Diego Forlán se eternizou como um dos maiores ídolos da história da seleção uruguaia. O que ele fez durante a Copa de 2010, resgatando o orgulho da Celeste, foi o ápice dos 12 anos (e dos 112 jogos, um recorde) em que serviu a equipe nacional. Porém, as aparições nos estádios do país se limitavam aos jogos internacionais. O Centenário permaneceu como casa de veraneio do atacante. Que, finalmente, poderá ser idolatrado por uma das grandes torcidas uruguaias. Aos 36 anos, Forlán acertou sua volta a Montevidéu, assinando por um ano e meio com o Peñarol. Está longe da melhor forma, mas ainda tem talento para fazer a diferença. Para encerrar a carreira onde mais é adorado.

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A ligação de Forlán com o Peñarol vem do cordão umbilical. Afinal, seu pai, Pablo Forlán, conquistou até mesmo uma Libertadores com os carboneros. Diego chegou a vestir a camisa aurinegra, mas por um curto período nas divisões de base. Depois, seguiria ao Danubio, antes de chegar ao Independiente, onde se profissionalizou. E, da Argentina, partiu para sucessos distintos na Europa: nunca estourou no Manchester United, se consagrou como artilheiro no Villarreal e no Atlético de Madrid, fracassou na Internazionale. Voltou à América do Sul para o Internacional, onde também não deixou muitas saudades. Para, por fim, mesmo desembarcando como a maior transferência da história do futebol japonês, fazer muito pouco pelo Cerezo Osaka.

Contudo, Forlán parecia não ter muitas dúvidas que penduraria as chuteiras no Uruguai. Nem mesmo das cores que defenderia neste retorno. “Beijar o escudo do Atlético de Madrid seria uma falta de respeito com os torcedores, porque não sou torcedor do Atlético. Sou um profissional e tenho muito carinho pelo clube, mas torço para o Peñarol. Os únicos escudos que poderia beijar são os do Peñarol e o da seleção, porque sou torcedor desde pequeno e porque são meus times de coração”, declarou, em entrevista à Rádio Marca, em 2011. Paixão que finalmente se concretizará.

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É certo que os torcedores do Peñarol não podem esperar aquele Forlán do futebol espanhol, muito menos aquele de 2010. A queda tem sido constante desde então. Contudo, os lampejos de sua classe se repetiram várias vezes no Campeonato Japonês. E devem aparecer de maneira até mais constante na equipe uruguaia, onde a entrega do “torcedor” dentro de campo deve ser maior. Se o Nacional ainda sente orgulho em ver Recoba, o Peñarol terá uma resposta à altura dos grandes rivais. Até para marcar uma nova era no clube, com a inauguração do novo estádio prevista para o próximo mês de novembro. A volta dá a Forlán a chance de liderar a renovação da aura carbonera.

Dono da camisa 10, Forlán ainda terá a chance de disputar a Copa Libertadores em 2016. Um incentivo e tanto sobre a mística do Peñarol, ao passado de seu próprio pai. Em um torneio que muitas vezes depende da inteligência de seus times do que da força em si, Forlán possui qualidades para fazer a diferença em poucos lances. Para, quem sabe, reviver as grandes campanhas do clube. Para ter o gosto de ver a enorme festa que os aurinegros costumam fazer, e da qual certamente ele também será parte.