Goleada, bom futebol e ataque conseguindo criar chances e aproveitá-las. O que o Flamengo mostrou no estádio Durival de Brito, em Curitiba, não tem sido a marca da equipe ao longo do ano. Um time que dominou o adversário, venceu por 4 a 0 com facilidade e se tornou o melhor ataque do Campeonato Brasileiro, com 48 gols, ultrapassando o Palmeiras, que chegou a 47 com a vitória por 2 a 1 sobre o Ceará. Uma mudança de perspectiva para o Flamengo que mudou de técnico, de atitude, de postura e em campo, com mais rapidez para resolver as jogadas.

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Imaginar o Flamengo de Mauricio Barbieri brigando pelo título parecia claro antes da Copa do Mundo, e quase impossível nos seus últimos jogos no comando do clube. No campo, o time rendia menos do que o esperado e derretia diante de adversários mais fracos. A derrota para o Ceará, no Maracanã, já parecia um ponto de inflexão, mas foi a derrota na Copa do Brasil para o Corinthians que selou o destino do jovem treinador. A chegada de Dorival Júnior parece ter corrigido problemas mais básicos, o que é suficiente para o time se recuperar e passar a jogar mais futebol.

O técnico Dorival Júnior tomou duas decisões bastante difíceis. Tirou do time titular dois jogadores de peso: o meia Diego e o goleiro Diego Alves. A ida do meia Diego para a reserva parece facilmente compreensível pelo encaixe que o time encontrou quando ele saiu por lesão, com William Arão que recuperou o seu futebol. Diego Alves é um caso diferente.

O goleiro, contratado para resolver um problema sério na posição em 2017, foi colocado no banco. Ou melhor, seria colocado: ao saber que não jogaria, o goleiro não gostou e foi afastado. Sequer viajou para o Paraná. Já se fala em punição ao goleiro, segundo informação de Cahe Mota e Raphael Zarko. Não é definitivo, mas a tendência é que ele não volte a atuar com o técnico Dorival Júnior. César foi o goleiro titular contra o Paraná.

Em campo, o que se se viu foi um Flamengo muito menos paciente com a bola. Mais agressivo e tentando resolver mais rápido no ataque. O primeiro gol saiu, aos 18 minutos, com uma roubada de bola no ataque. Uribe tocou para Paquetá, que entrou na área e finalizou para marcar 1 a 0. Seu posicionamento, levemente mais solto para chegar ao ataque e encostar no centroavante, foi importante nesse sentido.

Apesar de ter criado boas chances ainda no primeiro tempo, o segundo gol só veio na etapa final. Depois de cruzamento de William Arão, a zaga do Paraná afastou mal e Vitinho pegou firme, de primeira, para marcar 2 a 0, aos seis minutos. O terceiro, matando o jogo, veio aos 11. Em um contra-ataque, Vitinho tocou para Uribe, livre, tocar na saída do goleiro e fazer 3 a 0. O quarto gol veio com participação de Diego, que entrou na etapa final no lugar de Éverton Ribeiro. Diego tabelou com Uribe, saiu na cara do gol e dividiu com o goleiro Richard. A bola sobrou para Henrique Dourado, que só empurrou para o gol.

O Paraná, praticamente rebaixado, não é mesmo parâmetro. O time paranaense só pode chegar a 41 pontos, o que indica que o rebaixamento é quase certo. O Flamengo, por sua vez, tem muito o que comemorar. Vitinho passou a jogar bem, como se esperava que ele fizesse desde que chegou. Uribe passou a participar bem do jogo, além de marcar gols. O estilo de jogo menos paciente e mais agressivo para resolver as jogadas parece combinar mais com esses jogadores em campo, especialmente Vitinho, Uribe e Paquetá. E isso é ótima notícia. Além do desempenho melhor de William Arão, que vinha o ano todo mal. É para o time ganhar força e tentar o título.

O Flamengo parece em um caminho que não enxergava há pouco mais de um mês. Com o time jogando melhor, sendo mais seguro, passa a ter chances de título no Brasileiro. Precisará, claro, de um desempenho espetacular e contar com tropeços do Palmeiras, algo que não aconteceu ainda com Felipão no comando. De qualquer forma, é um time capaz de ficar ali à espreita e podendo causar esse primeiro tropeço que ele precisa no rival: no sábado que vem, no Maracanã, quando os dois se enfrentarem.