Um ano é tempo demais no futebol, muita coisa pode acontecer, mas nem o mais otimista torcedor do Huracán poderia imaginar uma mudança de sorte tão grande. O ciclo positivo foi iniciado em 26 de novembro de 2014, com o título da Copa Argentina, e exatamente um ano depois, em 26 de novembro, culminou na classificação histórica da equipe à final da Copa Sul-Americana, eliminando o River Plate com o empate em 2 a 2, após vitória na ida, em pleno Monumental, por 1 a 0.

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Tudo começou com o triunfo por 5 a 4 nos pênaltis contra o Rosario Central, garantindo o título da Copa Argentina. A primeira conquista nacional relevante desde o título da primeira divisão em 1973. À época na segunda divisão, o Huracán então bateu o Atlético Tucumán por 4 a 1, 20 dias depois, garantindo o retorno à elite argentina.

A conquista da Copa Argentina garantira ao Globo, como é conhecido o time, uma vaga na pré-Libertadores, onde enfrentaria o Alianza Lima, e também a disputa da Supercopa Argentina, contra o River Plate. A equipe passou pelos peruanos e, na fase de grupos da competição continental, ficou a uma vitória de chegar às oitavas de final. Se vencesse a rodada final contra o Mineros de Guayana, avançaria, mas acabou frustrada por um revés por 3 a 0, talvez a maior decepção de novembro do ano passado para cá. Já contra os Millonarios, conseguiram mais uma taça, com a vitória por 1 a 0 em San Juan.

O Huracán teve bom início na Copa Sul-Americana desse ano, com a goleada por 5 a 2 sobre o Tigre, fora de casa, no fim de agosto. Paralelamente, vivia naquele mês uma péssima sequência de resultados no Campeonato Argentino, que incluiu três empates e uma derrota por 3 a 0 para o Nueva Chicago em quatro rodadas. Conforme ia avançando na competição continental, eliminando inclusive o Sport, o desempenho continuava fraco no Argentinão, e o risco de retorno para a segundona era grande, mesmo em um campeonato inchado.

O péssimo momento nacional rendeu ainda em agosto a demissão de Néstor Apuzzo, técnico que havia garantido a Copa Argentina e a volta à primeira divisão. Para assumir seu lugar, Eduardo Domínguez, que até então era zagueiro e compunha o elenco, anunciou sua aposentadoria e tomou a prancheta. Foi já sob seu comando que o time goleou o Tigre na Sul-Americana.

O início de carreira como técnico de Domínguez não poderia ser melhor. Conseguiu, na última rodada do Campeonato Argentino,  evitar o rebaixamento de volta à segunda divisão e, agora, exatamente um ano depois do título que deu início ao ano mágico do Globo, conseguiu a inédita vaga a uma decisão continental. Algo já histórico para um time do porte do Huracán – mais ou menos como foi a chegada da Ponte Preta à final da mesma competição em 2013 – e que ganha ainda mais relevância pela fase vivida pelo time e pela coincidência das datas. Independentemente do resultado diante do Santa Fe, nos dias 2 e 9 de dezembro, 2015 será sempre lembrado como um ano especial para os Quemeros.