Chapecoense e Cruzeiro prometiam um bom jogo no encerramento das oitavas de final da Copa do Brasil. A vitória simples da Raposa no Mineirão deixava o panorama aberto para o reencontro na Arena Condá. E o que se viu em Santa Catarina foi uma Chape cheia de atitude, pressionando e buscando o resultado durante a maior parte do tempo. Ao final, porém, o empate por 0 a 0 e o futebol, como um todo, acabaram eclipsados. Tornou-se supérfluo, tanto pela arbitragem quanto pelo descontrole de tantos ao apito final. É triste que cenas como estas se repitam. Mais triste que seja justamente o Verdão do Oeste, que tantas lições de empatia e solidariedade ensinou nos últimos meses.

Durante o primeiro tempo, o Cruzeiro até buscou no início o gol que poderia ter dado um pouco mais de tranquilidade. Não demoraria para que a Chapecoense equilibrasse o jogo e passasse a criar mais oportunidades. Os anfitriões atacavam com muito vigor pelo lado esquerdo e iam perdoando nas conclusões – seja pelas defesas de Fábio ou pelos chutes que passavam ao lado da meta. Os celestes, então, se resguardavam um pouco mais na defesa, aguardando a chance de contra-ataque.

A confusão começou a tomar forma logo no início da segunda etapa. Em lance questionável, o árbitro Péricles Bassols assinalou falta de Victor Ramos sobre a marcação durante cruzamento na área. Na sequência, Wellington Paulista emendou para as redes. Pressionando, a Chape acertou o travessão com Reinaldo aos 15 minutos e ia buscando o gol. Já o Cruzeiro começou a levar um pouco mais de perigo nos contragolpes, falhando na conclusão. À medida que o tempo passava, o desespero dos anfitriões aumentava. Reclamaram de dois pênaltis não assinalados, além de terem outro gol anulado por impedimento. Mas a pressa atrapalhou, com o excesso de bolas aéreas sem dar resultado.

Por fim, várias cenas deploráveis, em diferentes momentos. Os jogadores da Chapecoense se reuniram ao redor do árbitro, reclamando de suas decisões. O policiamento precisou proteger o quarteto de arbitragem. Na entrada dos vestiários, os dois elencos se desentenderam, com mais confusão. O quarto árbitro foi atingido por um objeto atirado da arquibancada, que deixou o seu rosto sangrando. E o homem que aparentemente se identificou como o responsável por atirar o objeto chegou a ser agredido antes de ser levado por seguranças da Arena Condá.

Esperar que tais imagens não se repitam no futebol, infelizmente, é em vão. Mas havia certas expectativas de que a Chapecoense transmitisse mensagens e valores diferentes. Não foi além de um sonho. Pelas informações superficiais de início, não dá para apontar culpados com veemência, da mesma maneira que os jogadores estavam no direito de questionar o árbitro – e, que fique claro, questionar não é intimidar, como aconteceu. De qualquer maneira, prevalece aquela pitada de desapontamento com tudo o que acontece. Sobretudo, com as agressões gratuitas. Vai-se um pouco da utopia criada na Colômbia. Que o futebol não se transformasse, a expectativa era ao menos de mais respeito. Ao que parece, tudo não passou de idealismo tolo.