A fase de grupos da Euro Sub-21 chegou ao fim nesta segunda-feira (24), com os confrontos entre Inglaterra e Croácia e França e Romênia, pelo Grupo C. As duas primeiras já estavam eliminadas e fizeram um jogo cheio de gols, empatando em 3 a 3. Já no duelo que valia algo, nada de gols – ou mesmo de bom futebol. Contentes com um empate que classificava ambos, franceses e romenos ficaram no 0 a 0 e estão nas semifinais do torneio de base continental, de quebra garantindo lugar nas Olimpíadas de 2020, no Japão.

O nível apresentado pela França no duelo derradeiro da fase de grupos não esteve lá tão distante do visto nos dois primeiros jogos: insípido, de pouca mobilidade, mas com estabilidade defensiva oferecida pela dupla de zaga do RB Leipzig Ibrahima Konaté e Dayot Upamecano. De qualquer forma, não foi como se os romenos tenham oferecido um grande desafio.

Mais classificados do que os franceses, pelo fato de poderem perder por até dois gols para ficar com a vaga à semifinal como melhor segundo colocado, os romenos, que haviam marcado oito gols nos dois primeiros jogos, contra Croácia e Inglaterra, estiveram distantes do perigo ofensivo e da intensidade que marcaram suas goleadas anteriores. Compreensivelmente, deram-se por satisfeitos com o resultado com que o jogo se iniciara e não se exauriram para mudá-lo. A Romênia pouco tocou a bola no terço final do campo, diferentemente da França, que espalhou mais pelo gramado o seu jogo.

Se pelo lado da Romênia o resultado foi positivo pela atuação para o gasto e pela classificação inédita à semifinal, para a França, pareceu uma oportunidade desperdiçada de exibir um bom futebol antes do mata-mata ao menos uma vez. O time de Sylvain Ripoll pouco mostrou até aqui e avança com certa dose de sorte. Poderia perfeitamente ter perdido o jogo de estreia contra a Inglaterra, mas acabou vencendo por 2 a 1, contando com a expulsão de Hamza Choudhury, ainda que tenha também desperdiçado dois pênaltis. O 1 a 0 contra os croatas pela segunda rodada tampouco convenceu, com apenas três finalizações a gol.

Ainda que não tenha levado alguns nomes fortes como Dembélé e Ndombele, esperava-se um futebol superior dos Bleuets de Sylvain Ripoll. Talvez a grande decepção técnica individual até aqui seja de Houssem Aouar. O criativo jogador do Lyon foi titular apenas na primeira rodada, perdeu espaço e foi para o banco na segunda e, desta vez, sequer entrou no jogo. Em sua defesa, mesmo tendo em mente a responsabilidade pessoal do atleta de corresponder, Ripoll não pareceu ter encontrado a melhor maneira de utilizá-lo – sequer testando-o pela ponta esquerda, como costuma funcionar tantas vezes no OL.

A fase de grupos encerrada já traz consigo a definição dos confrontos das semifinais. De um lado, a Romênia irá encarar a Alemanha, líder do Grupo B. Já a França bate de frente com a Espanha. Ambas as equipes que hoje fizeram uma partida de compadres terão desafios duríssimos contra duas das melhores seleções neste torneio.

Os alemães tiveram um desempenho bem abaixo em sua rodada final, mas podem acertar o pé em um jogo tão decisivo e contam com uma dupla inspirada em Richter e Waldschmidt, além de Dahoud, capaz de desequilibrar em momentos. Já a Rojita, tecnicamente liderada por um Dani Ceballos que vai destruindo o torneio até aqui, está em ascensão e toma a dianteira como favorita ao título. Mas se tem uma geração de jogadores com ousadia suficiente para tentar explorar potenciais erros defensivos que os espanhóis venham a mostrar, como os vistos contra a Itália, essa geração é a romena. O ataque rápido de Hagi, Puscas e companhia já provou isso nessa Euro.

A grande lamentação fica pela eliminação dos italianos, especialmente pelo desempenho individual de alguns de seus jogadores e pela relação com a torcida em casa. Os Azzurrini torciam por uma vitória da Romênia nesta segunda-feira para conseguirem a classificação como melhores segundos colocados. Os anfitriões tiveram um jogo quase perfeito contra a Espanha na abertura da competição, mas pecaram na surpreendente derrota contra a Polônia na segunda rodada. O 3 a 1 contra a Bélgica, reafirmando principalmente as capacidades individuais de suas jovens estrelas, como Chiesa, Cutrone e Barella, não foi suficiente para compensar os problemas táticos do time de Luigi Di Biagio vistos sobretudo contra os poloneses.

Maiores campeões da história da Euro Sub-21 com cinco títulos, os italianos aumentarão para pelo menos 17 anos o jejum de taças na competição, e mesmo o forte envolvimento nesta edição que sediavam, chamando jogadores já presentes na equipe principal, não pôde garantir o sucesso ou a vaga nas Olimpíadas do próximo ano.

Semifinais

Quinta-feira, 27 de junho:
13:00 – Alemanha x Romênia
16:00 – Espanha x França