Um dos jogos mais esperados do ano acabou em empate, o que não deveria ser surpresa para ninguém diante do futebol que os dois times têm jogado. Grêmio e Flamengo ficaram em um 1 a 1 em Porto Alegre, na Arena Grêmio, pelo jogo de ida das semifinal da Libertadores. Curiosamente deixa um alívio aos mandantes e uma certa frustração nos visitantes. O tricolor arrancou um empate com um segundo tempo melhor, que equilibrou, mas em um jogo que viu o rival dominar amplamente o primeiro tempo, levando muito perigo e ficando perto de marcar mais gols. O Flamengo, por tudo que fez no jogo, sai com a sensação que poderia ter levado uma vantagem ampla para o Rio de Janeiro. O empate mantém um equilíbrio que cria ainda mais expectativa para o segundo jogo, completamente aberto.

O técnico Renato Portaluppi teve que escalar o time sem o volante Maicon, um dos que carimba o estilo de jogo dos gaúchos. Por isso, Michel foi colocado no time titular. Quem também ganhou uma vaga no time foi o zagueiro David Bráz, uma vez que Geromel, lesionado, segue indisponível. No setor ofensivo, Jean Pyerre, machucado, deu lugar a Luan.

O Flamengo não tinha nenhum problema e, por isso, o técnico Jorge Jesus escalou o time com os jogadores que o torcedor já se acostumou de cantar antes de cada jogo. Rafinha, Filipe Luís e Gérson, poupados no fim de semana contra o São Paulo, voltaram à equipe titular.

Os primeiros 25 minutos do Flamengo foram avassaladores. O rubro-negro teve dois lances de gols anulados. No primeiro, aos 21 minutos, Bruno Henrique tocou para Filipe Luís e o lateral cruzou para a área. O goleiro Paulo Victor saiu dando soco e a bola caiu nos pés de Éverton Ribeiro, na entrada da área, com o goleiro adversário caído. Aí, foi moleza: ele chutou no meio e balançou as redes. Só que o lance foi revisado e marcada uma falta de Gabibol em Kannemann. Falta bem marcada.

Logo depois, aos 23 minutos, mais um gol. Bruno Henrique tocou para Gabigol, em profundidade, e o atacante chutou forte, cruzado. O goleiro Paulo Victor foi mal na bola, tocou nela com as mãos moles e a bola entrou. Só que o lance foi anulado logo que a bola entrou: a arbitragem parou por impedimento. O lance foi muito ajustado, como dizem os especialistas em arbitragem. A imagem mostrada pela Conmebol não é conclusiva, mas o impedimento foi marcado. Se houve uma imagem mais conclusiva, ela não foi mostrada.

Aos 38 minutos, a terceira participação decisiva do VAR. Michel deu uma entrada dura em Gérson. Os assistentes chamaram o árbitro Nestor Pitana para a revisão do lance no monitor. Michel acerta o tornozelo de Gérson de forma dura. O lance é discutível, mas é daqueles que poderia ter expulsado como também poderia ter dado apenas o amarelo. O árbitro escolheu a segunda opção.

O segundo tempo foi diferente. O Grêmio voltou melhor, conseguindo controlar mais o jogo e chegando mais ao ataque. Assim, conseguiu chegar duas vezes ao ataque nos primeiros 10 minutos, levando perigo e assustando Digo Alves, obrigado a fazer duas defesas difíceis em lances de Éverton primeiro, depois de Matheus Henrique.

Luan, mais aceso no jogo, melhorou o Grêmio. Éverton também passou a aparecer mais. E o Flamengo se viu obrigado a tentar mudar um pouco o jogo, reduzindo o ritmo. Foi assim, com muitos passes em um lance que ficou procurando, pacientemente, o espaço, que conseguiu um gol.

