A Bulgária causa calafrios em qualquer torcedor francês. O que aconteceu nas Eliminatórias para a Copa de 1994 martela na cabeça dos Bleus, com a traumática derrota causada por Emil Kostadinov nos minutos finais do jogo no Parc des Princes. O confronto deste sábado não tinha o peso decisivo de 24 anos atrás, não guardava um confronto direto e muito menos contava com uma seleção búlgara tão forte. Ainda assim, a França precisou aguentar o sofrimento até o fim. A vitória por 1 a 0 em Sofia garante ao time de Didier Deschamps o direito de ser dono de seu próprio destino, bastando um triunfo contra Belarus na rodada final para se confirmar no Mundial.

No papel, a superioridade da França é gritante. Por mais que o time não contasse com alguns de seus titulares, a força se evidenciava, sobretudo pela linha de frente composta por Antoine Griezmann, Kylian Mbappé e Alexandre Lacazette. Logo aos três minutos, o favoritismo dos franceses se confirmou no placar. Blaise Matuidi encheu o pé quase sem ângulo e deixou os visitantes em vantagem, naquela que se esboçou como uma vitória fácil. Não seria assim durante todo o tempo.

A França tentou impor o seu jogo mais na força física do que propriamente na bola. Teve chances para ampliar no primeiro tempo, desperdiçando bons lances. Porém, a situação começou a complicar nos 15 minutos anteriores ao intervalo. Primeiro, pela lesão de N’Golo Kanté, que deixou o campo para a entrada de Adrien Rabiot. Depois, pela sequência de defesas de Hugo Lloris, que bateu roupa, mas operou um verdadeiro milagre em meio ao bombardeio dos búlgaros. O goleiro era o responsável por evitar o empate.

Já durante o segundo tempo, a França parou. Não conseguia ameaçar a Bulgária com a mesma frequência e parecia preocupada demais em não tomar o empate. Deschamps até tentou oferecer novo fôlego ao ataque, com as entradas de Dimitri Payet e Olivier Giroud. Pouco adiantou. Os búlgaros buscavam uma bola fortuita que garantisse o empate, abusando dos lançamentos longos e dos cruzamentos. Assustaram algumas vezes, mas sem finalizações que dessem novamente tanto trabalho a Lloris. Ao apito final, o alívio dos franceses foi enorme.

A vitória mantém a França na liderança do Grupo A, um ponto à frente da Suécia, que goleou Luxemburgo por 8 a 0 pouco antes. Na rodada final, uma vitória simples classifica os Bleus ao Mundial. O problema é que, depois do que aconteceu em Toulouse contra os luxemburgueses, o time de Didier Deschamps precisa ter consciência que não há margem ao erro. Pega Belarus no Stade de France para cumprir a sua missão, enquanto os suecos visitam a praticamente eliminada Holanda. A velocidade que se viu em Sofia para construir o resultado pode ser útil aos franceses, mas ninguém quer a mesma aflição.