O Liverpool foi superior ao Paris Saint-Germain em quase toda a partida. Abriu 2 a 0 e levou o empate, pouco antes do intervalo. Controlou o segundo tempo, como poucas vezes se viu sob o comando de Jürgen Klopp, mas levou o empate de Kylian Mbappé. Uma vitória que parecia certa escapava pelos dedos vermelhos quando Roberto Firmino saiu para salvá-la: 3 a 2, aos 46 minutos do segundo tempo.

A novidade da partida foi a maneira como o Liverpool conseguiu administrar a sua vantagem na etapa final, mantendo a posse de bola, sem pressa, em contraste com o ritmo sempre acelerado que se tornou marca desta equipe. É um sinal de maturidade, e contribuiu o jogo fraco do Paris Saint-Germain. Mas, contra um ataque que tem Neymar, Mbappé e Cavani, qualquer vacilo pode ser fatal.

Foram dois, na realidade, porque o PSG pouco conseguiu criar contra a renovada defesa do Liverpool, um dos pontos fortes das seis vitórias em seis partidas neste começo de temporada. Os franceses passaram boa parte da partida em apuros, nunca conseguiram assumir o controle dela e mal ameaçaram Alisson com jogadas trabalhadas. No entanto, o ataque vermelho, tão confiável na última temporada, falhou na hora de decidir e abriu a janela que o adversário aproveitou.

O Liverpool começou a partida em velocidade máxima. Intensidade total, pressão incessante. Em 13 minutos, havia cavado sete escanteios e exigido defesas importantes de Areola, como em um cruzamento de Milner que Van Dijk completou, e o goleiro francês espalmou para fora. Ele voltou a trabalhar em um chute do meia inglês de fora da área, com direção, e evitou que o Liverpool abrisse o placar. A resposta veio com Neymar, que encheu a bomba em cima de Alisson. O goleiro brasileiro foi mal no lance e deu rebote, mas Cavani não conseguiu completar.

A partida esfriou, por volta dos 25 minutos, e o Paris Saint-Germain conseguiu ficar com a bola no pé e tentar encontrar buracos na defesa do Liverpool. Não os encontrou. Aos 30, Alexander-Arnold cruzou da direita, ninguém cortou, e Robertson recolheu na outra lateral do gramado. O centro foi perfeito para passar por Thiago Silva e morrer na cabeça de Sturridge, substituindo Firmino que teve um dedo enfiado em seu olho no fim de semana. Cabeçada sem chances para Areola.

Logo em seguida, Wijnaldum entrava driblando dentro da área quando foi calçado por Juan Bernat. Pênalti. Milner soltou um míssil no canto direito e ampliou para os donos da casa. O PSG chegava pouco, mas conseguiu descontar antes do intervalo. O cruzamento buscava Cavani, que emendou uma bicicleta furada. A bola bateu em um assustado Robertson e sobrou para Meunier completar ao canto de Alisson.

No segundo tempo, o Liverpool conseguiu trabalhar a bola para administrar a sua vantagem, criando chances ocasionais de matar a partida. Sturridge desperdiçou uma delas, ao errar o domínio que o deixaria cara a cara com Areola. A bola escapou, o inglês ainda tentou dividir, mas fez falta no goleiro. Salah marcou na sequência, mas o árbitro anulou o tento por causa da infração. Sturridge também errou o tempo da cabeçada em bom cruzamento de Alexander-Arnold.

Salah pegou uma rebatida dentro da área e mandou para fora. Não por causa desse lance, mas por outros em que prendeu demais a bola e tomou a decisão errada, ficou clara a queda de rendimento do egípcio, o grande craque do time na última temporada. Pouco depois de Mané perder outra boa chance de fazer 3 a 1, o passe de Salah na saída de bola ficou curto, Neymar avançou costurando e dividiu com a zaga. Sobrou para Mbappé mandar para as redes e empatar.

Era um castigo duro para o Liverpool, que havia feito o necessário para ganhar do PSG com alguma tranquilidade. Mas falhara nas finalizações e deixara espaços que os atacantes dos franceses nunca perdoam. Somente aos 46 minutos, Roberto Firmino recebeu dentro da área, limpou Marquinhos e mandou um belo chute cruzado para determinar o resultado final.

A vitória foi importante para o Liverpool, para arrancar bem em um grupo difícil da Champions League, e também pelo desempenho demonstrado contra um adversário do nível dos que precisa enfrentar para chegar mais uma vez longe na competição. O resultado acabou sendo colocado em risco porque o adversário, ainda longe de ter um coletivo afiado, tem qualidade suficiente em seu elenco para complicar qualquer um. Mas o Liverpool também, como provou Roberto Firmino.