O Fluminense aproveitou a dança das cadeiras do futebol brasileiro nesta semana – e a cena patética protagonizada por Ganso e Oswaldo de Oliveira – para anunciar a demissão do treinador, após apenas sete partidas no comando do Tricolor. Um desfecho óbvio desde a sua contratação e que apenas dificultou a posição do clube no mercado.

Quase tão sem sentido quanto a chegada de Oswaldo de Oliveira foi a autoavaliação positiva que o técnico fez sobre seu trabalho, dizendo: “Deixo o Fluminense hoje fora do Z-4 e seguirei na torcida para que o time consiga o objetivo de permanecer na Série A”.

Nos sete jogos em que comandou o Fluminense, Oswaldo somou duas vitórias, dois empates e três derrotas. Tecnicamente, tirou, sim, o time da zona do rebaixamento, mas essa é uma avaliação que não ilustra nem um pouco o seu trabalho.

A falta de resultados de Fernando Diniz criava um argumento forte para quem defendia sua demissão, apesar do padrão de jogo que se notava. O Flu abandonou isso para apostar em um nome que viria para abandonar tudo o que era feito – e sem mesmo a garantia de sucesso, se seu histórico recente servisse de alguma coisa (e deveria).

O último bom trabalho de Oswaldo de Oliveira havia sido no Botafogo, de 2012 a 2013, quando comandou um time que tecnicamente não se sobressaía, ainda que contasse com a liderança técnica e a experiência de Clarence Seedorf. Conquistou a classificação à Libertadores de 2014 e venceu também o Campeonato Carioca de 2013.

Desde então, Oswaldo colecionara insucessos que apenas provavam sua defasagem mesmo em meio ao altamente defasado meio de técnicos brasileiros.

Se alguma coisa, a contratação de Oswaldo de Oliveira serviu apenas dois propósitos: dificultar a contratação de um técnico que de fato terá alguma chance de livrar a equipe do rebaixamento; e expor o problema disciplinar que Paulo Henrique Ganso (e não só ele, dentro do elenco) pode representar quando contrariado por seu comandante.

Segundo o Globo Esporte, desde a contratação de Oswaldo, Ganso já estava incomodado. Havia aceitado se juntar ao Fluminense por, entre outros motivos, gostar do estilo de jogo de Fernando Diniz. Sua queda e a chegada de Oswaldo, obviamente, o aborreceram.

Na última semana, a insatisfação que culminou nas cenas vergonhosas da noite de quinta-feira começou a ganhar forma. Incomodado com os métodos do técnico, o meia jogou fora de posição, falou publicamente que precisava se adaptar ao estilo do novo comandante e passou então a ser substituído frequentemente (cinco vezes nos sete jogos de Oswaldo).

É compreensível a revolta de Ganso, mas inaceitável a postura do jogador de xingar o técnico em público, colocando a torcida contra ele.

O novo treinador – vai saber quem e de que qualidade – precisará não só entrar em uma bagunça para encontrar algum estilo de jogo em meio ao trabalho abandonado de Diniz e ao inacabado de Oswaldo, como chegará já pressionado, ainda que internamente, para manter controle de um grupo que conta com ao menos uma grande figura sem hesitação de expor ao mundo seu descontentamento. E isso sem falar nos problemas que vão além, na própria diretoria e na falta de dinheiro. Boa sorte ao escolhido – boa sorte ao Flu.