Vencer o Ceará, um dos últimos colocados do campeonato, jogando em casa, é necessário para quem pensa em conquistar o título. Por isso, a vitória do Palmeiras por 2 a 1 sobre o Ceará foi fundamental para que o time alviverde se mantenha na liderança e também dando um passo a mais na direção do título. Foi mais sofrido do que o imaginado, com algumas reviravoltas e mais uma vez um árbitro que parou demais o jogo, mas o Palmeiras conseguiu os três pontos. O destaque foi Bruno Henrique, autor dos dois gols em uma tarde fria e ensolarada no Pacaembu, já que o Allianz Parque está sendo usado para show da colombiana Shakira.

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A vitória sofrida veio diante de um Ceará que jogou muito mais do que a sua posição na tabela poderia sugerir. O time é o 18º colocado, mas vem dificultando muito a vida dos adversários e vendendo caro as derrotas. O time comandado por Lisca marca com muito vigor físico e tem um contra-ataque bastante perigoso.

Como na quarta-feira o Palmeiras tem duelo com o Boca Juniors pela semifinal da Libertadores, o técnico Luiz Felipe Scolari tratou de levar a campo o time do Brasileirão, ou seja, recheado com alguns reservas que se acostumaram a brilhar nessa arrancada da equipe. A zaga foi formada por Antonio Carlos e Edu Dracena, já que o zagueiro Gustavo Gómez não estava disponível. O paraguaio é cotado para ganhar uma vaga no time titular que atua na Libertadores. No mais, o time quase todo reserva. Entre os possíveis titulares contra o Boca, apenas Felipe Melo e Willian, além de Bruno Henrique, outro que pode também pintar como titular no meio da semana.

A vitória foi construída no primeiro tempo, quando o Palmeiras conseguiu sair em vantagem logo aos 13 minutos. Willian tocou de cabeça e a bola bateu no braço de Edinho, que estava bem no alto. A arbitragem de André Luiz de Freitas Castro, de Goiás, foi bastante confusa no lance. Primeiro, apontou o escanteio. Depois, o quarto árbitro parece ter avisado o árbitro que foi com a mão – mesmo estando bem mais longe. O árbitro atendeu e apontou a marca da cal. Bruno Henrique, então, cobrou e marcou 1 a 0. O volante comemorava seu aniversário de 29 anos.

O segundo gol veio ainda no primeiro tempo. Aos 34 minutos, Bruno Henrique recebeu a bola de Lucas Lima fora da área, ajeitou e chutou no canto, acertando a rede lateral e marcando pela segunda vez no dia. Um aniversário certamente inesquecível para o camisa 19 palmeirense e 2 a 0 no placar. O Ceará tinha seus ataques, especialmente com Juninho Quixadá, e fez o goleiro Weverton trabalhar algumas vezes, sempre bem. Tudo parecia controlado para o time do Palmeiras.

Irritado com a arbitragem, o técnico do Ceará, Lisca, acabou expulso de campo e saiu reclamando e fazendo o tradicional gesto de roubo para a arquibancada, onde alguns torcedores do Palmeiras o xingavam. O primeiro ponto negativo para o Palmeiras foi a expulsão de Deyverson. O atacante foi com o pé no peito de Richardson, de forma muito dura. O árbitro não teve nenhuma dúvida em dar o cartão vermelho ao atacante do Palmeiras. Uma expulsão que acabou sendo justa. O jogador saiu de campo pedindo desculpas para a torcida. Mais uma expulsão na carreira do jogador, que segue sendo indisciplinado demais.

O segundo tempo começou animado, com um gol do Ceará logo no início. Arthur completou uma excelente jogada na ponta direita de Calyson. Com o placar em 2 a 1 e um jogador a mais em campo, o Ceará criou complicações para o time de Felipão. Ao mesmo tempo, o Palmeiras, perigoso, criava chances no contragolpe. Willian quase marcou e foi impedido pelo goleiro do Ceará, Éverson. Os times trocaram algumas chances de gol, mas o placar não foi mais mexido.

O jogo teve uma característica que é, infelizmente, do futebol brasileiro: o árbitro parando muito o jogo, marcando faltas em contatos muito leves quando a bola está no meio-campo – sim, porque é claro que o critério não é o mesmo para o campo todo, se não os árbitros como André Luiz de Freitas Castro terminariam cada jogo com um número ainda maior de faltas e de cartões. Só nesse jogo, tivemos oito cartões amarelos, sendo seis deles para o Palmeiras. Um estilo de arbitragem que controla o jogo com faltas, mesmo inexistentes, para diminuir a temperatura do jogo. O que, claro, é prejudicial ao jogo.

Ao Palmeiras, deu a sensação que a dupla de zaga, por assim dizer, do Brasileirão, vinha sendo mais sólida. Luan e Gustavo Gómez são parte do mérito alviverde de ter uma defesa fechada no campeonato. Antônio Carlos estava no lance do gol e não conseguiu cortar o cruzamento. Edu Dracena não comprometeu, mas foi menos eficaz que Gómez. Talvez Felipão tenha descoberto a melhor combinação de zagueiros justamente com aqueles que vinham jogando antes. Veremos se isso se confirma no jogo da Libertadores.

Apesar da luta em campo, o Ceará perde mais uma vez e segue na zona do rebaixamento, com 31 pontos em 29 jogos, dois a menos que o Vitória, que ficou no empate por 2 a 2 com o Corinthians em Salvador. O Palmeiras chega a 62 pontos em 30 jogos e mantém uma série impressionante com Felipão, com 11 vitórias e três empates. É o principal candidato ao título no momento com, no mínimo, a mesma diferença de pontos que tinha para o segundo colocado que na rodada passada, já que o Internacional só entra em campo na segunda-feira.

A solidez do Palmeiras parece difícil de ser vencida e tanto Flamengo quanto Inter devem precisar de um aproveitamento espetacular para superar o time do Allianz Parque. Para o Flamengo, haverá a chance de um duelo na próxima rodada, no Maracanã, para tentar diminuir a diferença, que neste momento é de seis pontos.