Futebol na televisão é negócio, não cansamos de ouvir. A Rede Globo desembolsa fortunas pelos direitos de transmissão das partidas do Campeonato Brasileiro porque espera um bom retorno de audiência, e consequentemente, de dinheiro. Quando o cálculo mercadológico conclui que uma partida, por mais importante que seja, não tem apelo suficiente, a tabela é desmembrada ou um filme sai da prateleira, mas a final da Copa do Brasil, entre Atlético Mineiro e Cruzeiro, mostrou que nem sempre tem que ser assim. No Rio de Janeiro, alcançou 29 pontos de média no Ibope, a terceira maior audiência de partidas às quartas-feira à noite no ano.

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A decisão de transmitir um jogo ou não avalia principalmente dois aspectos: a importância e o potencial de audiência. Quando é possível conciliar os dois, ótimo. Quando não é, a questão financeira costuma prevalecer. Em 2009, foi assim. Naquele ano, o Cruzeiro enfrentou o Estudiantes na decisão da Libertadores, e a Globo não mostrou a partida para suas duas principais praças. São Paulo e Rio de Janeiro ficaram com um duelo adiado entre Corinthians e Fluminense no jogo de ida. No de volta, houve rodada completa do Brasileirão, menos o confronto da Raposa contra o Botafogo, transferido para agosto. Naquela época, o ex-jogador Tostão fez uma pergunta pertinente em sua coluna na Folha de S. Paulo: “Será que o torcedor paulista e carioca, que não torce para Corinthians e Fluminense, prefere ver a partida do adversário a Cruzeiro x Estudiantes?”.

É difícil saber a resposta. Corinthians x Fluminense rendeu 27 pontos para a Grande São Paulo no dia do jogo de ida, e Flamengo x Palmeiras, um a menos, na partida de volta. Foram as melhores audiências do Campeonato Brasileiro de 2009 até aquele momento, mas nada excepcionais. No ano anterior, por exemplo, a finalíssima do continental entre Fluminense e LDU, no Maracanã, rendeu 31 pontos. Quanto daria Cruzeiro x Estudiantes? Nunca saberemos.

Poderia ter sido um desastre que nem na temporada seguinte, quando a Globo decidiu passar a segunda partida final da Libertadores entre Internacional e Chivas Guadalajara. Conseguiu apenas 15 pontos de média no Ibope, bem abaixo do que o horário costuma alcançar. No dia do jogo de ida, por exemplo, Palmeiras x Vitória, pela primeira rodada da Sul-Americana, rendeu 20 pontos.

Há dois lados nessa discussão. Do ponto de vista da emissora, uma empresa privada que busca o máximo de lucro possível, é compreensível ignorar algumas partidas que não têm muito potencial de audiência. Ainda mais quando um filme do Tom Cruise chama mais atenção que uma partida do Santos. Mas também há a prestação de serviços de um canal de televisão, com concessão pública, que se diz parceira do futebol brasileiro, importante elemento da cultura nacional.

A solução parece estar no meio-termo, que seria aceitar uma ou outra queda de audiência para passar partidas importantes e valorizar o esporte. E a audiência da final entre os mineiros mostra que a importância da partida também pode ter bastante influência na vontade dos espectador de ligar a televisão e que o brasileiro ainda consegue apreciar uma boa partida de futebol, mesmo sem torcer para um dos clubes. Além de ser um ótimo incentivo para adotar a mesma tática ano que vem, se for necessário.

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