Houve muito debate ao longo da semana sobre qual elenco tem mais qualidade ou é mais completo, mas indiscutivelmente a fase do Flamengo é melhor que a do Palmeiras, e essa diferença foi exposta didaticamente no Maracanã, onde os donos da casa venceram por 3 a 0 com uma tranquilidade estranha a um confronto entre candidatos a título, mas absolutamente normal quando um trabalho em evolução enfrenta outro em deterioração.

E talvez nada ilustre melhor a situação do que o fato de que esta foi a primeira vez que este Palmeiras de Felipão levou três gols em um mesmo jogo, evidência clara de que a repentina fragilidade defensiva apresentada depois da Copa América não foi mero acaso e que pouco melhorou nas últimas semanas.

Passado o susto do gol anulado de Matheus Fernandes por impedimento, o Flamengo não teve que fazer nada além de colocar a bola no chão e trocar passes para os gols começarem a aparecer. O primeiro, de Gabigol, foi muito bonito, com um toque por cima de Weverton. Dominava a posse de bola e chegava com perigo, embora não finalizasse tanto.

Antes do intervalo, Bruno Henrique caiu pela direita e cruzou para Arrascaeta ampliar, e o Palmeiras teve um segundo gol anulado por impedimento. Um pênalti de Diogo Barbosa em Rafinha, convertido por Gabigol no segundo tempo, matou a parada.

Aos 26 minutos do segundo tempo, após mais de uma hora de futebol, o Palmeiras deu seu primeiro chute, seja certo, errado, bloqueado ou mascado, com exceção dos dois gols anulados, para ganhar um escanteio, e Felipe Melo dobrou o total mandando de cabeça para fora. Não daria mais nenhum, e a entrada de Jean no lugar de Bruno Henrique foi a confissão de que o jogo havia acabado há muito tempo.

Cada vez mais, dá gosto ver o Flamengo jogar. Está encontrando um equilíbrio entre o ataque e a defesa, sem sofrer gol em três das última quatro partidas, e a combinação organizada dos talentos em todas a posições gera uma produção ofensiva estupenda. À medida em que as vitórias vão se enfileirando, algumas categóricas como esta, a confiança dos jogadores aumenta. A melhor notícia ao flamenguista é que Jorge Jesus comanda o time há apenas dois meses, o que provavelmente significa que ainda há espaço para evolução.

Enquanto isso, o Palmeiras está perdido. O estilo de jogo que valeu o título brasileiro do ano passado não tem funcionado e a curva é inversa à do Flamengo. Eliminado das duas copas, o Brasileirão pode ser a salvação, mas, para continuar na briga, Felipão precisa pelo menos reencontrar o desempenho que o seu time já teve o mais rápido possível.

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