Final da Copa do Nordeste será repetida pela primeira vez com duelo entre o constante Bahia e o invicto Ceará

Os dois times decidiram a Lampions em 2015 e farão a primeira repetição de finalíssima, com caminhadas bem diferentes até a decisão

Por José Pereira, do Baião de Dois

Um tabu foi quebrado desde o retorno da Copa do Nordeste no ano de 2013. Deste então, sempre tivemos um campeão inédito. Na verdade, sequer tivemos uma final repetida. Ceará e Bahia são os responsáveis por quebrarem essa marca. É bom enfatizar que tivemos campanhas bem distintas. Enquanto o Bahia foi o primeiro clube a garantir sua vaga na segunda fase, o Vozão brigou até a última rodada. Entretanto, é bom destacar que o alvinegro continua invicto, o que traz boas lembranças para o torcedor do Ceará, porque foi com este mesmo roteiro que o clube do Porangabussu levantou a Orelhuda em 2015. 

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Passar duas fases de mata-mata era a injeção de confiança que o Ceará tanto procurou depois de um 2020 oscilante. Na verdade, é bom destacar que o começo de trabalho de Guto Ferreira tem sido digno de elogios. O treinador ainda não desenvolveu um padrão de jogo que simboliza a sua cara, mas ele continuou valorizando um fundamento que tem rendido bons frutos ao vozão: a bola área. Ganhou do Vitória jogando boa parte do segundo tempo com um a menos e, na terça, venceu um Clássico-Rei cujo muitos consideravam o Alvinegro o azarão da partida. 

O Esquadrão aparentou ter dois jogos mais fáceis, entrando os dois confrontos como o grande favorito. O primeiro jogo foi uma montanha-russa de emoções, ligou o sinal de alerta e o foco agora era no Confiança. Mesmo há mais de um ano no cargo e total respaldo da direção, muitos torcedores do Bahia estão desconfiados com o trabalho de Roger Machado pelo time aparentar ser previsível. O problema da semifinal não pareceu ser o tricolor baiano, mas sim a marcação do Dragão que estava afiada e dificultou muito a troca de passes em espaços tão curtos. A interferência do treinador foi cirúrgica ao colocar em campo o jogador que definiu o jogo. 

Em 2015 esses mesmos adversários se encontraram na decisão daquele ano. Os dois estavam na série B, fizeram jogos marcantes na Fonte Nova e no Castelão. Em 2020, disputando a primeira divisão, não podemos falar que a situação é semelhante, principalmente numa temporada que condicionou o futebol a ser praticado a sem suas fanáticas torcidas. É doloroso.

Fortaleza 0x1 Ceará

Jogadores do Ceará comemoram o gol do time (Felipe Santos / Ceará SC)

Era o terceiro encontro dos rivais cearenses só nesta temporada. O primeiro foi na segunda rodada do Nordestão, um empate em 1×1 com pênalti defendido por Felipe Alves nos minutos finais. O segundo, foi há pouco mais de duas semanas, na volta do campeonato cearense. Diferentemente do primeiro duelo, o Fortaleza sobrou em campo e trouxe muita desconfiança para o Vozão. 

Só que não estamos em tempos normais. O jogo contra o Sport foi uma exibição péssima, obrigando Rogério Ceni a fazer algumas mudanças no time titular, três no total, todas nas posições de ataque. Já o Ceará tinha uma mudança obrigatória, colocando Klaus na vaga de Luiz Otávio, expulso contra o Vitória. No meio, trouxe Fabinho para o lugar de Ricardinho, buscando ter mais vigor físico e poder de marcação. 

O jogo começou muito truncado, pegado, entradas mais duras e poucas jogadas trabalhadas. O primeiro destaque foi um cartão amarelo para Mariano Vasquez ainda nos dez minutos iniciais. O Fortaleza até que tentou propor o jogo, não obstante sem sucesso, pois o tricolor não conseguiu se desvencilhar de um meio-campo mais espaçado e o Ceará conseguia recuperar a bola e fazer uma transição rápida pelas laterais.

E em um desses ataques, surgiu uma falta para o Vozão. Vina levantou na área e Klaus subiu mais alto que toda defesa tricolor, cabeceou e abriu o placar. É bom destacar que esse, pegando os últimos cinco confrontos do Clássico-Rei, é o quarto seguido que o Ceará faz através de bola levantada na área. Inclusive, o próprio Klaus foi autor do gol alvinegro no jogo da segunda rodada da Lampions deste ano.

Depois do gol, podemos afirmar que o primeiro tempo foi um show de passes errados e uma apresentação muito pobre no sentido criação. Na volta do intervalo, Rogério Ceni tirou o pendurado Vazquez para colocar Romarinho. A tentativa era conseguir destravar o ferrolho montado por Guto Ferreira.

