Jude Bellingham viveu a semana mais intensa de sua curta carreira. Alçado como titular do Birmingham City nesta temporada, o meio-campista de 17 anos recém-completados terminaria a Championship como uma das grandes revelações da competição. Acabou vendido ao Borussia Dortmund por €23 milhões. Após disputar sua última partida pelos Blues nesta quarta-feira, o garoto teve até a camisa aposentada pelo clube – uma decisão bastante absurda da diretoria, a quem só jogou 44 partidas como profissional. Ainda assim, foi bacana ver a emoção de Bellingham em sua despedida dentro do Estádio St. Andrew’s.

As boas atuações de Bellingham não foram suficientes para o péssimo final de campanha do Birmingham. O time não venceu uma partida sequer nas últimas 14 rodadas e perdeu seis dos sete compromissos finais na segundona. O prodígio, que atua em diferentes posições no meio-campo, até entrou mais próximo do ataque no duelo contra o Derby County. Não evitou mais uma pancada nesta quarta-feira, com o triunfo por 3 a 1 dos visitantes. Ocupando o 20° lugar, os Blues terminaram duas posições acima do rebaixamento. Mas o desempenho frustrante não diminui a emoção de Bellingham.

Bellingham estava às lágrimas após o apito final e precisou ser consolado por membros da comissão técnica. Depois, o camisa 22 quis sentar sozinho no gramado e admirar as arquibancadas vazias de St. Andrew’s. Uma imagem bem forte de seu amor pelo clube. Nascido na região de West Midland, o inglês é filho de um artilheiro famoso no futebol amador local e começou cedo na base dos Blues. Ingressou aos sete anos e ia aos treinos com seu irmão, que também atuava no clube. Depois de queimar etapas, estrearia no time principal nesta temporada, aos 16 anos.

Nas últimas horas, Bellingham também seria vítima de um lamentável episódio de racismo nas redes sociais, alvo de uma mensagem discriminatória sobre sua transferência ao Dortmund – feita por um torcedor do Manchester United. O jovem se posicionou com veemência depois: “Os tempos precisam mudar. É preciso fazer mais. Não me aprovar como jogador ou mesmo não gostar de mim como pessoa está bem para mim. Mas alguém usar minha raça e estereótipos vergonhosos para criticar uma decisão que tomei para minha carreira está além de mim”. O caso está sendo investigado pela polícia britânica.

Por fim, uma notícia bacana a Bellingham (mas bastante discutível por todo o contexto) foi a decisão do Birmingham em aposentar a camisa 22 para homenagear o prata da casa. O clube justificou, em nota oficial: “Em tão pouco tempo, Jude se tornou uma figura icônica dos Blues, mostrando o que pode ser conquistado através do talento, do trabalho duro e da dedicação. Seu comportamento cuidadoso, humilde e engajado fora de campo também o tornou um modelo impressionante. A camisa 22 se tornou sinônimo de Jude, com sua ascensão com apenas 16 anos e 38 dias e essas qualidades. Como tal, o clube decidiu que seria apropriado aposentar o número, para lembrar um dos nossos e inspirar os outros”

Já o garoto, que não tinha nada para fazer além de agradecer, escreveu: “Não posso agradecer o suficiente ao Birmingham por aquilo que fizeram por mim, não apenas na última temporada, mas desde os sete anos de idade. É claro que desejo a todos associados ao clube sempre o melhor. Uma vez azul, sempre azul”. Aposentadoria de camisa é sempre um tema questionável em todas as circunstâncias. Para um rapaz que só foi revelação em uma temporada, é absurdo. Se serve de consolo, ao menos, vai para alguém apegado às cores do clube e que demonstrou isso na despedida de St. Andrew’s. Mas nada que tire o peso da opinião dos muitos que discordam do anúncio.