seus pares, com um chute rasteiro e cruzado de dentro da área, mas Neuer espalmou bem para o lado. O lance marcou o começo de mais ou menos 35 minutos de pressão quase ininterrupta da Alemanha. A França mal conseguia sair jogando – e olha que Pogba era uma dos encarregados disso. A bola era rebatida, recuperada pelos alemães no meio-campo e mais um ataque era armado.

Não espanta, portanto, que a Alemanha tenha chegado ao fim dos 90 minutos com quase 67% de posse de bola. Mas não foi o mais fértil dos controles. Por exemplo, acertou menos chutes a gol que a França (5 a 6). Errou muito no último terço do gramado e tinha dificuldades em produzir os lances de perigo. E quando produzia, lá estava Hugo Lloris para manter a meta da dona da casa intacta.

Os compatriotas sentiram a falta de Mario Gomez, cortado da Eurocopa por causa de lesão. O homem que vinha sendo o alvo da equipe alemã: o objetivo era levar a bola até ele, que poderia finalizar ou fazer o pivô. Sem o seu único centroavante no elenco, Löw teve que mexer. Entrou Emre Can no meio-campo ao lado de Schweinsteiger (Khedira também se machucou), Kroos foi adiantado, e Müller ocupou o comando de ataque. As características foram totalmente diferentes.

Ainda assim, a Alemanha obrigou a França a sofrer. Müller quase abriu o placar, aos 13, completando cruzamento de Can, mas chutou para fora. O jogador do Liverpool exigiu grande defesa de Lloris no minuto seguinte. Schweinsteiger pegou o rebote de fora da área e bateu bem, apenas para o goleirão do Tottenham espalmar por cima do travessão. A pressão era gigante, e a França não tinha válvula de escape. Quando teve, a bola caiu no pé do jogador errado. Giroud puxou contra-ataque em marcha lenta e foi bloqueado por Höwedes na hora de finalizar.

O intervalo era iminente, quando Schweinsteiger, 31 anos, entre os jogadores mais vitoriosos da história da Alemanha, sofreu uma pane mental e cometeu erro comum às jovens promessas inexperientes. Dividiu de cabeça com o braço esticado e tocou com a mão na bola. Nicola Rizzoli marcou pênalti, e Griezmann teve a chance de abrir o placar. A França colocava seus sonhos nas costas do jogador do Atlético de Madrid, que pouco mais de um mês atrás estava em situação parecida contra o Real Madrid, na decisão da Champions League, mas desperdiçou a cobrança. Pouca pressão? Desta vez, porém, Griezmann acertou: 1 a 0.

 

O segundo tempo recuperou a dinâmica de ataque contra a defesa, como tiveram tantas das 50 partidas disputadas em solo francês até o momento. Nunca, no entanto, tanta coisa esteve em jogo. Os contornos foram ficando cada vez mais dramáticos. A Alemanha buscava os lados do campo, sem laterais talentosos – Kimmich e Hector – para criar jogadas diferentes. Tinha a bola. Não tinha espaço para finalizar. A França estava encaixotada, mas a Alemanha não achou a chave para abrir a porta.

E, então, a França matou o jogo. A defesa alemã saiu jogando com passes curtos, como costuma fazer. Höwedes tocou na fogueira para Kimmich, que dormiu no lance. Dominou mal e Pogba ficou com a bola. Com muita habilidade, fez Mustafi sambar e achou espaço para o cruzamento. Neuer saiu do gol para tentar cortar, com um tapa de mão esquerda, mas tudo que conseguiu foi armar o lance para Griezmann, que completou para as redes.

 

A Alemanha entrou em modo desespero e deu chances para que a vitória da francesa virasse passeio. Os contra-ataques não foram bem finalizados. E não fez diferença. A França já havia feito os gols que precisava para avançar à final e buscar o tricampeonato da Eurocopa.