Real Madrid e Sevilla já eram equipes em patamares diferentes na temporada passada. Com os reforços que chegaram ao time de Carlo Ancelotti e a perda de Rakitic no clube andaluz para aumentar essa distância, ninguém esperava que essa decisão de Supercopa da Europa fosse equilibrada – e não foi mesmo. Os blancos fizeram da partida que abre a temporada de competições europeias a sua própria parada militar, exibindo suas novas armas e seu poder de destruição. Não foi nada esmagador, mas tampouco o Sevilla conseguiu segurar seu jogo. Limitou-se a segurar o máximo que pode o adversário e não fez feio, com a derrota por apenas 2 a 0.

VEJA TAMBÉM: Robin Williams também arrancava gargalhadas falando de futebol

O duelo não foi um teste de verdade para esse time reforçado do Real. Serviu para que todos vissem o grande time que Florentino Pérez formou. Carlo Ancelotti, muito mais hesitante no início da temporada passada ao incorporar Bale ao time titular logo após sua chegada, desta vez colocou o que tinha de melhor e de mais badalado do meio-campo para a frente. Na ligação entre defesa e ataque, Modric, Kroos e James Rodríguez, e o trio formado por Cristiano Ronaldo, o próprio galês e Benzema mais avançados. Isso mesmo, sem nenhum jogador de cacracterísticas mais defensivas.

Para essa partida, Ancelotti de fato não precisava ter tanta preocupação defensiva. Pôde, então, ceder aos apelos midiáticos de se escalar os titulares como em um videogame. Ainda assim, o jogo em Cardiff serviu para mostrar na prática o que todos sabiam na teoria: não vai dar para escalar esse time o tempo todo em partidas de grande porte, a não ser que marque de cinco gols para cima. Pela fraqueza do Sevilla diante do Real, a opção do técnico italiano não causou prejuízos aos blancos. Porém, até mesmo o time andaluz teve facilidade para chegar ao ataque nas poucas vezes em que teve a bola, devido à debilidade defensiva.

Ao escolher James Rodríguez para fechar o trio de meio-campistas com Kroos e Modric, Ancelotti esperava do colombiano auxílio na marcação semelhante ao provido por Di María. Ainda em período de adaptação no clube, é claro, James não fez o papel tão bem quanto o argentino, que já aperfeiçoou bastante sua função na equipe. Sua movimentação ofensiva também deixou a desejar, mas a grande bobeira aconteceu quando foi tomar a bola na própria defesa, perdeu a bola e só não viu o Real tomar o gol porque Casillas fechou o ângulo do atacante que havia pego a bola.

Bale não marcou na volta a Cardiff, mas foi importante na vitória, com uma assistência (AP Photo/Alastair Grant)
Bale não marcou na volta a Cardiff, mas foi importante na vitória, com uma assistência (AP Photo/Alastair Grant)

A movimentação não foi um problema só de James. Na primeira etapa, todo o setor ofensivo estava encontrando dificuldade para penetrar na retranca armada pelo Sevilla, e o comportamento estático de alguns jogadores não contribuía em nada. Eventualmente, a equipe encontrou a melhor maneira, principalmente com Benzema saindo bem da área para dar espaço às subidas de Cristiano Ronaldo e com o português invertendo os flancos com Bale. Foi com essa segunda movimentação inclusive que saiu o primeiro gol, com o galês cruzando bola da esquerda para o camisa 7 completar na segunda trave, pela direita.

No fim das contas, o talento do elenco madridista se sobressaiu em relação à novidade dos atletas recém-chegados, em uma partida que era mais festiva do que qualquer outra coisa. Deu certo dessa vez e pode dar certo contra Levante, Getafe e Elche, por exemplo. Mas para jogos maiores, contra outros grandes europeus, não dá para esperar a mesma escalação. Não que isso seja um problema para Ancelotti. Opções de nomes e esquemas e estilos de jogo são o que não faltam para o italiano, que hoje ocupa o cargo mais confortável que um técnico poderia desejar no futebol mundial.