No início deste século, o Alavés chegou a disputar duas edições da Copa da Uefa. Os bascos fizeram sua estreia continental em 2000/01 e protagonizaram uma campanha bastante surpreendente, deixando Internazionale e Kaiserslautern pelo caminho. Caíram apenas na decisão diante do Liverpool, no insano 5 a 4 definido na prorrogação. Tradicional figurante nas divisões de acesso do Campeonato Espanhol, o Glorioso não resistiria tanto tempo na elite e chegaria à terceirona, encarando uma séria crise financeira logo depois da façanha. Com auxílio do bom trabalho realizado no Saski Baskonia, do basquete, o clube sanou suas dívidas, voltou à primeira divisão em 2016 e participou de uma final da Copa do Rei. Agora, ensaia o seu retorno às copas europeias, graças ao bom trabalho de Abelardo. E a prova de que 2019 é mesmo um ano promissor veio neste sábado, em Mendizorroza. Os babazorros derrotaram o Valencia por 2 a 1, de virada, assumindo provisoriamente a quarta colocação em La Liga.

Dono de um ótimo início nesta edição de La Liga, o Alavés havia demonstrado o seu potencial em outros momentos da temporada. De setembro a outubro, venceu seis compromissos pela competição, batendo o Real Madrid neste caminho. Era a chave para se meter entre os primeiros colocados e até a ocupar a vice-liderança. O rendimento caiu a partir de novembro, especialmente pelas derrotas fora de casa. Só que o triunfo em Anoeta contra a Real Sociedad deu fôlego no último compromisso de 2018. E a torcida pôde celebrar o novo ano com vitória, superando a Valencia em partida apertada.

 

Os visitantes deram um susto aos 14 minutos em Mendizorroza. Dani Parejo abriu o placar aos Ches com uma belíssima cobrança de falta. Entretanto, o Alavés soube se reerguer. O empate saiu sete minutos depois, em bola confusa dentro da área, em que Guillermo Maripán arrematou e Borja Bastón desviou no meio do caminho. Já nos acréscimos, a vitória tomou forma. Depois de uma série de defesaças de Neto, Tomás Pina aproveitou o jogo aéreo para virar. No segundo tempo, apesar da iniciativa do Valencia, os bascos seguraram a barra e puderam comemorar seu nono triunfo em 18 compromissos pelo Campeonato Espanhol.

Alguns fatores são fundamentais para entender o sucesso do Alavés. O primeiro deles é a qualidade nas bolas paradas. Dos 21 gols anotados pelos bascos até o momento, dez deles saíram desta maneira. Nenhum clube no campeonato é tão letal nestas jogadas – Barcelona e Atlético de Madrid, logo abaixo no quesito, possuem sete tentos cada em bolas paradas. A eficiência se torna decisiva aos comandados de Abelardo, segundo time que menos troca passes curtos e terceiro com menor porcentagem de posse de bola. O Alavés, em compensação, é o sétimo que mais finaliza. E também prima pelos desarmes, entre os cinco primeiros no fundamento. Resultado: que seu ataque não seja tão prolífico, ter uma das melhores defesas ajuda a impulsionar os números.

E a forma dentro de casa também pesa ao Alavés. Ao lado do Atlético de Madrid, é um dos únicos times ainda invictos em casa na Liga. São 19 pontos somados em nove partidas, pontuação similar à do Real Madrid e à do Sevilla. Mendizorroza se prova como um dos maiores caldeirões do Campeonato Espanhol – o que os próprios merengues sentiram na pele em outubro. Resta saber como o Barcelona se sairá em sua visita ao País Basco, após triunfar no compromisso dentro do Camp Nou.

Se o coletivo funciona, individualmente alguns jogadores despontam. Fernando Pacheco aparece entre os melhores goleiros do campeonato. Guillermo Maripán também faz um excelente trabalho no miolo de zaga, enquanto Jonathan Calleri se encaixou ao estilo da equipe no ataque. Além do mais, há importantes válvulas de escape na faixa central, como Tomás Pina, Jony e Ibai Gómez. Não são exatamente garotos, mas alguns deles podem almejar novos destinos nos mercados futuros – Pacheco é especulado no Sevilla e Maripán tem seu nome ligado ao Barcelona. A sequência no segundo turno pode ser essencial às pretensões dos destaques.

Já Abelardo, histórico zagueiro em seus tempos de Barcelona, se candidata como treinador a clubes maiores do Espanhol. O veterano iniciou sua carreira à beira do campo no Sporting de Gijón, clube que também defendeu por anos como atleta. Em dezembro de 2017, foi contratado pelo Alavés para salvar o time fortemente ameaçado pelo rebaixamento. Cumpriu a missão com êxito. E em sua primeira temporada completa à frente da equipe, já permite ambições que pareciam restritas a tempos longínquos em Mendizorroza.

Obviamente, o objetivo do Alavés é se manter em uma posição segura na tabela. Os 31 pontos conquistados até o momento pavimentam este caminho. E pela consistência, os babazorros se colocam como um time para ao menos sonhar com a Liga Europa, o que parece bastante factível. Se meter entre os grandes por um espaço na Champions, até agora, permite aos bascos almejarem ainda mais neste Campeonato Espanhol.


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