De cara, não deu muito certo, parecia que o Fortaleza não sabia o que fazer com a bola e a cada minuto que passava, o time ia ficando cada vez mais nervoso. O Ceará repetia a receita do primeiro tempo, as jogadas trabalhadas nas laterais do último terço sempre terminavam em falta ou escanteios para o Vozão, gerando um verdadeiro pavor no torcedor Tricolor. 

A melhor, ou talvez primeira grande chance do Leão do Pici, ocorreu só aos 35 minutos do segundo tempo. A rebatida de um escanteio caiu nos pés de Iury César, relembrando o gol que ele tinha feito há duas semanas. O atacante bateu de primeira e a bola passou à esquerda do gol defendido por Fernando Prass.

O Fortaleza passou a funcionar na base do abafa, desorganizado e individualista e acabou cedendo mais espaços para o Vozão, que teve a chance de finalizar a partida aos 44 minutos. Em um chute de Lima, a bola passou longe da meta. Isso poderia ter custado caro, num momento de desatenção gigantesco do sistema defensivo alvinegro, Felipe dominou um lateral que foi cobrado na grande área, fez o pivô e encontrou um espaço para cruzar a bola, mas houve uma falta de ataque e o lance foi paralisado. 

Foi o suficiente para o árbitro decretar o fim da partida. Ceará é o primeiro finalista.

Bahia 1×0 Confiança

Toda polêmica discutida sobre o duelo entre Bahia e Botafogo acabou ofuscando os bons momentos que o tricolor teve na partida. Dentre todos os times que ainda estavam na Copa do Nordeste, o Esquadrão demonstra ser o que mais trata bem a bola quando propõe o jogo. A diferença é que, desta vez o adversário se mostrou o mais disciplinado no torneio. O trabalho de Matheus Cunha ainda é prematuro, apesar de ver que ele já tem uma proposta de jogo bem definida. Sua execução está sendo avaliada na parte defensiva, só que a própria torcida proletária já está se queixando de como o time cria pouco.

Quando a bola rolou, foi exatamente esse o roteiro visto em campo. O Bahia começou uma blitz, conseguia transitar entre os terços do campo com certa agilidade, porém parecia uma espécie de arapuca do Dragão, pois como o time sergipano estava muito compactado, não sobrava espaço quando para troca de passes perto da grande área. As duas finalizações dos primeiros quinze minutos não deram muito perigo ao gol defendido por Rafael Santos.

Isso se repetiu no resto da primeira etapa, ressaltando que quando o time do Bairro Industrial recuperava a bola, tentava uma ligação com o centroavante André Moritz que, mesmo quando ganhava o duelo, ficava muito isolado porque a linha de três que o antecede recuava demais para limitar os espaços do time do Bahia. A chance mais perigosa foi em uma bola recuperada no meio do campo por Gregore, o volante passou rápido para Elber e cruzou rasteiro para Fernandão, que não conseguiu finalizar. 

Na segunda etapa, mantivemos os papéis dos 45 minutos anteriores. Foi uma verdadeira luta conseguir perfurar as linhas do Confiança, tanto que o primeiro chute ocorreu só no minuto 17. Com o passar do tempo, o Dragão foi abrindo suas asas e buscando alguns espaços para incomodar o Bahia, principalmente pelo lado direito do ataque nas subidas de Thiago Ennes. Entretanto, assim como aconteceu no jogo contra o Santa Cruz, o Confiança começou a sentir o peso de uma marcação tão forte e foi cansando, dando mais espaços e o Bahia começou a arriscar mais e Rafael Santos foi sendo exigido e mostrando muita segurança.

O dedo Roger Machado interferiu diretamente no placar. Boa jogada pelo lado esquerdo, troca de passes na diagonal e a bola rolada para Danielzinho, que havia entrado há dois minutos, rematar de primeira e abrir o placar. O Dragão Proletário então foi para o tudo ou nada, na base do abafa, mesmo com as pernas pesadas, dificultando qualquer tipo de movimentação. O juiz não deu muito tempo de acréscimo, encerrou o jogo e a final estava decidida.

É a quarta final do Esquadrão nos últimos seis anos e a chance de igualar a quantidade de títulos do rival Vitória. Um feito que não é pequeno para uma competição que está no coração do futebol nordestino. 

NA TV

Copa do Nordeste – final, jogo de ida
Ceará x Bahia

Sábado, 1º de agosto, 16h
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Copa do Nordeste – final, jogo de volta
Bahia x Ceará

Terça-feira, 4 de agosto, 16h
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