Com uma canetada, a Conmebol decidiu proibir boa parte dos elementos que fazem as tradicionais festas nos estádios da América do Sul. Não adiantou. Ao longo dos últimos meses, a confederação continental resolveu aplicar pesadas multas contra os clubes que “desrespeitassem” suas determinações. Também não foi isso que impediu o espetáculo. E qualquer pessoa com o mínimo de inteligência saberia: nenhum decreto conteria a erupção da Bombonera em uma semifinal de Libertadores, diante do River Plate, sob a chance de desencadear uma revanche ao Boca Juniors. O terremoto aconteceu nesta terça.

A Bombonera iniciou seu recebimento muito antes que os times surgissem em campo. E incluiu todos os adereços que causam calafrios na Conmebol – os fogos de artifício, os papéis picados e os trapos, além da intensa cantoria que faz as estruturas do histórico estádio pulsarem. Obviamente, a explosão se tornou ainda mais forte quando os times entraram no gramado. Não havia dúvidas de que seria uma memorável noite de Libertadores, cartolas sul-americanos às favas.

Infelizmente, o pontapé inicial da semifinal teve um considerável atraso de 15 minutos. Os papéis picados tomaram o gramado, inclusive com santinhos no meio. O árbitro Wilton Pereira Sampaio preferiu deixar o campo um pouco mais limpo e o trabalho parcial para retirar os papéis levou tempo. Nada que esfriasse a Bombonera ou diminuísse o ímpeto dos times quando o apito inicial soou. Com ou sem canetada, com ou sem atraso, a festa é um direito das torcidas e uma parte indissociável da identidade da Libertadores. É a partir disso que se alimentam as lembranças e também a cultura de arquibancada.