Vencer a França em pleno Stade de France é sempre uma missão difícil. Portugal sabia disso. Vinha de uma campanha sofrida. E vencer a França sem Cristiano Ronaldo? Se alguém dissesse isso a um torcedor português antes do jogo, o deixaria com o coração na boca. A lesão de Cristiano Ronaldo deixou Portugal machucado, todos os 11 milhões.

LEIA TAMBÉM: Assista ao vídeo produzido para inflamar os jogadores de Portugal na final da Eurocopa

Alguns torcedores devem ter lembrado do primeiro jogo das Eliminatórias, a derrota para a Albânia sem Cristiano Ronaldo, em casa. A demissão de Paulo Bento. As críticas: “Sem Ronaldo, esse time é fraco”. Era uma final, contra o anfitrião, favorito. Portugal teve que mostrar tudo que tinha. E o time mostrou muita alma. E não foi só isso. Mostrou que sabia jogar. Que tinha um time, mesmo sem ser brilhante, que sabia que poderia vencer.

A mentalidade foi de campeão. O resultado também. Na prorrogação, o gol de Éder, um herói improvável, que estufou a rede de Lloris e cravou um placar de 1 a 0. Mas a história do jogo foi longa.

O jogo mal tinha começado quando um lance mudou o confronto. Aos oito minutos, Payet entrou duro em Cristiano Ronaldo, batendo joelho com joelho. O português sentiu a pancada, teve que ser atendido e pareceu sentir muita dor. Teve o joelho enfaixado e voltou a campo. Só sairia se tivesse certeza que não tem condições de jogar. Às lágrimas, tentava continuar em campo. Em vão. Aos 21 minutos, Cristiano Ronaldo avisou o técnico que precisava de substituição.

Foi um choque no Stade de France. Cristiano Ronaldo caiu no gramado, esperando a maca. Tirou a braçadeira, entregou a Nani e deixou o gramado. Quem teve a missão de substituí-lo foi Ricardo Quaresma, um jogador que também surgiu como uma grande promessa, mas que não teve o mesmo sucesso do colega de Sporting, onde os dois se formaram jogadores. Aos 32 anos, era a chance de consagração de um jogador que já foi muito contestado.

Os minutos seguintes à saída de Ronaldo mudaram o jogo. Portugal mudou seu posicionamento e deixou apenas Nani no ataque. Montou um 4-1-4-1 fechado, tirando os espaços. O jogo passou a ter poucas chances de gol. A França não forçava o ritmo e Portugal tentava, naquele momento, se segurar como podia.

O segundo tempo não começou diferente. Os franceses tinham mais posse de bola, mas Portugal conseguia atacar em alguns lances, em bolas paradas. A França era pouco criativa, mas ainda conseguia ameaçar. Por isso, foi essencial a atuação de Rui Patrício.

O goleiro português fez sete defesas durante o tempo normal que ajudaram a manter o placar em branco. E quando ele não defendeu, aos 46 minutos do segundo tempo, a bola foi na trave. Gignac, que tinha entrado no lugar de Giroud, teve a chance, mas chutou mal e a bola bateu na trave. Era o fim do jogo. O placar por 0 a 0 persistia.

A prorrogação parecia ser mais uma fadada aos pênaltis. Só que Fernando Santos tinha arriscado ainda no tempo normal. Colocou Éder em campo, um jogador criticado, com a camisa 9 às costas, sem o brilho e muito menos a técnica do grande craque do time. Mas foi dele o chute preciso, de fora da área, que marcou o gol.

Cristiano Ronaldo, à beira do campo, comemorou chorando. O futebol português inteiro estava ali, comemorando com eles. O craque virou assistente técnico. Gesticulava, reclamava com a arbitragem. Esperava o momento de explodir em festa. E quando o árbitro finalmente apitou o fim do jogo, foi uma loucura em campo, com os jogadores pulando, saltando, finalmente percebendo que, sim, eram campeões da Europa.

Cristiano Ronaldo, um craque gigante, capitão, ídolo. Pepe, um zagueiro que foi enorme nesta Eurocopa. Renato Sanches, um garoto que entrou ao longo do torneio para cravar seu lugar no time titular. Um momento que ficará marcado na história. Cristiano Ronaldo ganha um lugar eterno no Olimpo de Portugal. Conseguiu o título que o futebol português não tinha. Escreve seu nome na história do futebol.

Portugal 1×0 França

FRANÇA: Lloris; Sagna, Koscielny, Umtiti e Evra; Pogba e Matuidi; Sissoko (Martial), Payet (Coman) e Griezmann; Giroud (Gignac). Técnico: Didier Deschamps

PORTUGAL: Patrício; Cédric, Fonte, Pepe e Guerreiro; William, Adrien (João Moutinho), J. Mário e Renato Sanches (Éder); Nani e Cristiano Ronaldo (Quaresma). Técnica: Fernando Santos

TRIVELA FC: Conheça nosso programa de relacionamento e marque um golaço pelo jornalismo esportivo independente!