A Bola de Ouro, da France Football, passará a ter também uma edição feminina do prêmio. Finalmente, a mais tradicional premiação de melhor jogador na Europa finalmente terá também a sua edição feminina. Isso só aconteceu nos anos que o prêmio esteve junto com a Fifa, de 2010 a 2016. No dia 3 de dezembro, pela primeira vez, haverá uma mulher vencedora. Já era hora de ter uma edição feminina. O tradicionalismo do futebol demora a se adaptar a mudanças.

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Criada em 1956, quando Stanley Matthews venceu, a Bola de Ouro se tornou um prêmio muito tradicional do futebol europeu. Até 1995, apenas os jogadores europeus eram premiados. Naquele ano, o prêmio passou a ser oferecido também a jogadores nascidos fora da Europa, mas que atuassem por clubes europeus. De 2007 em diante, a premiação passou a abranger todo o mundo, incluindo assim jogadores de outras partes do mundo, embora isso siga sendo muito raro. Agora, em 2018, nova mudança, com a criação do prêmio feminino.

Desde a separação do prêmio da Fifa, em 2016, a Bola de Ouro já deveria ter uma versão feminina. Mesmo no período que esteve junto da Fifa, a premiação com o nome de Bola de Ouro era apenas a masculina. A feminina seguia com o nome anterior que a Fifa dava, de Jogadora do Ano. Dois anos depois, finalmente a France Football criou o versão feminina do prêmio.

“Em um momento que o lugar da mulher gera tanto debate na sociedade, a chegada deste prêmio não é oportunista. Esta é apenas a evolução lógica por uma disciplina crescente. Este boom se reflete no surgimento de várias marcas cada vez mais estruturadas (Lyon, Wolfsburg, PSG, Manchester City, Chelsea…), assim como o número de licenças (mais de cinco milhões no mundo, incluindo 165 mil na França), audiência na TV (764 milhões de expectadores na Copa do Mundo de 2015) e grandes públicos (sete jogos com mais de 50 mil pessoas na Copa 2015 no Canadá)”, diz o site da France Football, justificando a criação do prêmio.

“O nascimento da Bola de Ouro é um passo mais perto da evolução do nosso esporte, que está progredindo bem”, afirma Wendie Renard, jogadora do Lyon e da seleção da França. “É um passo adiante, o futebol feminino está evoluindo e a desigualdade está diminuindo, embora ainda haja espaço para melhoras”.

Quem também comemorou foi a brasileira Marta, dona de cinco prêmios de melhor do mundo da Fifa. “Eu sempre quis ver uma mulher vencer esse prestigioso prêmio”, afirmou a brasileira. “É um passo na direção de mais igualdade ver esse prêmio, tão importante no mundo do futebol, ser dado às jogadoras”.

Em outubro, serão divulgados 30 finalistas do masculino e 15 finalistas do feminino. A entrega dos prêmios masculino e feminino será no dia 3 de dezembro, em Paris. No prêmio da Fifa, The Best, a americana Carl Lloyd venceu em 2016 e a holandesa Lieke Martens venceu em 2017. Em 2018, as finalistas são Ada Hegerberg, da Noruega e do Lyon, Dzsenifer Marozsán, da Alemanha e do Lyon, e Marta, do Orlando Pride e do Brasil.

Em um país que tem o time mais dominante do futebol feminino europeu, o Lyon, a premiação chega com atraso, mas é importante que exista. Ainda mais porque tem uma fórmula de premiação diferente da Fifa, que conta com mais especialistas votando. É possível que tenhamos diferentes premiadas entre The Best e Bola de Ouro.