Fluminense e Cruzeiro ofereceram um embate de filosofias totalmente distintas no Maracanã. De um lado, a proposta de Fernando Diniz, encarando o pragmatismo de Mano Menezes em um mata-mata fora de casa. A partida, naturalmente, acabou moldada pelas propostas de jogo. E, por mais que o empate por 1 a 1 deixe o cenário aberto para o reencontro pelas oitavas de final da Copa do Brasil, a maneira como o duelo se desenrolou não poderia ser mais emblemático. Enquanto o Flu muito tentou no ataque, a Raposa anotou seu gol na única finalização em 90 minutos. Ao final, ambos aquém de satisfazerem seus torcedores.

O Fluminense jogava em casa e, até pelo seu estilo, era esperado que controlasse a partida. Fez isso com notável predominância. Trocando passes e se impondo no campo ofensivo, os tricolores eram claramente superiores no Maracanã. Faltava mais qualidade para quebrar as linhas de marcação, com os avanços concentrados pelos lados. Ganso e Luciano não conseguiam contribuir tanto pelo meio. Na melhor chance, Léo Arthur mandou para fora. No mais, um caminhão de chutes de média distância e sem direção. Enquanto isso, o Flu merecia elogios pela maneira como sufocou a saída de bola do Cruzeiro. Os celestes mal conseguiam trocar passes rumo ao ataque, forçados aos erros. De qualquer forma, apesar da intensidade dos cariocas, a emoção do jogo era mínima.

O problema do Fluminense é que, enquanto sobra vigor no ataque, a defesa precisa manter o foco para não se expor. Justamente o erro fatal que permitiu ao Cruzeiro abrir o placar, aos 12 minutos. Uma roubada de bola na intermediária permitiu a Robinho executar um passe excelente, contra uma zaga mal posicionada. Pedro Rocha se aproveitou disso e avançou para tocar na saída de Rodolfo, balançando as redes. Foi a única finalização dos celestes na partida, vale repetir. Cirúrgico? Ok. Mas insuficiente ao que se espera de um elenco tão estrelado. Os mineiros sequer acertavam os contragolpes.

A partir de então, o relógio começou a jogar contra o Fluminense. Os tricolores seriam obrigados a forçar no ataque. O time até respondeu de imediato, com Luciano, mas o tento foi corretamente anulado por impedimento. Por mais que os anfitriões empurrassem o Cruzeiro contra a parede, tinham dificuldades para se aproximar do gol. E, quando finalizavam, não demonstravam precisão. Do outro lado, os cruzeirenses se davam por satisfeitos com a retranca, tentando gastar o tempo ao máximo.

As esperanças do Fluminense se reforçaram quando as crias da base deram outro ritmo ao time. Aos 35, Marcos Paulo chutou colocado e carimbou o travessão, no que seria um golaço. Os torcedores tricolores esperavam o gol e indicavam sua impaciência com vaias aos seus atletas – contrastadas com os aplausos a Fred, no momento em que antigo ídolo foi substituído. Ao longo de minutos renhidos, o Cruzeiro conseguia rifar as bolas e bloquear muitos chutes. Porém, o lance fatal aconteceu aos 48. Após cobrança de escanteio, Matheus Ferraz desviou e o garoto João Pedro apareceu para fuzilar, vencendo Fábio. O empate, pelo menos, evitava o prejuízo a uma noite superior do Flu.

Os números do jogo são exagerados. O Fluminense teve 20 finalizações, contra uma do Cruzeiro. Os tricolores ainda possuem problemas nevrálgicos a solucionarem, entre a exposição de sua defesa e a falta de efetividade de seu ataque. A quantidade inflacionada de arremates não mostra que poucos renderam oportunidades reais. Contudo, até pelo elenco limitado, os cariocas vêm apresentando mais do que se espera. Por outro lado, os celestes passam uma impressão oposta. Eficiência pode ser um mote, mas os números são irrisórios ao que se aguarda do time de Mano Menezes. O momento não é bom e os apertos se tornaram frequentes nas últimas semanas. O favoritismo ainda está do lado da Raposa, até pelo placar favorável diante do que ocorreu no Rio. No entanto, a paciência se esgota.