O Bayer Leverkusen, um clube com um histórico bastante desfavorável em momentos decisivos, buscava um título histórico. A Copa da Alemanha poderia representar o fim de um jejum de 27 anos aos Aspirinas. Para tanto, precisariam superar o Bayern de Munique, acostumado com as glórias e favorito no Estádio Olímpico de Berlim não só por isso. O time de Hansi Flick atravessa um 2020 excepcional e, após o octocampeonato na Bundesliga, tentaria confirmar o domínio nacional com a dobradinha na Pokal. E esta maturidade dos bávaros, prontos aos grandes jogos, preponderou na final. Sem perdoar os erros dos adversários, o Bayern teve uma atuação fatal e a vitória por 4 a 2 deu mais um troféu ao museu da agremiação.

Não seria um começo de jogo ruim do Leverkusen, mas o Bayern impunha sua força com mais velocidade nos ataques. As chances de abrir o placar logo surgiram e Kingsley Coman facilitou a defesa de Lukas Hradecky no primeiro lance claro aos bávaros. O gol, de qualquer forma, viria aos 16 minutos. Uma falta na entrada da área seria cobrada com capricho por David Alaba, sem que Hradecky pudesse evitar o pior. A zaga do Bayern travava as tentativas do Leverkusen e os favoritos pareciam dispostos a ampliar. Serge Gnabry se apresentava na direita e cruzou para Thomas Müller parar em Hradecky. Já aos 24, num ataque rápido, Joshua Kimmich enfiou a bola para a disparada de Gnabry, que chutou no cantinho de Hradecky.

O Bayern de Munique era absoluto na partida até então. O Leverkusen incomodou um pouco mais depois disso, com as aparições de Moussa Diaby servindo de escape. Mas isso não significava trabalho a Manuel Neuer, com a zaga dos bávaros acompanhando o ritmo das investidas dos adversários e fazendo excelente marcação. Não era uma jornada nada feliz dos Aspirinas, que sequer conseguiam finalizar. Kai Havertz, quando era acionado, não tomava as decisões corretas e facilitava os desarmes. Neuer só faria sua primeira defesa nos acréscimos, em cobrança de falta de Lars Bender que não trouxe grandes problemas.

O Leverkusen voltou melhor ao segundo tempo, enfim, com as entradas de Kevin Volland e Kerem Demirbay. Mas, com certa reticência dos Aspirinas na hora de efetuar as jogadas, a defesa do Bayern mantinha a segurança. Os lances que sintetizaram a final aconteceram logo após os 12 minutos. Volland poderia ter descontado, mas furou uma bola incrível dentro da área. Pouco depois, Neuer deu um chutão para Robert Lewandowski e, com liberdade na intermediária, ele arriscou dali mesmo. O artilheiro, em atuação discreta até então, não pegou em cheio na bola. Só que Hradecky fez pior. O que deveria ser uma defesa simples virou um frangaço. Ele espalmou para baixo e a pelota quicou em sua perna, antes de espirrar para trás.

Neste momento, o Leverkusen já admitia que não era a sua noite. Ainda batalhou para descontar, conseguindo o gol aos 19 minutos. Após escanteio cobrado por Demirbay, Sven Bender concluiu de cabeça. E quando os Aspirinas poderiam encostar no placar, um cruzamento limpo passou diante de Volland e Havertz sem que ninguém completasse. Depois disso, a partida seguiu num ritmo de treino.

O Leverkusen tinha mais posse de bola, sem conectar seu passe final. Já o Bayern insistia principalmente com Lewandowski, disposto a anotar o quarto gol. Thiago Alcântara e Philippe Coutinho, de saída do clube, entraram nos últimos instantes. E houve tempo para que Lewa guardasse mais um, aos 44. Ivan Perisic arrancou e rolou para o artilheiro, que deu um toquinho por cobertura para deixar Hradecky no vácuo. Já nos acréscimos, por um toque de mão de Alphonso Davies dentro da área, o árbitro anotou um pênalti ao Leverkusen. Havertz ao menos deixou o seu, batendo no ângulo. Nada que atrapalhasse a alegria dos campeões.

Com seis gols, Lewandowski também encerrou a Copa da Alemanha como artilheiro. Este foi o 20° título do Bayern de Munique na DFB Pokal, 12 deles faturados nos últimos 22 anos. Segundo maior campeão, o Werder Bremen tem apenas seis taças. E o interesse dos bávaros é repetir a Tríplice Coroa de 2012/13. Pelo futebol que tem apresentado, o time de Hansi Flick permanece entre os favoritos para levar o troféu na conclusão da Champions League.