Jogo amarrado, Brasil tenso, mal conseguindo invadir a área da Costa Rica. Era necessário mudar para o segundo tempo em São Petersburgo. E a Seleção se transformou para conquistar uma vitória apertada, arrancada apenas nos minutos finais, mas que contou com dois claros talentos saindo do banco de reservas: Douglas Costa e Roberto Firmino. Enquanto o ponta bagunçou com o sistema defensivo costarriquenho e deu muito mais alternativas para o Brasil ameaçar a meta de Keylor Navas, o centroavante ajudou a mudar o sistema tático e teve participações decisivas. Pedem passagem.

Em um Brasil lento para atacar, o lado direito foi inoperante durante o primeiro tempo. Ao contrário do que exibiu nos últimos amistosos, principalmente contra a Croácia, Willian estava totalmente fora do jogo. Até apareceu um pouco mais durante os minutos anteriores ao intervalo, mas errou quase tudo o que tentou. Pior, tentava afunilar demais o jogo, quando as fraquezas já exibidas por aquele lado da defesa da Costa Rica necessitavam bem mais de alguém que explorasse a linha de fundo. Foi o que Douglas Costa ofereceu a partir da etapa complementar.

Douglas Costa vinha de um momento excelente com a Juventus. Se os bianconeri conseguiram se distanciar do Napoli com tanta propriedade na reta final do Campeonato Italiano, precisam agradecer às atuações do ponta. O brasileiro fez uma série de grandes partidas, incisivo, criando oportunidades. Saindo do banco de reservas, foi vital em vitórias da Velha Senhora. No entanto, chegou à Copa como uma alternativa a Tite. Willian podia ser uma arma pelos chutes de fora e os amistosos anteriores serviram para o treinador manter a confiança nele. Mas esta, definitivamente, era uma partida para o juventino.

Quando Douglas Costa entrou, o Brasil deixou de jogar apenas pelo lado esquerdo do ataque. Até poderia iniciar a saída de bola por ali, com a confiança em Marcelo, mas deixou de armar e concluir as jogadas agudas apenas naquele flanco. Se durante o (final) do primeiro tempo as finalizações da Seleção se resumiam a chutes da entrada da área pela esquerda, no segundo tempo a equipe passava a tentar o passe final pela direita, a partir dos cruzamentos de Douglas Costa. O camisa 7 encarava a marcação, buscava as fintas, cruzava para dentro da área. Foram sete dribles ao longo da tarde, dois a menos que todo o restante do time brasileiro durante os 45 minutos finais. Transformou-se em uma bola de confiança, quando Philippe Coutinho não tinha liberdade pelo meio e Neymar era letárgico em suas ações, por mais que tentasse resolver.

O Brasil cresceu com Douglas Costa, coletivamente e também individualmente. Se Fagner não é o lateral dos sonhos, fez um jogo correto, apesar de um erro que quase custou caro. Apresentou-se à frente e criou algumas chances. Além disso, o próprio Paulinho melhorou. Depois de um primeiro tempo fraquíssimo, o meio-campista entrou na partida e passou a invadir a área, a aparecer para concluir as jogadas. É o que se espera dele, embora existam dúvidas sobre as suas condições físicas. Por isso mesmo, Tite mudou. E se na primeira rodada a falta de inventividade nas alterações gerou críticas, desta vez o treinador precisa ser elogiado. Ousou e mudou a postura do time com a entrada de Roberto Firmino, que se tornou um segundo atacante, auxiliando na circulação – em função mais parecida ao que fazia em seus tempos de Hoffenheim, mas com todos os predicados desenvolvidos nos tempos de Liverpool.

Firmino entrou em campo aos 23 do segundo tempo. Foi acionado 17 vezes, sete delas dentro da área, mas também buscou a bola na direita e na esquerda, recuou à intermediária para aumentar a qualidade na criação. As participações do alagoano valeram demais, justamente por ser um atacante que potencializa o jogo de seus companheiros – como Sadio Mané e Mohamed Salah bem sabem. Com isso, Gabriel Jesus virou muito mais um atacante de área, para os lances de definição. No mesmo intervalo de tempo, foi acionado apenas quatro vezes, embora tenha aparecido em duas ótimas jogadas brasileiras.

Os lances decisivos, de qualquer forma, contaram com as incursões de Douglas Costa e Firmino. A jogada do reclamado pênalti nasceu em uma arrancada de Douglas Costa, passando para Jesus. O camisa 9 deu um inteligente passe de calcanhar a Neymar, que demorou demais a finalizar e preferiu encenar. Já o primeiro gol contou com um cruzamento escorado por Firmino, antes que Jesus tentasse realizar o domínio e Coutinho chegasse arrematando. Depois, Firmino quase ampliou com uma ótima tabela, falhando no chute. Por fim, o merecido reconhecimento a Douglas, que avançou por uma avenida na direita e deu o cruzamento na medida a Neymar fechar a conta.

O Brasil ainda tem suas questões a resolver. A Costa Rica é um adversário débil, que se preocupou apenas em se defender, mas deixou espaços entre as linhas e foi praticamente nula no ataque durante o segundo tempo. A Seleção precisa melhorar seu aproveitamento nas conclusões, com chutes salvos por Navas ou bloqueados na defesa, mas mesmo assim como muitos erros diante da meta adversária. No entanto, não se nega que o Brasil melhorou no segundo tempo, pela maneira como se impôs, apesar da falta de uma organização maior. Douglas Costa se torna uma escolha praticamente compulsória, valendo em 45 minutos mais do que os 135 anteriores de Willian na Copa. Já a participatividade de Firmino também se mostra importante, quando Gabriel Jesus teve algumas boas jogadas pontuais, mas não foi tão efetivo durante a maior parte do tempo. Questões a se pensar e primordiais antes do encontro com a Sérvia, jogo que propõe um desafio bem mais duro aos brasileiros.


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