Em busca de seu primeiro título nacional, o Náutico, de 22 conquistas estaduais, foi para o jogo de ida da final da Série C do Brasileirão, no Estádio dos Aflitos, contra o Sampaio Corrêa, com o objetivo de deixar pouco a se definir para a partida de volta. O primeiro tempo não foi de acordo com o plano, mas a resposta na segunda etapa foi efetiva, decretou o 3 a 1 para os anfitriões e aproximou o Timbu de sua meta.

Antes do jogo, o lateral Willian Simões pregava que o Náutico não podia deixar a decisão para a segunda partida. Era preciso, segundo ele, apertar o Sampaio Corrêa desde o princípio. Porém, o contrário é que se materializou. O clube maranhense pressionou os donos da casa no início da partida, ditando o ritmo do jogo com transições rápidas e forçando o goleiro Jefferson a trabalhar.

Sem criatividade, o Náutico buscava ligações diretas e contava com jogadas de bola parada para tentar levar perigo. Como não conseguia, o Sampaio Corrêa resolveu dar aquela ajudinha. Aos 28 minutos, Jean Carlos cobrou escanteio pelo Timbu, o goleiro Andrey escorregou e ficou vendido no lance, e Victor foi tentar afastar a bola com um chutão, mas ela pegou em Hulk e entrou contra a própria meta dos maranhenses.

Apenas cinco minutos depois, o Sampaio Corrêa conseguiu o empate com Roney. O atacante estava esperto e, ao ver a bola tomar rumo improvável após um chutão mal-sucedido de Josa, foi rápido para se antecipar à defesa e bater forte, no ângulo, para marcar um golaço.

A conversa de intervalo de Gilmar Dal Pozzo deve ter sido bastante enérgica, lembrando aos jogadores o que eles próprios haviam assumido como compromisso publicamente antes da partida. Isso porque a postura mudou na segunda etapa, com o time dominando a posse de bola e investindo menos em bolas longas. Ainda assim, foi pelo alto que vieram os gols.

Aos nove minutos da segunda etapa, Willian Simões cruzou, e Camutanga subiu mais alto que todos, inclusive o goleiro, para desviar de cabeça e colocar novamente o Timbu à frente. Momento especial para o zagueiro, que não marcava desde janeiro de 2018 e escolheu a melhor hora para fazer as pazes com a rede.

O Sampaio Corrêa não se contentou com a desvantagem reversível de um gol e jogou para buscar o empate, mas, em sua melhor chance, apenas parou em grande defesa de Jefferson. Ao Náutico, o 2 a 1 não era o bastante, então o time seguiu pressionando e, perto do fim, aos 41 minutos, conseguiu o terceiro. Jhonnatan aproveitou sobra de bola levantada na área, dominou no peito e bateu baixo, no canto direito de Andrey, para matar o jogo em 3 a 1.

A missão do Sampaio Corrêa ficou menos alcançável, e o time precisará que jogadores ofensivos como Esquerdinha e Salatiel Júnior, que dificultaram a vida da defesa do Náutico neste domingo, tenham desempenho ainda mais decisivo na volta, marcada para o próximo domingo (6), em São Luís.

Já o Timbu, com sua primeira missão bem cumprida, tem uma semana para se preparar mentalmente para chegar e manter o controle do jogo e a calma, contando com vantagem tão boa. O título nacional, que tanto falta na galeria do clube, é agora quase questão de detalhes. Mas os detalhes podem ser especialmente cruéis em finais – não é mesmo, Victor e Hulk?