Depois de vários anos, os torcedores ingleses podem voltar a sorrir com sua seleção. Após uma tranqüila vitória por 3 a 0 sobre Israel, no fim de semana, a Inglaterra repetiu o placar contra a Rússia, na quarta-feira, no que foi a melhor exibição do English Team nos últimos anos.

Dois fatores aumentam a importância das vitórias. Primeiro, é o fato de que o English Team realmente jogou bem. Enfrentando um adversário limitado – mas que costuma ser um visitante incômodo, tanto que não perdia fora de casa há quase quatro anos –, a Inglaterra tomou conta do jogo, não deixou Israel ameaçar em nenhum momento e ainda mostrou criatividade na armação de jogadas, coisa que tem sido extremamente rara nos últimos anos.

Em segundo lugar, as vitórias são boas para o moral porque foram conseguidas com um time muito desfalcado. Dos 11 jogadores que entraram em campo, no máximo sete podem ser considerados titulares. Entre os desfalques, estavam alguns dos nomes mais importantes do time: Rooney, Lampard, Beckham e Hargreaves.

E foram justamente alguns dos reservas que se destacaram: Micah Richards e Shaun Wright-Phillips, que, pela direita, foram ameaças constantes aos israelenses. Os dois mostraram bastante habilidade e força ofensiva, além de dar um tempero de imprevisibilidade ao time. Heskey, no ataque, também soube cumprir seu papel, apesar de ter perdido alguns gols fáceis. Owen foi excelente, com três gols marcados, e provou que já está recuperado o bastante para ser titular absoluto da seleção.

Aliás, agora McClaren tem um problema: o que fazer quando os titulares estiverem novamente disponíveis? Wright-Phillips foi excelente, mas sua posição é a mesma de David Beckham. Heskey foi bem, mas não dá para deixar Rooney de fora do time – isso para não falar de Crouch, que seria seu substituto imediato. Barry mais que deu conta do recado, mas já brigam por seu lugar no time Hargreaves e Lampard.

Com as duas vitórias, a Inglaterra agora está de volta no controle de seu destino. E o melhor é que não precisa mais vencer nenhum dos ‘grandes’ do grupo. Basta derrotar a Estônia em casa e depois empatar com Croácia e Rússia que a classificação está garantida. Mais do que o lugar na Euro, esses três jogos também valerão para mostrar se McClaren realmente encontrou o caminho para a seleção ou se esta foi só uma semana feliz.

Escócia sorri, Irlanda do Norte chora

Apesar da ótima vitória da Inglaterra sobre a Rússia, quem entrasse no site da BBC após a rodada desta quarta-feira não veria os ingleses no destaque principal. Quem estava lá era a seleção da Escócia, que conseguiu uma inacreditável vitória sobre a França por 1 a 0, em Paris. É bom lembrar que, no encontro anterior entre as equipes, em Glasgow, os escoceses também saíram vitoriosos.

A partida, na verdade, pode ser resumida assim: a França atacando e a Escócia se defendendo. Mas, de qualquer forma, foi uma prova de que a defesa escocesa é muito boa. E de que, hoje, no futebol europeu, nenhuma seleção tem tanta garra quanto a escocesa.

De maneira absolutamente surpreendente, a Escócia agora lidera o grupo B, com 21 pontos, um a mais que a Itália e dois à frente da França. Para azar dos escoceses, os outros resultados da rodada não lhes permitiram abrir uma vantagem mais confortável, e a margem de erro para os últimos três jogos segue sendo muito pequena. Para se classificar, a Escócia precisa vencer a Ucrânia e a Geórgia e, na última rodada, descolar um empate contra a Itália. Pelo que a equipe já mostrou até agora, são resultados factíveis – mas nada fáceis.

O que pode ajudar os escoceses é o fato de que a Ucrânia está desmoralizada, depois da derrota para a Itália e do empate com a Geórgia, e que, na partida decisiva com a Azzurra, é possível que um empate seja um bom resultado para ambas as equipes. Mas, agora, pouca gente está fazendo as contas na Escócia. A hora é de festejar!

Por outro lado, a Irlanda do Norte está em crise. A equipe, hoje, poderia ser a líder do grupo F, com três pontos de vantagem, mas perdeu seus dois jogos na semana. E o pior é que os adversários eram fáceis: a Letônia e a Islândia. As derrotas acabaram com o ambiente, e jogadores da seleção chegaram a se agredir no avião, enquanto voltavam ao Reino Unido. Matematicamente, os irlandeses ainda dependem só de si para se classificarem. Mas, hoje, ninguém acredita que seja possível eles conseguirem bons resultados contra Suécia, Espanha e Dinamarca.

Os outros dois times das Ilhas Britânicas, Gales e Irlanda, já estão fora da Eurocopa. Os irlandeses jogaram a toalha nesta quarta-feira, quando perderam para a República Tcheca, sua adversária direta, por 1 a 0. Agora, estão a seis pontos da zona de classificação. Os galeses perderam qualquer chance de sonhar no domingo, quando foram derrotados pela Alemanha. Mas, na quarta-feira, surpreenderam ao golear a Eslováquia por 5 a 2. A vitória, na prática, não serve para nada, mas pelo menos dá um pouco de esperanças para o futuro da seleção.

CURTAS

– Milagre! Um clube pequeno teve lucro!

– Quem conseguiu o feito foi o Hibernian, que ganhou € 11 milhões na última temporada.

– Contribuíram para os resultados, além dos gastos bem administrados, os bons resultados obtidos dentro de campo e as vendas de alguns jogadores.

– Nos acréscimos, rolou mais um negócio na Premier League: o Fulham trocou Liam Rosenior por Ki-Hyeon Seol, do Reading.

– E por que estou falando da troca de dois jogadores de segundo nível em times secundários da Premier League?

– É por causa do Fulham, que parece que está querendo bater algum recorde de negociações.

– Desde maio, a equipe já contratou 11 jogadores e vendeu oito. Isso sem contar os dois que chegaram por empréstimo e os cinco que foram dispensados.

– Morreu nesta terça-feira Ian Porterfield, aos 61 anos. Ele sofria de câncer.

– O nome dele pode soar familiar, já que era o técnico da Armênia em agosto, quando a equipe arrancou um empate por 1 a 1 com Portugal, pelas eliminatórias para a Euro-2008.

– Na Inglaterra, Porterfield é mais conhecido como um dos melhores jogadores da história do Sunderland, tendo marcado o gol que deu aos Black Cats o título da FA Cup de 1973.

– Como técnico, dirigiu Sheffield United, Aberdeen, Reading e Chelsea, entre outras equipes e seleções.

– No Aberdeen, aliás, Porterfield sucedeu ninguém menos que Alex Ferguson.