Eram 24 minutos e o Flamengo estava pressionado com a bola, no campo de ataque, mas conseguia manter a posse mesmo assim. Aliás, parecia estratégico: para tentar voltar ao jogo, o Flamengo parecia esfriar o ímpeto gremista com uma troca de passes, com calma. E foi um minuto completo trocando passes, chegando ao ataque, buscando os espaços.

O time era paciente, mas implacável como a água buscando o menor espaço possível para vencer a barreira. Gérson apareceu na direita, trocou passe com Rafinha, recebeu de volta, achou Arrascaeta e o uruguaio cruzou. Colocou para Bruno Henrique disputar pelo alto com Galhardo, o lateral direito, e o atacante do Flamengo subiu por cima do jogador gremista para tocar de cabeça e marcar: 1 a 0.

O gol esfriou demais o time do Grêmio. A empolgação que o time parece ter ganhado no intervalo e que os primeiros lances do segundo tempo trouxeram parece ter acabado com o gol. Foi preciso que o técnico Renato Portaluppi mudasse o time para conseguir algo do jogo.

Antes do Grêmio mexer, porém, mexeu o Flamengo. Gérson se machucou enquanto comemorava o gol de Bruno Henrique, e ficou no chão com cãibras. Acabbou sendo substituído por Robert Piris da Mota. E, com isso, a qualidade do meio-campo do Flamengo caiu, e muito, especialmente na capacidade de controlar a partida, como fez no lance do gol.

Primeiro, saiu Diego Tardelli e entrou André, o que não mudou muito o time. Depois, saiu Michel e entrou Maicon, um jogador crucial na identidade deste time. Ao mesmo tempo, entrou também Pepê no lugar de Alisson. Estas duas alterações mudaram o jogo como Renato quis.

O Flamengo estava no ataque, com Filipe Luís caído no chão e Éverton Ribeiro, em dúvida sobre o que fazer, bobeou. Perdeu a bola e o Grêmio construiu o ataque com velocidade, trocando passes rápidos. Até que a bola chegou a Maicon, na meia lua, e ele achou Éverton na direita, já dentro da área. O ponta recebeu em boa condição e cruzou muito forte. Pepê chegou para completar, empatando o jogo.

Os gremistas foram para cima nos minutos finais, aproveitando a empolgação, mas não conseguiram chegar ao esperado gol da virada. Seria demais para o que o time apresentou em campo. O time de Renato deixa a primeira partida com um empate com gols em casa, o que não é o resultado dos sonhos de ninguém. O Flamengo até pode lamentar, porque jogou o suficiente para construir uma vantagem importante, que daria a vitória já no primeiro jogo. Mas, mesmo assim, vai para a decisão no Maracanã para vencer por qualquer placar e avançar à final.

O Flamengo teve destaques corriqueiros: Gérson foi bem, assim como Diego Alves, decisivo em duas defesas no início do segundo tempo. Foram os dois destaques do time visitante. Os mandantes tiveram Maicon mudando o jogo, com Luan tendo bons momentos no segundo tempo. Faltou mais futebol de muita gente que se esperava mais. O Grêmio precisará encontrar esse futebol no Rio para voltar classificado e levar à final em Santiago o sonho de mais uma copa.

Por tudo que foi o jogo, o Grêmio pode sair mais satisfeito, apesar de tudo. O time se salvou de uma derrota em casa que complicaria a sua situação no segundo jogo. É verdade que na fase anterior, o Grêmio perdeu em Porto Alegre e buscou a vaga fora, contra o Palmeiras, mas o Flamengo é, atualmente, um time melhor. Além disso, é sempre um risco muito grande ter que depender de uma vitória fora de casa. O Flamengo precisa jogar mais como no primeiro tempo para ter um segundo jogo que permita sair com a vaga.

Serão três semanas de bastante tensão e expectativa para o jogo de volta. O jogo será no dia 23 de outubro, desta vez no Rio de Janeiro. O Grêmio precisa marcar ao menos um gol. Empates por dois ou mais gols classificam o time gaúcho. Empate sem gols classifica o Flamengo. Quem vencer, obviamente, leva a classificação.