Ángel Di María aguardou com ansiedade a convocação da seleção argentina para seus primeiros jogos em 2020. Devido à crise do Coronavírus, ela veio apenas agora em setembro e, a exemplo da primeira chamada, em março, para jogos que acabaram adiados, não incluiu o jogador do Paris Saint-Germain. Sem ser chamado por Lionel Scaloni desde a Copa América de 2019, o atleta desabafou.

Em entrevista ao programa de rádio argentino Closs Continental, Di María, que vem de ótima temporada pelo PSG e mais um bom início de campanha em 2020/21, disparou contra a lista, afirmando que se a questão for sua idade ou uma busca por renovação na equipe, outros nomes consagrados não deveriam estar lá.

“Se for por causa da renovação, Messi, Agüero e Otamendi não deveriam estar lá. Se você faz isso, faz com todos, não com alguns. Você pode fazer a renovação, mas tendo alguns…”, contestou.

O argentino, em tom de desabafo, falou sobre sua entrega ao longo da temporada pelo PSG, à espera da recompensa com a convocação à seleção, e sobre a decepção que é se ver mais uma vez de fora.

“Muitos dizem que já estou velho, mas tenho 32 anos e sigo correndo da mesma maneira, em cada partida mostro que não estou velho e que posso estar à altura de Neymar e Mbappé. Se faço tudo o que faço no clube tentando estar no time titular para poder jogar uma Copa e a Copa América, é difícil entender porque não estou convocado. Nunca me deram a explicação de por que não me chama. Se não estou convocado, é porque não querem me convocar.”

A partir de suas palavras, nota-se que Di María já tinha a questão entalada na garganta, e a chamada da semana passada foi a gota d’água que fez transbordar o copo: “Às vezes, você aguenta as críticas. Mas uma hora você explode e contesta. Fiquei calado por muito tempo. Não encontro explicação, não tenho palavras. Para mim, a seleção é o topo. Amo estar na seleção e desejo, com toda minha alma, poder voltar a vestir a camisa da Argentina. Darei 100%”.

Di María participou da Copa América de 2019, disputada no Brasil, em que a Argentina terminou na terceira colocação, vencendo o Chile na disputa pela última vaga no pódio depois de ser eliminada pelo campeão Brasil na semifinal.

Desde então, o argentino manteve alto nível no PSG como um coadjuvante de luxo em uma equipe com Neymar e Mbappé. Em 41 partidas, teve participação direta em 35 gols, com 12 tentos e 23 assistências, mas isso não foi suficiente para que retornasse à seleção. Só na segunda metade de 2019, seis amistosos foram disputados pela Albiceleste, sem a participação do jogador.